{"id":144193,"date":"2017-07-08T19:14:14","date_gmt":"2017-07-08T22:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=144193"},"modified":"2017-07-08T19:14:14","modified_gmt":"2017-07-08T22:14:14","slug":"zoo-de-sao-paulo-tem-pegadas-de-feras-pre-historicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/zoo-de-sao-paulo-tem-pegadas-de-feras-pre-historicas\/","title":{"rendered":"Zoo de S\u00e3o Paulo tem pegadas de feras pr\u00e9-hist\u00f3ricas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Maria Tomazela<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de abrigar centenas de animais, o Parque Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo guarda vest\u00edgios de esp\u00e9cies que viveram h\u00e1 140 milh\u00f5es de anos. Foi o que mostrou uma pesquisadora, ao identificar pegadas f\u00f3sseis em 31 lajes de arenito no cal\u00e7amento do zool\u00f3gico.<\/p>\n<p>Pietra Mori Micheletti, mestranda em Conserva\u00e7\u00e3o da Fauna da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), achou vest\u00edgios de animais que habitavam o interior paulista no fim do per\u00edodo Jur\u00e1ssico e no in\u00edcio do Cret\u00e1ceo. Nas lajes, foram identificados icnof\u00f3sseis &#8211; rastros deixados em sedimentos que se transformaram em rocha.<\/p>\n<p>As cal\u00e7adas do zool\u00f3gico paulistano foram feitas com lajes extra\u00eddas de uma pedreira de Araraquara, local de afloramento do maior deserto de dunas e\u00f3licas j\u00e1 existente no mundo. Esse ambiente, o paleodeserto Botucatu, era habitado por grande diversidade faun\u00edstica, composta por dinossauros carn\u00edvoros e herb\u00edvoros, mam\u00edferos e invertebrados que deixaram suas marcas preservadas.<\/p>\n<p>A UFSCar defende a cria\u00e7\u00e3o de um museu a c\u00e9u aberto para expor as pegadas f\u00f3sseis aos visitantes do zoo, na regi\u00e3o do Ipiranga, zona sul da capital. \u201cVamos ter placas iguais \u00e0s que indicam os animais, instaladas pr\u00f3ximas de cada pegada, com informa\u00e7\u00f5es sobre o animal ou organismo que a produziu\u201d, sugere Pietra. A proposta ainda depende do aval da Funda\u00e7\u00e3o Parque Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo ela, como seus pais moram em S\u00e3o Paulo, em bairro perto do zoo, pretende continuar as pesquisas no local. \u201cH\u00e1 mais f\u00f3sseis por l\u00e1. Havia uma laje com uma pegada importante, possivelmente de um dinossauro, que foi retirada do local em que estava. Sei que est\u00e1 em algum lugar, mas ainda n\u00e3o consegui localizar. Vou continuar procurando.\u201d<\/p>\n<p>Entre as pegadas, seis foram deixadas por dinossauros: quatro de celurossauros, carn\u00edvoros, e duas de ornit\u00f3podes, herb\u00edvoros.<\/p>\n<p>Dentre as pegadas produzidas por mam\u00edferos, foi poss\u00edvel identificar uma, por exemplo, de um mam\u00edfero de maior porte, o Aracoaraichnium leonardii.<\/p>\n<p>Esse ancestral n\u00e3o aparecia em pesquisas anteriores sobre os f\u00f3sseis do antigo deserto. Seus rastros foram descritos em trabalho recente, tamb\u00e9m feito na UFSCar, pelo doutorando Pedro Victor Buck.<\/p>\n<p>Ele descobriu esse mam\u00edfero de maior porte em placas resgatadas da pedreira S\u00e3o Bento de Araraquara e das cal\u00e7adas p\u00fablicas de S\u00e3o Carlos. A placa que deu base \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o foi achada ao lado de uma pizzaria. Os vest\u00edgios foram comparados com outros em placas de arenito e ficou provado que se tratava de um animal diferente daqueles j\u00e1 descritos.<\/p>\n<p>O rastro &#8211; e, por extens\u00e3o, a esp\u00e9cie ancestral que o produziu &#8211; ganhou o nome de Aracoaraichnium leonardii em homenagem \u00e0 cidade e ao padre italiano Giuseppe Leonardi, pioneiro no estudo das lajes de arenito na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAinda tem muita coisa nos cal\u00e7amentos dessas cidades, mas h\u00e1 sempre o risco desse material desaparecer numa reforma ou pelo desgaste natural da placa\u201d, explica Marcelo Adorna Fernandes, professor do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da UFSCar e orientador dos dois pesquisadores.<\/p>\n<p>A primeira pegada f\u00f3ssil na regi\u00e3o foi descoberta em 1911, em uma cal\u00e7ada de S\u00e3o Carlos, pelo engenheiro Joviano Pacheco. Ele retirou a placa e levou para o Instituto Geol\u00f3gico de S\u00e3o Paulo &#8211; o material foi analisado e descrito somente em 1931 pelo paleont\u00f3logo alem\u00e3o Friederich von Huene, especialista em dinossauros.<\/p>\n<p>Visita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a hist\u00f3ria do zool\u00f3gico se mistura com a explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do passado. Em 2007, foi desenvolvido um guia de campo com ilustra\u00e7\u00f5es das pegadas f\u00f3sseis existentes em algumas cal\u00e7adas do parque, com enfoque nos dinossauros. Depois disso, nenhum outro trabalho foi feito com os icnof\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Em setembro de 2014, foi inaugurada no zoo a exposi\u00e7\u00e3o \u201cO Mundo dos Dinossauros\u201d, idealizada pela D32 Produ\u00e7\u00f5es e Eventos, com 20 dinossauros robotizados em tamanho real. \u201cAs pegadas f\u00f3sseis permitem ao visitante outra forma de interagir com o parque, possibilitando reflex\u00f5es sobre as marcas que o ser humano est\u00e1 deixando para gera\u00e7\u00f5es futuras\u201d, escreve Pietra, em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Maria Tomazela Al\u00e9m de abrigar centenas de animais, o Parque Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo guarda vest\u00edgios de esp\u00e9cies que viveram h\u00e1 140 milh\u00f5es de anos. Foi o que mostrou uma pesquisadora, ao identificar pegadas f\u00f3sseis em 31 lajes de arenito no cal\u00e7amento do zool\u00f3gico. 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