{"id":142304,"date":"2017-06-17T08:22:42","date_gmt":"2017-06-17T11:22:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=142304"},"modified":"2017-06-17T08:28:25","modified_gmt":"2017-06-17T11:28:25","slug":"vasco-mariz-guardiao-da-nossa-musica-morre-aos-96","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vasco-mariz-guardiao-da-nossa-musica-morre-aos-96\/","title":{"rendered":"Mariz, guardi\u00e3o da m\u00fasica brasileira, morre aos 96 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Luiz Sampaio\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Quando, em 1947, Vasco Mariz publicou em Portugal Figuras da M\u00fasica Brasileira, deu in\u00edcio a um trabalho de pesquisa que se tornaria refer\u00eancia para quem quer entender os caminhos da produ\u00e7\u00e3o musical no Pa\u00eds ao longo do s\u00e9culo 20. Foi o primeiro bi\u00f3grafo de Villa-Lobos, por exemplo, assinando tamb\u00e9m livros sobre autores como Claudio Santoro e Francisco Mignone. E seguiram-se mais de 50 livros, em trajet\u00f3ria encerrada na manh\u00e3 de sexta, 16, quando o music\u00f3logo morreu, aos 96 anos, no Rio.<\/p>\n<p>Mariz teve uma trajet\u00f3ria \u00edmpar. Formou-se cantor l\u00edrico, mas tamb\u00e9m na Faculdade de Direito. Da academia, seguiu para carreira como diplomata, tornando-se embaixador e ocupando postos em pa\u00edses como Portugal, Argentina, It\u00e1lia, Estados Unidos, Equador, Israel, Peru e a Alemanha Oriental. E precisou deixar o canto para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Procurei conciliar as duas carreiras; dei muitos recitais aqui e no exterior e s\u00f3 desisti ap\u00f3s turn\u00ea de 8 concertos em 20 dias nos EUA, em 1952. Foi horr\u00edvel repetir o mesmo recital, fazer os mesmos gestos, pegar o trem e correr para outra cidade, lutar com o acompanhador, com medo de me resfriar, etc. Sa\u00ed-me bem e o empres\u00e1rio quis me contratar, mas disse-lhe que n\u00e3o: tinha uma boa carreira, fam\u00edlia, duas filhas pequenas e n\u00e3o queria essa vida de andarilho musical. N\u00e3o me arrependi. Cantei em p\u00fablico ainda uma vez em 1957, em N\u00e1poles, no Teatro di San Carlo, o papel de Alvise Badoero na Gioconda. Fui aplaudido, mas a not\u00edcia chegou aos ouvidos do embaixador em Roma que me repreendeu: se fosse vaiado, era o Brasil vaiado, porque eu era o c\u00f4nsul do Pa\u00eds em N\u00e1poles. Nunca mais&#8221;, contou ele em 2011 ao compositor Ricardo Tacuchian, em entrevista para a Revista Brasileira de M\u00fasica, publica\u00e7\u00e3o da Escola de M\u00fasica da UFRJ.<\/p>\n<p>Se o canto ficou para tr\u00e1s, a liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica continuaria, agora como pesquisador. Dif\u00edcil assinalar, em mais de seis d\u00e9cadas de produ\u00e7\u00e3o, as obras mais importantes. Mas \u00e9 certo que trabalhos como A can\u00e7\u00e3o popular no Brasil, Hist\u00f3ria da M\u00fasica no Brasil e A m\u00fasica no Rio de Janeiro no tempo de D. Jo\u00e3o VI s\u00e3o refer\u00eancias incontorn\u00e1veis pelo que se prop\u00f5em, como afirmou o music\u00f3logo Andr\u00e9 Cardoso, em texto no site Tutti Cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>&#8220;Seu trabalho como music\u00f3logo seguiu a trilha aberta por nomes como Renato Almeida e Luiz Heitor Correa de Azevedo. O primeiro prefaciou seu livro de estreia, o Dicion\u00e1rio Bio-Bibliogr\u00e1fico Musical, de 1948. No mesmo ano lan\u00e7ou, em Portugal, Figuras da M\u00fasica Brasileira Contempor\u00e2nea e A Can\u00e7\u00e3o de C\u00e2mara no Brasil. J\u00e1 Luiz Heitor assinou o pref\u00e1cio do pioneiro Heitor Villa-Lobos, Compositor Brasileiro, publicado em 1949 pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Nas d\u00e9cadas seguintes, suas obras foram constantemente reeditadas, ampliadas e atualizadas. Em 1981, surgiu seu livro mais importante, Hist\u00f3ria da M\u00fasica no Brasil, tamb\u00e9m prefaciado por Luiz Heitor. \u00c9, sem d\u00favida, obra referencial, na qual desenvolveu uma vis\u00e3o de conjunto de nossas atividades musicais, desde o per\u00edodo colonial, sempre se valendo das muitas rela\u00e7\u00f5es pessoais que estabeleceu com diferentes gera\u00e7\u00f5es de compositores brasileiros.&#8221;<\/p>\n<p>Presidente da Academia Brasileira de M\u00fasica, Cardoso informou na sexta que &#8220;Vasco, com sua grande capacidade de trabalho e for\u00e7a intelectual, continuou produzindo at\u00e9 poucos dias&#8221;. &#8220;Deixou pronta uma palestra que ia proferir na Antiga S\u00e9 do Rio dia 20, \u00e0s 14 h, nas comemora\u00e7\u00f5es dos 250 anos de nascimento do padre Jos\u00e9 Maur\u00edcio Nunes Garcia. O evento, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Ricardo Tacuchian, est\u00e1 mantido e ser\u00e1 uma forma de homenage\u00e1-lo por tudo que fez e representou para a m\u00fasica brasileira e para a pr\u00f3pria ABM.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Luiz Sampaio\u00a0 Quando, em 1947, Vasco Mariz publicou em Portugal Figuras da M\u00fasica Brasileira, deu in\u00edcio a um trabalho de pesquisa que se tornaria refer\u00eancia para quem quer entender os caminhos da produ\u00e7\u00e3o musical no Pa\u00eds ao longo do s\u00e9culo 20. 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