{"id":144936,"date":"2017-07-17T14:12:07","date_gmt":"2017-07-17T17:12:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=144936"},"modified":"2017-07-17T17:12:53","modified_gmt":"2017-07-17T20:12:53","slug":"politica-do-pt-afastou-o-brasil-do-mercado-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/politica-do-pt-afastou-o-brasil-do-mercado-mundial\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica do PT afastou o Brasil do mercado mundial"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jamil Chade<\/strong><\/p>\n<p>A pol\u00edtica comercial adotada nos \u00faltimos anos, com desembolsos bilion\u00e1rios e isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, prejudicou a integra\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds no mercado internacional e criou distor\u00e7\u00f5es na competitividade da ind\u00fastria nacional. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) que, nesta segunda-feira, iniciou o principal exame da pol\u00edtica comercial do Pa\u00eds, num amplo raio-x de todos os setores da economia.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o conclui que o mercado nacional ainda \u00e9 &#8220;relativamente fechado&#8221;, que os produtos industrializados n\u00e3o conseguem competir no exterior, que a prote\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas locais minou a economia e que hoje o Pa\u00eds tem um papel &#8220;marginal&#8221; no com\u00e9rcio de manufaturados.<\/p>\n<p>No BNDES, os cr\u00e9ditos triplicaram em dez anos e chegaram a R$ 602 bilh\u00f5es entre 2013 e 2016. De acordo com a OMC, um dos principais trabalhos do banco foi o de oferecer taxas de juros bem abaixo do mercado, usando o Tesouro para cobrir a diferen\u00e7a. Apenas entre 2013 e 2015, o BNDES gastou mais de R$ 194 bilh\u00f5es nesses esquemas, o que despertou a desconfian\u00e7a de diversos governos de que isso possa ser um subs\u00eddio proibido. Mesmo em seu informe, a OMC insinua que os cr\u00e9ditos do BNDES foram concedidos a taxas muito abaixo dos juros cobrados no mercado.<\/p>\n<p>&#8220;O objetivo de longa data do Brasil consiste em proteger certos produtos nacionais frente \u00e0 concorr\u00eancia do exterior e atrair investimentos&#8221;, apontou a OMC. Para isso, o governo tem usado medidas de prote\u00e7\u00e3o, combinando tarifas, incentivos tribut\u00e1rios com &#8220;prov\u00e1veis efeitos de distor\u00e7\u00e3o&#8221;. As medidas ainda incluem exig\u00eancias de que empresas utilizem pe\u00e7as nacionais, a concess\u00e3o de taxa de juros controlada e cr\u00e9ditos subsidiados. Algumas j\u00e1 foram at\u00e9 mesmo condenadas nos tribunais da OMC, depois que foram denunciadas por europeus e japoneses.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com a entidade, o maior perdedor \u00e9 mesmo o Pa\u00eds. Tais medidas &#8220;afetam a economia e suas perspectivas&#8221;. &#8220;Como resultado, o Brasil segue sendo uma economia relativamente fechada, como demonstra sua escassa penetra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio internacional&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da entidade, ao optar por uma estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional, o Brasil abriu m\u00e3o de uma &#8220;integra\u00e7\u00e3o no mercado internacional que fomente a competitividade&#8221; e das &#8220;cadeias internacionais de valor&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A interven\u00e7\u00e3o do governo por meio de concess\u00e3o de ajudas internas e na fronteira segue distorcendo a concorr\u00eancia e, portanto, o destino de recursos em diversos setores&#8221;, avalia a OMC. &#8220;Algumas atividades seguem estando marcadas pela concentra\u00e7\u00e3o do mercado, a posi\u00e7\u00e3o dominante do estado ou outras defici\u00eancias estruturais que limitam a competitividade&#8221;, disse.<\/p>\n<p><b>Prote\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>A estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria nacional consistiu em dois elementos. O primeiro foi a eleva\u00e7\u00e3o de taxas nas fronteiras contra importados. Oficialmente, o imposto de importa\u00e7\u00f5es ficou praticamente inalterado, passando de 11,7% para 11,6%. Mas uma escalada tarif\u00e1ria foi registrada em produtos acabados, o que levou a OMC a alertar que a pr\u00e1tica &#8220;desincentiva a melhoria da competitividade internacional&#8221;. Produtos t\u00eaxteis e carros podem chegar a ter tarifas de 35%.