{"id":144345,"date":"2017-07-10T19:44:43","date_gmt":"2017-07-10T22:44:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=144345"},"modified":"2017-07-11T08:51:08","modified_gmt":"2017-07-11T11:51:08","slug":"vacina-para-meningite-faz-sucesso-contra-gonorreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vacina-para-meningite-faz-sucesso-contra-gonorreia\/","title":{"rendered":"Vacina para meningite \u00e9 arma contra gonorreia"},"content":{"rendered":"<p><strong>F\u00e1bio de Castro<\/strong><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o em massa de uma vacina contra meningite B na Nova Zel\u00e2ndia reduziu em mais de 30% o risco de contrair gonorreia entre as pessoas que foram imunizadas, de acordo com um novo estudo publicado nesta segunda-feira, 10, na revista cient\u00edfica The Lancet.<\/p>\n<p>De acordo com os autores da pesquisa, \u00e9 a primeira vez que uma vacina apresenta alguma prote\u00e7\u00e3o contra a gonorreia e os resultados fornecem um novo caminho para o desenvolvimento de uma vacina espec\u00edfica contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Algumas linhagens da bact\u00e9ria da gonorreia est\u00e3o cada vez mais resistentes aos antibi\u00f3ticos dispon\u00edveis, tornando o desenvolvimento de uma vacina contra a doen\u00e7a uma prioridade global de sa\u00fade, segundo os autores do artigo. At\u00e9 agora, depois de mais de 100 anos de pesquisas, todos os esfor\u00e7os para desenvolver uma vacina contra a gonorreia fracassaram.<\/p>\n<p>No estudo, os cientistas analisaram os dados de uma campanha realizada entre 2004 e 2006, na qual cerca de um milh\u00e3o de pessoas &#8211; o equivalente a 81% da popula\u00e7\u00e3o neozelandesa com menos de 20 anos &#8211; foram imunizadas com MeNZB, uma vacina de ves\u00edcula da membrana externa (OMV, na sigla em ingl\u00eas) contra a meningite B.<\/p>\n<p>De acordo com a autora principal do estudo, Helen Petousis-Harris, da Universidade de Auckland (Nova Zel\u00e2ndia), embora as duas doen\u00e7as sejam muito diferentes em termos de sintomas e modo de transmiss\u00e3o, h\u00e1 uma coincid\u00eancia gen\u00e9tica de 80% a 90% entre as bact\u00e9rias Neisseria gonorrhoeae e Neisseria meningitidis, o que resulta em um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o cruzada<\/p>\n<p>&#8220;Nossa descoberta fornece evid\u00eancias experimentais e uma prova de princ\u00edpio de que a vacina OMV para meningococos do grupo B pode oferecer uma prote\u00e7\u00e3o cruzada moderada contra a gonorreia. Essa \u00e9 a primeira vez que uma vacina mostra qualquer tipo de prote\u00e7\u00e3o contra essa doen\u00e7a&#8221;, disse Helen.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 agora, ainda permanece desconhecido o mecanismo por tr\u00e1s dessa resposta imune que verificamos, mas nossa descoberta poder\u00e1 ajudar a desenvolver futuras vacinas que possam proteger tanto contra meningite como contra gonorreia&#8221;, afirmou a cientista.<\/p>\n<p>No novo estudo, os cientistas analisaram os dados 14.730 casos indiv\u00edduos de 15 a 30 anos de idade, vacinados ou n\u00e3o, sendo que 1.241 haviam sido diagnosticados com gonorreia, 12.487 com clam\u00eddia e 1.002 com ambas as doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Entre os que haviam sido vacinados, a probabilidade de contrair gonorreia foi de 41%, enquanto entre os n\u00e3o vacinados foi de 51% Levando em conta fatores como etnia, condi\u00e7\u00e3o social, \u00e1rea geogr\u00e1fica e g\u00eanero, os cientistas conclu\u00edram que ter recebido previamente a vacina MeNZB reduziu a incid\u00eancia de gonorreia em aproximadamente 31%.<\/p>\n<p><b>Sa\u00fade p\u00fablica &#8211;\u00a0<\/b>Segundo os autores do novo estudo, se o efeito for confirmado com outras vacinas semelhantes atualmente dispon\u00edveis contra a meningite, administr\u00e1-la em adolescentes poderia resultar em um decl\u00ednio consider\u00e1vel da gonorreia, cuja bact\u00e9ria est\u00e1 cada vez mais resistente.