{"id":146217,"date":"2017-07-26T09:48:56","date_gmt":"2017-07-26T12:48:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=146217"},"modified":"2017-07-26T11:00:50","modified_gmt":"2017-07-26T14:00:50","slug":"anima-mundi-leva-para-as-telas-obras-de-ushev","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/anima-mundi-leva-para-as-telas-obras-de-ushev\/","title":{"rendered":"Anima Mundi leva para as telas obras do cineasta Ushev"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pedro Antunes<\/strong><\/p>\n<p>Vaysha era cega, mas conseguia enxergar. Nasceu com uma habilidade rara: o olho esquerdo, verde, enxergava o passado; o direito, castanho, via o futuro. Em um passado medieval dist\u00f3pico, Vaysha era tratada por bruxas e curandeiras. Em v\u00e3o. Tinha, \u00e0 sua frente, o passado e o futuro. Um homem que estivesse diante dela seria enxergado como um anci\u00e3o e um beb\u00ea. Para ela, o presente n\u00e3o existia.<\/p>\n<p>&#8220;Queria criar uma hist\u00f3ria que contasse, e de alguma forma l\u00fadica, o que estamos vivendo hoje&#8221;, explica Theodore Ushev, o diretor e animador de Blind Vaysha, um curta-metragem que precisa de oito minutos para fazer o espectador, do outro lado da tela, pensar por horas. &#8220;Perceba como deixamos de viver o presente? Temos a nostalgia do passado, temos medo do que vir\u00e1 com o futuro. Perdemos a capacidade de viver o que est\u00e1 diante de n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p>Ushev, um b\u00falgaro residente em Montreal, no Canad\u00e1, tem a met\u00e1fora a seu favor. Sua Vaysha, uma adapta\u00e7\u00e3o de um roteiro do tamb\u00e9m b\u00falgaro Georgi Gospodinov, \u00e9 a met\u00e1fora perfeita para o presente. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a anima\u00e7\u00e3o, que parece tirada de telas de pinturas r\u00fasticas, gastas pelo tempo e de tra\u00e7os tortos, foi selecionada entre os indicados do Oscar deste ano na categoria de melhor curta animado.<\/p>\n<p>Em um quarto de hotel localizado na zona sul de S\u00e3o Paulo, Ushev divaga entre quais museus e galerias de arte da cidade visitar\u00e1 durante a passagem de tr\u00eas dias por aqui. O b\u00falgaro \u00e9 um dos destaques da programa\u00e7\u00e3o da 25.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Anima Mundi, festival de anima\u00e7\u00e3o cuja vers\u00e3o paulistana se inicia a partir desta quarta-feira, 26. Ser\u00e3o, at\u00e9 domingo, exibidos 470 filmes de diferentes formatos e dura\u00e7\u00f5es, vindos de 45 pa\u00edses.<\/p>\n<p>As sess\u00f5es ocorrem no Caixa Belas Artes, Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural S\u00e3o Paulo, Cinemateca Brasileira, Circuito Spcine e Senac, com ingressos cujo valor n\u00e3o ultrapassa os R$ 10. Al\u00e9m disso, diretores de alguns dos curtas ter\u00e3o a chance de bater um papo com o p\u00fablico interessado em suas obras e vis\u00f5es de mundo. Ushev, presente na semana passada na edi\u00e7\u00e3o carioca do Anima Mundi, lembra-se emocionado com a lota\u00e7\u00e3o da sala onde estava para conversar. &#8220;Era um p\u00fablico muito interessado e interativo. Quando percebemos, est\u00e1vamos falando de pol\u00edtica. Foi muito emocionante.&#8221;<\/p>\n<p>Ushev comanda um papo com o p\u00fablico paulistano no CCSP nesta quarta, 26, a partir das 20h. Ele entende que a anima\u00e7\u00e3o \u00e9 a arte do s\u00e9culo 21. &#8220;Assim como o cinema foi a arte do s\u00e9culo 20, o teatro do s\u00e9culo 19, a \u00f3pera para o s\u00e9culo 18&#8221;, ele diz. &#8220;At\u00e9 mesmo filmes de a\u00e7\u00e3o, bem grandes, usam muita parte de anima\u00e7\u00e3o. Vivemos em um mundo falso. De falso governo, falsa comida. Diante disso, a anima\u00e7\u00e3o parece estar, cada vez mais, se aproximando da realidade. Ela parece ser mais real do que o mundo em que vivemos.&#8221;<\/p>\n<p>E o caminho a ser tra\u00e7ado pela anima\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, diz o cineasta, \u00e9 justamente o encontro entre o nosso mundo e aquele criado a partir da tela em branco, com o desenvolvimento do uso de realidade virtual. &#8220;Esse, para mim, \u00e9 o futuro&#8221;, ele diz.<\/p>\n<p>Concorda com o colega o animador e quadrinista Robert Valley, tamb\u00e9m do Canad\u00e1, outro destaque da programa\u00e7\u00e3o paulistana do Anima Mundi. &#8220;Em todos os lugares que vou, essa \u00e9 a tend\u00eancia. \u00c9 o trem que todos querem buscar atualmente, sem d\u00favida.&#8221; Valley tamb\u00e9m esteve entre os indicados para o Oscar deste ano na categoria de melhor curta animado e, assim como Ushev, est\u00e1 na programa\u00e7\u00e3o do festival: o papo ocorre no CCSP, na quinta, 27, \u00e0s 18h.<\/p>\n<p>Seu trabalho tamb\u00e9m parte de algo autoral. No caso de Pear Cider and Cigarettes, contudo, ele tem seu in\u00edcio no que ele viveu. A trama conta, em primeira pessoa, como se o espectador estivesse nos olhos de Valley, a jornada de Techno, um amigo com uma capacidade de se autodestruir e juntar os cacos, aos poucos. &#8220;Eu sempre busquei a minha independ\u00eancia&#8221;, diz ele, que trabalhou em HQs e nos times de outros diretores &#8211; ele ajudou a criar o mais recente clipe da banda fict\u00edcia Gorillaz, como parte da equipe de James Fawcett, o criador do quarteto animado. &#8220;Minha busca \u00e9 por alguma coisa que passe por mim, que tenha a minha vis\u00e3o de mundo, que tenha subvers\u00e3o e algum humor.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Antunes Vaysha era cega, mas conseguia enxergar. Nasceu com uma habilidade rara: o olho esquerdo, verde, enxergava o passado; o direito, castanho, via o futuro. Em um passado medieval dist\u00f3pico, Vaysha era tratada por bruxas e curandeiras. 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