<\/p>\n<p>Mas foram as medidas antidumping quer serviram para frear importa\u00e7\u00f5es. Ao final de 2016, 161 delas estavam em vigor, duas vezes mais que em 2012. O que tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, em 44 casos, as barreiras j\u00e1 se prolongavam por mais de cinco anos.<\/p>\n<p>As barreiras, por\u00e9m, s\u00e3o completadas por um amplo sistema de incentivos fiscais para ind\u00fastrias nacionais, al\u00e9m de um regime tribut\u00e1rio excessivamente complexo, em especial para os importadores.<\/p>\n<p>De acordo com a entidade, por\u00e9m, o custo fiscal da pol\u00edtica industrial do Brasil indica que o setor nacional, no lugar de melhorar sua competitividade internacional, passou a depender cada vez mais de incentivos.<\/p>\n<p>A OMC admite que algumas das vantagens fiscais ainda foram criadas para compensar o complexo sistema tribut\u00e1rio do Brasil. Mas a generosidade de algumas dessas linhas de cr\u00e9ditos chamou a aten\u00e7\u00e3o. No caso do BNDES, 63% dos desembolsos realizados estavam sujeitos a juros iguais ou inferiores a 5%, muito abaixo das taxas da infla\u00e7\u00e3o anual&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m segue-se dando ajuda interna na forma de incentivos tribut\u00e1rios e, em especial, empr\u00e9stimos com taxas de juros administradas ou em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, subs\u00eddios de aluguel ou prefer\u00eancias na contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, destaca a OMC.<\/p>\n<p>Outra pol\u00edtica adotada pelo Brasil foi a de exigir um determinado conte\u00fado nacional na fabrica\u00e7\u00e3o de certos bens para garantir incentivos fiscais. O esquema, por\u00e9m, &#8220;protegeria os produtores nacionais da concorr\u00eancia estrangeira&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos setores beneficiado foi o da ind\u00fastria de carros. Para gerar uma maior produ\u00e7\u00e3o nacional e incentivar o desenvolvimento tecnol\u00f3gico, foi criado o Inovar-Auto. Hoje, o setor enfrenta &#8220;graves dificuldades&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a an\u00e1lise da OMC, o Inovar-Auto conseguiu atrair investimentos diretos por empresas que queriam driblar as tarifas de importa\u00e7\u00e3o. De fato, companhias como BMW, Hyundai, Kia Motors e Chery investiram no Brasil, enquanto Jaguar Land Rover e a JAC Motors tem planos de montar f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com o documento, o esquema estabelecido pelo governo de incentivo fiscal a quem produzisse no Pa\u00eds n\u00e3o integrou o mercado brasileiro ao mundial. &#8220;A maioria dos produtores estrangeiros n\u00e3o integrou suas f\u00e1bricas que mant\u00e9m no Brasil \u00e0s cadeias internacionais de valor&#8221;, apontou a entidade, apontando para uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica ainda na importa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a produtividade das f\u00e1bricas caiu abaixo da m\u00e9dia da regi\u00e3o que, por sua vez, est\u00e3o &#8220;plenamente integradas \u00e0 cadeia mundial&#8221;. No M\u00e9xico, por exemplo, cada f\u00e1brica produz 53 unidades por ano por trabalhador. No Brasil, s\u00e3o apenas 27.<\/p>\n<p>Diante da recess\u00e3o dom\u00e9stica, a venda de ve\u00edculos no mercado local caiu de 3,8 milh\u00f5es de unidades em 2012 para apenas 2 milh\u00f5es em 2016. Mas a falta de uma maior concorr\u00eancia tamb\u00e9m prejudica o consumidor. &#8220;Os altos impostos, a falta de concorr\u00eancia e a prote\u00e7\u00e3o nas fronteiras seguem mantendo o pre\u00e7o dos carros relativamente elevado&#8221;, constatou.<\/p>\n<p>Outro setor que contou com incentivos foi o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Mas, entre 2013 e 2016, o setor mais din\u00e2mico da economia mundial registrou uma queda em seu peso no PIB brasileiro, passando de 2,95% para 2,6%. No mesmo per\u00edodo, o emprego tamb\u00e9m caiu de 134 mil trabalhadores para 90 mil.