<\/p>\n<p>Estudos anteriores apontam que uma vacina com 30% de efic\u00e1cia poderia reduzir a preval\u00eancia da gonorreia em mais de 30% dentro de 15 anos, de acordo com outro dos autores do novo estudo, Steven Black, do Hospital Infantil de Cincinnati (Estados Unidos).<\/p>\n<p>&#8220;A potencial capacidade de uma vacina OMV contra meningococos do grupo B para fornecer uma prote\u00e7\u00e3o contra a gonorreia, mesmo moderada, poderia trazer um benef\u00edcio de sa\u00fade p\u00fablica substancial, levando em conta a preval\u00eancia da gonorreia e a crescente resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos&#8221;, disse Black.<\/p>\n<p>Segundo Black, a vacina MeNZB, desenvolvida para controlar uma epidemia de meningite, n\u00e3o est\u00e1 mais dispon\u00edvel, mas os ant\u00edgenos OMV utilizados em sua f\u00f3rmula &#8211; e que os cientistas acreditam ter provocado uma resposta imunol\u00f3gica contra a gonorreia &#8211; foram inclu\u00eddos em outras vacinas desenvolvidas mais recentemente, como a 4CMenB, que est\u00e1 dispon\u00edvel em diversos pa\u00edses como Brasil, Estados Unidos, Canad\u00e1, Asutr\u00e1lia e Reino Unido, com o nome comercial Bexsero.<\/p>\n<p>&#8220;Se a vacina 4CMenB, atualmente dispon\u00edvel em v\u00e1rios pa\u00edses, mostrar efeito semelhante aos da vacina MeNZB, administr\u00e1-la em programas de imuniza\u00e7\u00e3o de adolescentes poderia resultar no decl\u00ednio da gonorreia&#8221;, afirmou Black.<\/p>\n<p>Os autores alertam que, por causa da variabilidade das diferentes linhagens das bact\u00e9rias da gonorreia e da meningite, o efeito da vacina pode variar e que a coinfec\u00e7\u00e3o de gonorreia e clam\u00eddia pode reduzir ligeiramente a efic\u00e1cia da vacina.<\/p>\n<p><b>Neglig\u00eancia &#8211;\u00a0<\/b>Segundo os autores do estudo, h\u00e1 aproximadamente 78 milh\u00f5es de casos anuais de gonorreia no mundo. Um n\u00famero cada vez maior de linhagens da bact\u00e9ria da gonorreia est\u00e1 desenvolvendo resist\u00eancia a todas as drogas recomendadas para o tratamento. Sem tratamento, a gonorreia pode levar a complica\u00e7\u00f5es como doen\u00e7a inflamat\u00f3ria p\u00e9lvica, gravidez ect\u00f3pica (fora do \u00fatero) e infertilidade, al\u00e9m de facilitar a transmiss\u00e3o do v\u00edrus HIV.<\/p>\n<p>O novo estudo foi publicado em conjunto com uma recomenda\u00e7\u00e3o da The Lancet Infectious Diseases, lan\u00e7ada no domingo, 9, no Congresso Mundial de DST e HIV, no Rio de Janeiro. O autor principal do relat\u00f3rio, Christopher Fairley, do Centro de Sa\u00fade Sexual de Melbourne (Austr\u00e1lia), afirma que as DSTs est\u00e3o sendo negligenciadas globalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Os tomadores de decis\u00e3o precisam ser convencidos de que o investimento em estrat\u00e9gias cl\u00ednicas e de sa\u00fade p\u00fablica podem melhorar o controle das DSTs, mas basear-se apenas na redu\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas sexuais arriscadas de uma popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 suficiente e \u00e9 preciso mais pesquisa em tratamentos biom\u00e9dicos. O desenvolvimento de vacinas contra a gonorreia, cada vez mais resistente \u00e0s drogas, \u00e9 provavelmente a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel para controlar essas infec\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Fairley.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1bio de Castro A aplica\u00e7\u00e3o em massa de uma vacina contra meningite B na Nova Zel\u00e2ndia reduziu em mais de 30% o risco de contrair gonorreia entre as pessoas que foram imunizadas, de acordo com um novo estudo publicado nesta segunda-feira, 10, na revista cient\u00edfica The Lancet. 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