{"id":142310,"date":"2017-06-17T08:29:09","date_gmt":"2017-06-17T11:29:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=142310"},"modified":"2017-06-17T08:30:07","modified_gmt":"2017-06-17T11:30:07","slug":"medico-pede-mais-exame-que-colega-de-pais-rico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/medico-pede-mais-exame-que-colega-de-pais-rico\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico pede mais exame que colega de pa\u00eds mais rico"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Fabiana Cambricoli<\/strong><\/h6>\n<p>Eliane Ferreira Santiago, de 37 anos, convive desde crian\u00e7a com dores fortes em todo o corpo e uma fadiga cr\u00f4nica. Foi em diversos m\u00e9dicos e conta que fez, em diferentes faixas et\u00e1rias, v\u00e1rios exames. Os m\u00e9dicos de planos de sa\u00fade brasileiros j\u00e1 pedem mais exames de tomografia e resson\u00e2ncia do que profissionais de pa\u00edses desenvolvidos, segundo dados in\u00e9ditos da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS).<\/p>\n<p>O n\u00famero desses procedimentos por pacientes de conv\u00eanios m\u00e9dicos no Pa\u00eds cresceu 22% em apenas dois anos, o que, segundo a ANS e especialistas, indica que muitas solicita\u00e7\u00f5es podem estar sendo feitas indevidamente. Entre as principais raz\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o excessiva dos procedimentos est\u00e3o falhas na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, interesses financeiros de hospitais e laborat\u00f3rios e m\u00e1 remunera\u00e7\u00e3o por parte das operadoras aos prestadores de servi\u00e7o. O fen\u00f4meno, al\u00e9m de aumentar o desperd\u00edcio de recursos no sistema privado, ainda traz riscos aos pacientes, como a exposi\u00e7\u00e3o frequente a radia\u00e7\u00f5es comuns em exames de imagem.<\/p>\n<p>A tomografia computadorizada e a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica s\u00e3o usadas como refer\u00eancia pelos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) para avaliar o acesso aos recursos de sa\u00fade na \u00e1rea de tecnologia m\u00e9dica. Enquanto nessas 35 na\u00e7\u00f5es &#8211; incluindo algumas das mais desenvolvidas do mundo, como Alemanha, Fran\u00e7a e Estados Unidos -, a m\u00e9dia anual de resson\u00e2ncias \u00e9 de 52 por 1 mil habitantes, no sistema suplementar brasileiro o \u00edndice foi de 149 por 1 mil benefici\u00e1rios em 2016, segundo o mais recente Mapa Assistencial da Sa\u00fade Suplementar da ANS, que ser\u00e1 publicado nesta semana.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de tomografias realizadas tamb\u00e9m \u00e9 superior nos planos de sa\u00fade do Brasil em 2016 em compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses ricos: 120 exames por 1 mil habitantes nas na\u00e7\u00f5es da OCDE ante 149 por 1 mil benefici\u00e1rios dos conv\u00eanios m\u00e9dicos brasileiros.<\/p>\n<p>Considerando os n\u00fameros absolutos, o n\u00famero de resson\u00e2ncias feitas por pacientes de conv\u00eanios passou de 5,7 milh\u00f5es em 2014 para 7 milh\u00f5es em 2016, alta de 22%. J\u00e1 o de tomografias passou de 5,9 milh\u00f5es para 7 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo, crescimento de 18%. Mesmo se avaliados todos os tipos de exames feitos por benefici\u00e1rios de planos, houve aumento de 12% no n\u00famero de procedimentos entre 2014 e 2016.<\/p>\n<p><b>Desperd\u00edcio &#8211;\u00a0<\/b>Para Karla Coelho, diretora de normas e habilita\u00e7\u00e3o de produtos da ANS, a diferen\u00e7a entre os \u00edndices do Brasil e de outros pa\u00edses traz um alerta. &#8220;\u00c9 um desperd\u00edcio de recursos. Enquanto os prestadores de servi\u00e7o, como hospitais e laborat\u00f3rios, forem pagos por procedimento e n\u00e3o por qualidade, o n\u00famero de exames ser\u00e1 infinito&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>J\u00e1 o professor da Faculdade de Medicina da USP Mario Scheffer destaca que &#8220;os conv\u00eanios n\u00e3o trabalham tanto com preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, ficam focados na aten\u00e7\u00e3o especializada e, muitas vezes, ainda pressionam os m\u00e9dicos a fazerem atendimentos r\u00e1pidos para que seja poss\u00edvel atender mais pacientes no mesmo dia&#8221;. &#8220;Assim, o tempo que deveria ser gasto com anamnese e conversa com o paciente \u00e9 substitu\u00eddo pela indica\u00e7\u00e3o de exame.&#8221;<\/p>\n<p>Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo (Cremesp), Mauro Aranha ressalta que, al\u00e9m da quest\u00e3o da baixa remunera\u00e7\u00e3o pelos planos de sa\u00fade, as falhas na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica podem estar contribuindo para esse cen\u00e1rio de depend\u00eancia do uso de tecnologia nos diagn\u00f3sticos. &#8220;O m\u00e9dico que n\u00e3o tem compet\u00eancia suficiente para uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica vai tentar compensar com pedidos de exames.&#8221;<\/p>\n<p><b>Exemplo &#8211;\u00a0<\/b>Eliane foi diagnosticada com reumatismo, mas as dores nunca passavam. &#8220;H\u00e1 uns dez anos, comecei a pesquisar por conta pr\u00f3pria e vi que tinha todos os sintomas de fibromialgia. Procurei um m\u00e9dico e depois disso \u00e9 que ele conseguiu me diagnosticar&#8221;, diz. Hoje, criou at\u00e9 um grupo sobre a doen\u00e7a nas redes sociais. &#8220;Quase todo mundo com a s\u00edndrome demorou anos para descobrir porque os m\u00e9dicos n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o aos sintomas que o paciente descreve. \u00c9 uma neglig\u00eancia que traz sofrimento.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabiana Cambricoli Eliane Ferreira Santiago, de 37 anos, convive desde crian\u00e7a com dores fortes em todo o corpo e uma fadiga cr\u00f4nica. Foi em diversos m\u00e9dicos e conta que fez, em diferentes faixas et\u00e1rias, v\u00e1rios exames. 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