{"id":145531,"date":"2017-07-22T10:48:10","date_gmt":"2017-07-22T13:48:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=145531"},"modified":"2017-07-22T11:03:38","modified_gmt":"2017-07-22T14:03:38","slug":"producao-de-croche-entra-na-rotina-de-presidiarios-paulistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/producao-de-croche-entra-na-rotina-de-presidiarios-paulistas\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o de croch\u00ea entra na rotina de presidi\u00e1rios paulistas"},"content":{"rendered":"<p><strong>J\u00falia Marques<\/strong><\/p>\n<p>Anderson Figueredo se lembra bem de quando, h\u00e1 um ano e meio, um professor chegou \u00e0 cadeia com a sacola recheada de linhas e agulhas. Naquela \u00e9poca, ele n\u00e3o poderia imaginar como as suas m\u00e3os, que colaboraram com o tr\u00e1fico de drogas, pudessem servir \u00e0 arte. &#8220;Foi muito esquisito&#8221;, conta o ex-preso, de 34 anos, sobre a primeira experi\u00eancia com o croch\u00ea, quando ainda estava na pris\u00e3o, em Guarulhos, na Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O professor era Gustavo Silvestre, um designer e artes\u00e3o de 39 anos que teve a ideia de ensinar a t\u00e9cnica a uma turma de presos &#8211; todos homens. &#8220;Com o croch\u00ea, voc\u00ea v\u00ea seu tempo se materializar e virar alguma coisa. Pensei: isso \u00e9 muito legal para os caras que est\u00e3o no pres\u00eddio e t\u00eam tempo dispon\u00edvel. &#8220;A ideia ganhou corpo no Projeto Ponto Firme, que, em dois anos de exist\u00eancia, j\u00e1 formou cerca de cem alunos na cadeia. E continua. Todas as quartas-feiras, Silvestre vai \u00e0 penitenci\u00e1ria, onde passa tr\u00eas horas ensinando a costura aos detentos.<\/p>\n<p>No fim de cada m\u00f3dulo, os presos recebem certificado e, a cada 12 horas de aula, t\u00eam um dia de redu\u00e7\u00e3o da pena. &#8220;\u00c9 muito legal ver essa for\u00e7a masculina em algo que foi tachado como feminino&#8221;, diz o artes\u00e3o. O gosto dos presos pela arte nem sempre \u00e9 instant\u00e2neo. &#8220;Vou falar a verdade. Quando come\u00e7aram as aulas, eu n\u00e3o tinha interesse nenhum. N\u00e3o sabia nem por onde come\u00e7ar&#8221;, conta Figueredo. Mas a pr\u00e1tica construiu, aos poucos, a intimidade com as agulhas.<\/p>\n<p>&#8220;O Gustavo foi mostrando algumas coisas que se pode fazer e fui me interessando e at\u00e9 gostando.&#8221; No in\u00edcio, segundo Figueredo, os colegas de pris\u00e3o achavam gra\u00e7a da atividade. &#8220;Depois o pessoal come\u00e7ou a ver que estava ajudando a cadeia toda, porque mostrou que tinha gente ali que queria se regenerar de verdade.&#8221;<\/p>\n<p>Para Silvestre, a arte tem ainda o potencial de integr\u00e1-los. &#8220;Uma coisa linda do processo \u00e9 que eles v\u00e3o ensinando os outros, v\u00e3o se organizando.&#8221; Fora das aulas, os presos tamb\u00e9m podem exercitar a t\u00e9cnica, com kits deixados pelo professor. Recome\u00e7o. Pai de dois filhos &#8211; um de 11 anos e uma de 9 -, Figueredo conta que o croch\u00ea o ajudou a passar pelo encarceramento. &#8220;Mostrou outros rumos, que a gente pode ter chance de recome\u00e7o. Percebi o quanto estava perdendo.&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser solto, h\u00e1 quatro meses, Figueredo procurou Silvestre &#8211; dessa vez para uma parceria: o ex-preso ajuda o &#8220;professor&#8221; em um trabalho art\u00edstico de cobrir pedras com os tecidos. O designer quer agora garantir, por novos projetos, que os presos que deixam a cadeia tenham chance de reinser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reconquistar a confian\u00e7a dos outros \u00e9 um dos desafios de Figueredo, que, al\u00e9m do croch\u00ea, faz &#8220;bicos&#8221; e sonha em ter seu neg\u00f3cio no artesanato. O duplo preconceito &#8211; com o seu passado, na penitenci\u00e1ria, e o presente, em meios \u00e0s agulhas &#8211; n\u00e3o o intimida. &#8220;N\u00e3o ligo para nada. O mais importante eu tenho: a minha liberdade.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00falia Marques Anderson Figueredo se lembra bem de quando, h\u00e1 um ano e meio, um professor chegou \u00e0 cadeia com a sacola recheada de linhas e agulhas. 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