{"id":145211,"date":"2017-07-20T12:17:49","date_gmt":"2017-07-20T15:17:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=145211"},"modified":"2017-07-26T11:13:25","modified_gmt":"2017-07-26T14:13:25","slug":"brasil-vira-referencia-na-producao-de-uvas-sem-sementes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-vira-referencia-na-producao-de-uvas-sem-sementes\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds vira refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de uvas sem sementes"},"content":{"rendered":"<p><strong>Letycia Bond<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) em Bento Gon\u00e7alves (RS) avan\u00e7aram na explora\u00e7\u00e3o de estruturas moleculares que, se alteradas, facilitam a produ\u00e7\u00e3o de uvas sem semente. Chamada de uva apir\u00eanica de mesa, essa variedade difere da esp\u00e9cie vin\u00edfera, adequada para a fabrica\u00e7\u00e3o de vinhos finos.<\/p>\n<p>A estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Jaiana Malabarba \u00e9 uma das autoras de um artigo, publicado no Journal of Experimental Botany, da Universidade de Oxford, que foi fundamental para os trabalhos da equipe do Centro Nacional de Pesquisa de Uva e Vinho, coordenado pelo pesquisador Lu\u00eds Fernando Revers.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram o gene VviAGL11 de duas uvas: a Chardonnay e a Sultanina, que n\u00e3o possui sementes e tamb\u00e9m recebe o nome de Thompson Seedless. A Sultanina \u00e9 a respons\u00e1vel por originar a maioria das varia\u00e7\u00f5es de uvas de mesa comercializadas.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dez anos de investiga\u00e7\u00e3o, existiam hip\u00f3teses sobre a forma\u00e7\u00e3o da semente na uva, mas n\u00e3o comprova\u00e7\u00f5es. N\u00f3s n\u00e3o inventamos a roda. O que nossa equipe conseguiu fazer foi uma estrat\u00e9gia de investiga\u00e7\u00e3o que comprovou que o gene \u00e9 importante para a forma\u00e7\u00e3o da semente. Nas videiras com fruto normal, quando a baga da uva est\u00e1 do tamanho de uma ervilha, a camada ao redor da semente cresce e endurece. Quando o gene n\u00e3o funciona, o rudimento da semente para de crescer&#8221;, resumiu Revers.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dominar as diferen\u00e7as gen\u00e9ticas entre o gene que comp\u00f5e a fruta com semente e o da fruta sem semente, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 repassar os resultados ao setor de melhoramento da Embrapa, para que elaborem ferramentas de biotecnologia.<\/p>\n<p>\u201cAgora a gente vai usar o conhecimento que utilizou para entender o processo, no desenvolvimento de novas produ\u00e7\u00f5es de novas cultivares de uvas [uvas melhoradas a partir de uma interfer\u00eancia do ser humano], para ter um cultivo mais acelerado. Usar essas caracter\u00edsticas para fazer cruzamentos e ter uma produ\u00e7\u00e3o antecipada, uma planta com bases em testes de DNA\u201d, disse Revers.<\/p>\n<p>O estudo foi desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade de S\u00e3o Paulo e apresentou, al\u00e9m das an\u00e1lises moleculares e gen\u00e9ticas, fotos e ilustra\u00e7\u00f5es. \u201cEsse conjunto de provas foi aceito pelos editores da revista e deu essa repercuss\u00e3o\u201d, comentou o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico &#8211;<\/strong> Revers tem se debru\u00e7ado sobre o tema desde 2004, quando passou a contar com o aux\u00edlio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e, posteriormente, da Embrapa. Na primeira etapa do estudo, encerrada em 2007, ele e dois estudantes contavam com um aporte de R$ 90 mil, divididos em dois projetos.<\/p>\n<p>O ingresso de Jaiana na Embrapa marcou a retomada de Revers nas investiga\u00e7\u00f5es, h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos. Para essa etapa, os cientistas contaram com R$ 50 mil.<\/p>\n<p>De acordo com a Embrapa, os primeiros registros brasileiros de aprimoramento gen\u00e9tico datam do final do s\u00e9culo 19, mas somente em 1940 essa pr\u00e1tica passou a ser desenvolvida por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. O estado de S\u00e3o Paulo foi o primeiro, seguido pelo Rio Grande do Sul. A Embrapa Uva e Vinho re\u00fane, em Bento Gon\u00e7alves (RS), 166 colaboradores, dos quais 41 s\u00e3o pesquisadores.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em abril deste ano o Rio Grande do Sul concentrava 71,8% de toda \u00e1rea destinada ao cultivo de uvas no pa\u00eds. Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2016, houve expans\u00e3o de 8,7% da \u00e1rea plantada e de 115,2% na produ\u00e7\u00e3o, que atingiu 890 mil toneladas em abril de 2017.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), citada pela equipe no artigo, mostra que, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o mercado internacional de uvas de mesa tem crescido cerca de 26% a cada ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Letycia Bond Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) em Bento Gon\u00e7alves (RS) avan\u00e7aram na explora\u00e7\u00e3o de estruturas moleculares que, se alteradas, facilitam a produ\u00e7\u00e3o de uvas sem semente. Chamada de uva apir\u00eanica de mesa, essa variedade difere da esp\u00e9cie vin\u00edfera, adequada para a fabrica\u00e7\u00e3o de vinhos finos. 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