{"id":143218,"date":"2017-06-28T11:35:42","date_gmt":"2017-06-28T14:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=143218"},"modified":"2017-06-28T11:36:33","modified_gmt":"2017-06-28T14:36:33","slug":"abrigos-para-gays-contam-muitas-historias-de-superracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/abrigos-para-gays-contam-muitas-historias-de-superracao\/","title":{"rendered":"Abrigos para gays contam hist\u00f3rias de muita supera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vin\u00edcius Lisboa<\/strong><\/p>\n<p>Duds Falabert, de 35 anos, conta que levava uma vida de homem heterossexual casado quando descobriu a transfobia. Professora de literatura em col\u00e9gios tradicionais de Belo Horizonte e sem socializa\u00e7\u00e3o no meio LGBT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros), ela passou a temer que a busca por sua verdadeira identidade de g\u00eanero levasse ao desmoronamento de sua carreira e vida pessoal.<\/p>\n<p>O receio que poderia paralis\u00e1-la, no entanto, fez nascer a vontade de ajudar pessoas trans que perderam casa, empregos e oportunidades por decidir ser quem s\u00e3o. Ainda quando se identificava como homem, Duds fundou a Casa Transvest, que come\u00e7ou como curso pr\u00e9-vestibular no ano passado e h\u00e1 tr\u00eas meses acolhe transexuais desabrigados. Nesta quarta (28), no Dia Internacional do Orgulho LGBT, hist\u00f3rias como a de Duds ilustram a luta pelo respeito \u00e0 diversidade.<\/p>\n<p>Aos 35 anos, a professora que come\u00e7ou ensinando e acolhendo acabou aprendendo e sendo acolhida pelos amigos que criou no projeto. &#8220;N\u00e3o tive uma socializa\u00e7\u00e3o gay antes, porque enquanto homem, era heterossexual. Esse foi um dos motivos que postergou minha decis\u00e3o, porque a gente costuma acoplar g\u00eanero a orienta\u00e7\u00e3o sexual, e eu sabia que n\u00e3o era gay. Quando consegui dissociar isso, descobri que minha quest\u00e3o era de g\u00eanero.&#8221;<\/p>\n<p>A Casa Transvest ainda funciona em car\u00e1ter experimental e abriga sete pessoas, mas a ideia \u00e9 ampliar para at\u00e9 40 no fim do ano. A procura por vagas \u00e9 alta, e Duds conta que j\u00e1 deu para perceber as mudan\u00e7as que o acolhimento proporciona: &#8220;A primeira \u00e9 o empoderamento da identidade trans. \u00c9 a pessoa come\u00e7ar a sentir orgulho da sua identidade. E eu percebo que h\u00e1 tamb\u00e9m uma desconstru\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que elas traziam em si. No come\u00e7o, a gente percebia muita viol\u00eancia nos atos e nas palavras, mas como a gente oferece afeto e educa\u00e7\u00e3o, isso se transforma.&#8221;<\/p>\n<p>Em comum, as h\u00f3spedes trazem as marcas de terem sido expulsas de casa ainda na adolesc\u00eancia: n\u00e3o terminaram o ensino fundamental e n\u00e3o conseguiam trabalho. Por isso, estudar no projeto \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o para a estadia na Casa Transvest. &#8220;Quando s\u00e3o expulsas nessa condi\u00e7\u00e3o, elas entram nessa vulnerabilidade toda. A escola \u00e9 transf\u00f3bica, as empresas n\u00e3o abrem espa\u00e7o, a fam\u00edlia expulsa porque \u00e9 transf\u00f3bica tamb\u00e9m, e elas n\u00e3o conseguem acolhimento do Estado&#8221;, conta ele. &#8220;Por n\u00e3o reconhecer que mulheres trans e travestis s\u00e3o mulheres, o Estado coloca no abrigo masculino. E l\u00e1 elas s\u00e3o violentadas, estupradas.&#8221;<\/p>\n<p>O projeto mineiro se inspirou em uma iniciativa semelhante no Rio de Janeiro, a Casa Nem, que j\u00e1 chegou a abrigar mais de 60 pessoas LGBT ao mesmo tempo. Com a\u00e7\u00f5es educacionais e profissionalizantes, o abrigo sobrevive com doa\u00e7\u00f5es e a renda de eventos, e busca agora se expandir para \u00e1reas perif\u00e9ricas da regi\u00e3o metropolitana. H\u00e1 dois meses, 12 pessoas est\u00e3o abrigadas na Casa Nem da Baixada Fluminense, em Mesquita. A idealizadora do projeto, Indianara Siqueira, conta que uma nova casa deve ser aberta na zona oeste.<\/p>\n<p>&#8220;Temos desde pessoas expulsas de casa pela fam\u00edlia at\u00e9 pessoas vindas de v\u00e1rios locais do Brasil. Outras s\u00e3o pessoas que perderam seu emprego no momento que iniciaram a transi\u00e7\u00e3o [de g\u00eanero]. Temos hist\u00f3rias felizes, de pessoas que vieram e depois a fam\u00edlia veio buscar. E temos hist\u00f3rias tristes, de pessoas que nos procuraram para morrer\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Com 30 pessoas abrigadas, outra ideia \u00e9 fazer um atendimento especializado a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, sejam elas LGBTs ou n\u00e3o. &#8220;Para isso, precisamos de parcerias&#8221;, adianta ela, que j\u00e1 recebeu contato de ativistas do Chile e da Argentina, interessados no modelo da Casa Nem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vin\u00edcius Lisboa Duds Falabert, de 35 anos, conta que levava uma vida de homem heterossexual casado quando descobriu a transfobia. 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