{"id":142846,"date":"2017-06-23T08:00:22","date_gmt":"2017-06-23T11:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=142846"},"modified":"2017-06-23T12:09:29","modified_gmt":"2017-06-23T15:09:29","slug":"festas-juninas-apresentam-forca-do-campo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/festas-juninas-apresentam-forca-do-campo-brasileiro\/","title":{"rendered":"Festas juninas apresentam for\u00e7a do campo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Camila Maciel<\/strong><\/p>\n<p>Comida t\u00edpica, fogueira, quadrilha e fogos de artif\u00edcio s\u00e3o alguns dos elementos tradicionais das festas juninas que podem ser encontrados em diversas partes do pa\u00eds. Seja em um grande evento na cidade, uma quermesse no sal\u00e3o da igreja ou um arrai\u00e1 da fam\u00edlia, eles est\u00e3o comumente presentes nos festejos do m\u00eas de junho, que tem raiz hist\u00f3rica nos rituais de celebra\u00e7\u00e3o das colheitas. A festa milenar, no entanto, foi se transformando ao longo dos anos, mas se manteve como uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural da rela\u00e7\u00e3o do homem com o campo.<\/p>\n<p>\u201cA festa junina \u00e9 uma festa enraizada na cultura brasileira, que tem o alimento como um importante elemento de identidade\u201d, aponta a historiadora Eliane Morelli Abrah\u00e3o, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela destaca que muitas das quermesses, por exemplo, n\u00e3o est\u00e3o mais associadas aos santos cat\u00f3licos, mas, sim, \u00e0 comida. \u201c\u00c9 uma festa muito associada ao alimento, que acaba sendo o signo da mem\u00f3ria coletiva. As comidas t\u00edpicas significam essa mem\u00f3ria coletiva do nosso povo\u201d, disse a especialista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>O festejo tem maior express\u00e3o nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. Professora de tradi\u00e7\u00f5es populares do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica do Cear\u00e1 (IFCE), Lourdes Macena aponta que as manifesta\u00e7\u00f5es culturais assumem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias em cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMuitas m\u00fasicas e escritos falam do quent\u00e3o, no entanto, a gente n\u00e3o toma essa bebida aqui [no Cear\u00e1], toma alu\u00e1\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>\u00c0 base de vinho e especiarias, o quent\u00e3o aquece junho que j\u00e1 antecipa o frio do inverno no Sudeste. O alu\u00e1, por sua vez, tem raiz ind\u00edgena e pode ser feito \u00e0 base de abacaxi.<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong> &#8211; De acordo com Eliane, as comemora\u00e7\u00f5es juninas remontam ao s\u00e9culo 12 e t\u00eam origem nas festas pag\u00e3s. \u201cEsses povos da Antiguidade j\u00e1 acreditavam que a celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 deusa Juno, que era considerada a protetora do casamento, do parto e da mulher, proporcionaria fartas colheitas\u201d, apontou. A Igreja Cat\u00f3lica, no entanto, n\u00e3o via com bons olhos essas festas populares e come\u00e7ou um processo de incorpora\u00e7\u00e3o dos festejos, vinculando-os ao calend\u00e1rio lit\u00fargico. \u201c\u00c9 o per\u00edodo do solst\u00edcio de ver\u00e3o na Europa, ent\u00e3o est\u00e1 muito ligado com a quest\u00e3o da planta\u00e7\u00e3o e das colheitas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No Brasil, o festejo junino est\u00e1 novamente associado a um processo de incorpora\u00e7\u00e3o pela Igreja. \u201cOs colonizadores portugueses e os padres jesu\u00edtas quando chegam aqui se deparam com as tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas de prepara\u00e7\u00e3o do solo para o plantio que tamb\u00e9m tinham como intuito essa safra abundante. Os \u00edndios tamb\u00e9m j\u00e1 tinham esse costume de fazer as festas nesse per\u00edodo\u201d, explica a historiadora. A festa ind\u00edgena vai intercambiando para a festa crist\u00e3 em torno, especialmente, da figura de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p><strong>Diversidade<\/strong> &#8211; A professora Lourdes Macena explica algumas diferen\u00e7as regionais dos festejos juninos. No Nordeste, por exemplo, as ra\u00edzes s\u00e3o bem exploradas nas comidas t\u00edpicas. \u201cA batata, a macaxeira, o inhame, a gente usa muito. Comemos cozido, assado na fogueira\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda diferen\u00e7as de nome entre os preparos do milho, que \u00e9 a base da culin\u00e1ria junina. A canjica no Nordeste \u00e9 o curau no Sudeste. E a canjica no Sudeste \u00e9 o mungunz\u00e1 nos estados nordestinos. H\u00e1 tamb\u00e9m a pamonha, que pode ser doce ou salgada e \u00e9 facilmente encontrada em praticamente em todo o Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Maranh\u00e3o, apesar de se encontrar as quadrilhas, o forte \u00e9 a brincadeira do boi. \u201cEles t\u00eam v\u00e1rios sotaques [forma pr\u00f3pria de express\u00e3o de uma mesma manifesta\u00e7\u00e3o cultural]. Os sotaques de matraca, sotaque de zambumba, sotaque da ilha, que s\u00e3o formas diferenciadas de fazer musicalmente a brincadeira do boi com diversos personagens tamb\u00e9m que se distinguem no Maranh\u00e3o\u201d, explicou Lourdes.<\/p>\n<p>No Amazonas, a grande festa de Parintins ocorre entre os bois Caprichoso e Garantido. \u201cL\u00e1 o que seria a brincadeira do boi passa a ser uma festa \u00fanica, a festa junina em si \u00e9 em volta do boi\u201d, apontou a professora de tradi\u00e7\u00f5es culturais. A festa ocorre no \u00faltimo fim de semana de junho. Em Manaus, as cirandas s\u00e3o um destaque dos festejos.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, terra da pesquisadora, assim como em outros estados da Regi\u00e3o Nordeste, o tecido de chita est\u00e1 presente das vestimentas \u00e0 decora\u00e7\u00e3o. \u201cA gente gosta muito de coisas coloridas, ent\u00e3o a gente usa muito fita, com cores fortes, vivas. A gente brinca muito com essa coisa do figurino, apesar de ter essa estiliza\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o deixa de usar uma matriz est\u00e9tica para poder compor em cima e essa matriz vem em cima do chit\u00e3o, das cores, dos quadriculados\u201d, explicou. As crendices populares para \u201carrumar um marido\u201d tamb\u00e9m fazem parte da brincadeira no estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Maciel Comida t\u00edpica, fogueira, quadrilha e fogos de artif\u00edcio s\u00e3o alguns dos elementos tradicionais das festas juninas que podem ser encontrados em diversas partes do pa\u00eds. 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