<\/p>\n<p><b>Desindustrializa\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Apesar de barreiras e de incentivos \u00e0s ind\u00fastrias nacionais, a OMC constata que o setor manufatureiro brasileiro encolheu nos \u00faltimos quatro anos. &#8220;Apesar de alguns setores estarem prosperando, outros afrontam dificuldades em parte devido a n\u00e3o estar suficientemente integrados \u00e0 economia mundial&#8221;, alertou a OMC. Entre 2012 e 2016, o valor agregado da ind\u00fastria no Brasil passou de 12,6% para 11,7%, empregando tamb\u00e9m um n\u00famero menor de trabalhadores.<\/p>\n<p>Nem mesmo as Zonas Francas estariam dando o resultado esperado. Em 2013, elas empregariam em m\u00e9dia 121 mil pessoas. Em 2016, esse n\u00famero caiu para 85 mil.<\/p>\n<p>De acordo com a OMC, o crescente d\u00e9ficit comercial no setor industrial levou o governo a adotar estrat\u00e9gias como Plano Brasil Maior, com taxas de juros favor\u00e1veis, cr\u00e9ditos e privil\u00e9gios em licita\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de incentivos fiscais e barreiras aduaneiras. Ainda assim, a OMC aponta que &#8220;dificuldades estruturais continuam afetando a competitividade internacional da ind\u00fastria brasileira e algumas reformas poderiam impulsionar o setor&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um baixo n\u00edvel de integra\u00e7\u00e3o, o setor industrial precisa enfrentar altos custos de produ\u00e7\u00e3o, burocracia, infraestrutura deficiente, falta de concorr\u00eancia e um sistema tribut\u00e1rio complexo. &#8220;Um conjunto de dificuldades que da lugar ao chamado Custo Brasil e que coloca um freio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional, que n\u00e3o se beneficiou o suficiente das ten\u00eancias mundiais&#8221;, destacou.<\/p>\n<p><b>Fechado &#8211;\u00a0<\/b>O resultado das escolhas comerciais do Brasil levou a OMC a concluir que a economia brasileira continua orientada ao mercado interno. &#8220;A propor\u00e7\u00e3o de empresas brasileiras que se dedicam \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 consideravelmente reduzida, o que indica uma escassa integra\u00e7\u00e3o \u00e0s cadeias internacionais de valor&#8221;, alertou a entidade.<\/p>\n<p>De acordo com a OMC, recai sobre um pequeno numero de empresas uma propor\u00e7\u00e3o enorme das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. &#8220;Ao proteger o mercado nacional, o Brasil reduz os incentivos para aumentar a efici\u00eancia e qualidade ou diferencia\u00e7\u00e3o dos produtos, ao mesmo tempo que impede que produtores nacionais recorram aos fornecedores de insumos que ofere\u00e7am pre\u00e7o mais baixo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Como consequ\u00eancia, as manufaturas brasileiras seguem sendo pouco competitivas e sua participa\u00e7\u00e3o no mercado continua pequena, o que deixa o Brasil em um plano marginal no com\u00e9rcio internacional de bens industriais&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>Para a OMC, o Pa\u00eds ainda tem uma &#8220;rede relativamente modesta de acordos comerciais e sofre de defici\u00eancias estruturais, como infraestrutura f\u00edsica insuficiente, acesso limitado ao capital e n\u00edveis de qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra geralmente baixos&#8221;. De acordo com a avalia\u00e7\u00e3o da entidade, o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o e a qualidade da escola prim\u00e1ria est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, diante da recess\u00e3o, O Brasil ainda registrou uma contra\u00e7\u00e3o importante no volume de seu com\u00e9rcio, com uma queda anual de 12,3% entre 2014 e 2016. O resultado foi que, em 2016, o valor das exporta\u00e7\u00f5es estava a 76% do valor de 2012. O valor das importa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m terminou o per\u00edodo avaliado em 61% do que foi em 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jamil Chade A pol\u00edtica comercial adotada nos \u00faltimos anos, com desembolsos bilion\u00e1rios e isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, prejudicou a integra\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds no mercado internacional e criou distor\u00e7\u00f5es na competitividade da ind\u00fastria nacional. 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