{"id":144696,"date":"2017-07-14T08:30:27","date_gmt":"2017-07-14T11:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=144696"},"modified":"2017-07-14T08:40:25","modified_gmt":"2017-07-14T11:40:25","slug":"ministro-manda-medico-trabalhar-mais-e-fingir-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ministro-manda-medico-trabalhar-mais-e-fingir-menos\/","title":{"rendered":"Ministro manda m\u00e9dico trabalhar mais e fingir menos"},"content":{"rendered":"<p><strong>L\u00edgia Formenti e Carla Ara\u00fajo<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade vai usar a biometria para controlar a jornada de trabalho dos m\u00e9dicos que atuam na rede p\u00fablica. A ideia \u00e9 adotar o sistema em todas as unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade para acompanhar horas trabalhadas e, simultaneamente, criar um controle de produtividade, com metas de atendimento. &#8220;Vamos parar de fingir que a gente paga m\u00e9dicos, e o m\u00e9dico parar de fingir que trabalha. Isso n\u00e3o est\u00e1 ajudando a sa\u00fade do Brasil&#8221;, disse o ministro Ricardo Barros no lan\u00e7amento do programa, em que estava o presidente Michel Temer.<\/p>\n<p>As metas de produtividade ainda est\u00e3o discuss\u00e3o. O plano inicial \u00e9 estabelecer crit\u00e9rios de acordo com a atividade. Consultas, por exemplo, dever\u00e3o obedecer ao padr\u00e3o recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), e ter, no m\u00ednimo, 15 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Os crit\u00e9rios adotados de forma conjunta t\u00eam como objetivo evitar, por exemplo, que o profissional apresse o atendimento para ir embora mais cedo, informou Barros. &#8220;Um m\u00e9dico que tem quatro horas de jornada, por exemplo. Ele pode dedicar cinco minutos para cada paciente e ir embora. Temos de ter uma m\u00e9dia de desempenho.&#8221; Aqueles que n\u00e3o cumprirem a jornada de trabalho estar\u00e3o sujeitos a processo administrativo.<\/p>\n<p>A biometria integra uma das pol\u00edticas ditas por Barros como priorit\u00e1rias de sua gest\u00e3o: a informatiza\u00e7\u00e3o do SUS. Para tentar acelerar esse processo, a pasta dever\u00e1 arcar com 50% dos gastos de prefeituras com a contrata\u00e7\u00e3o de empresas de inform\u00e1tica. A meta \u00e9 de que todas as unidades b\u00e1sicas estejam informatizadas at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o soube informar quantos servi\u00e7os contam atualmente com biometria. Experi\u00eancias foram relatadas em Goi\u00e2nia, Macei\u00f3 e na cidade paranaense de Pinhais. De acordo com Barros, onde o sistema j\u00e1 est\u00e1 em funcionamento metade dos m\u00e9dicos pede demiss\u00e3o. &#8220;Eles t\u00eam v\u00e1rios trabalhos e acabam abandonando o servi\u00e7o quando h\u00e1 maior controle da jornada&#8221;, disse. De acordo com Barros, a m\u00e9dia de comparecimento de m\u00e9dicos identificada at\u00e9 o momento \u00e9 de 30%. &#8220;Isso vai mudar com a biometria.&#8221;<\/p>\n<p>Ele disse ainda que a jornada de trabalho desrespeitada acaba criando uma sobrecarga de demanda em hospitais. &#8220;L\u00e1 o paciente sabe que vai encontrar m\u00e9dico.&#8221; Ele admitiu, no entanto, que a simples ado\u00e7\u00e3o da biometria n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para reduzir vazios assistenciais. Assim que profissionais come\u00e7arem a pedir demiss\u00e3o para fugir de maior controle, prefeituras ter\u00e3o de ofertar sal\u00e1rios mais atraentes &#8211; isso explicaria a frase: &#8220;a gente finge que paga&#8221;.<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00e3o. O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou as declara\u00e7\u00f5es como pejorativas, inadequadas e reflexo da incapacidade de autoridades em responder \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o. A Federa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira atribuiu as cr\u00edticas ao &#8220;desespero de tentar salvar um governo afundado em den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB) cobrou retrata\u00e7\u00e3o e disse que o &#8220;ministro mostra absoluta falta de conhecimento sobre funcionamento e entraves do sistema&#8221;. Na mesma linha, Lav\u00ednio Nilton Camarim, presidente do Conselho Regional de Medicina de S\u00e3o Paulo (Cremesp), destacou que no interior &#8220;profissionais t\u00eam tido a toler\u00e2ncia de ficar at\u00e9 quatro meses sem remunera\u00e7\u00e3o&#8221; e o governo tenta passar para os m\u00e9dicos &#8220;a responsabilidade de um mau atendimento&#8221;.<\/p>\n<p>Para o presidente do CFM, Carlos Vital, as afirma\u00e7\u00f5es de Barros s\u00e3o lastim\u00e1veis. &#8220;N\u00e3o \u00e9 justo com a classe m\u00e9dica.&#8221;<\/p>\n<p>Vital disse n\u00e3o ser contr\u00e1rio \u00e0 ado\u00e7\u00e3o da biometria, mas observou que a medida, se de fato implementada, deveria valer para todos os funcion\u00e1rios. J\u00e1 a opini\u00e3o sobre as metas de produtividade, no entanto, n\u00e3o \u00e9 a mesma. &#8220;Profissionais t\u00eam responsabilidade. Eles sabem exatamente o que tem de ser feito, n\u00e3o se arriscam de forma a colocar em risco o paciente.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edgia Formenti e Carla Ara\u00fajo O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade vai usar a biometria para controlar a jornada de trabalho dos m\u00e9dicos que atuam na rede p\u00fablica. 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