{"id":147747,"date":"2017-08-04T16:11:38","date_gmt":"2017-08-04T19:11:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=147747"},"modified":"2017-08-04T17:25:36","modified_gmt":"2017-08-04T20:25:36","slug":"a-espera-acabou-paralamas-lanca-disco-apos-8-anos-de-pausa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-espera-acabou-paralamas-lanca-disco-apos-8-anos-de-pausa\/","title":{"rendered":"A espera acabou. Paralamas lan\u00e7a disco ap\u00f3s 8 anos de pausa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Adriana Del R\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Se o mundo precisa de um pouco de otimismo, o novo disco da banda Os Paralamas do Sucesso, Sinais do Sim, come\u00e7a nessa sintonia. Logo na primeira faixa, que d\u00e1 nome ao trabalho &#8211; com letra de Herbert Vianna e m\u00fasica dele, Bi Ribeiro e Jo\u00e3o Barone -, Herbert canta: &#8220;Eu\/Sei que teu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 meu\/Que algo em mim te convenceu\/De que o melhor est\u00e1 por vir&#8221;. Desde o \u00faltimo \u00e1lbum de est\u00fadio do grupo lan\u00e7ado em 2009, o Brasil Afora, muita \u00e1gua correu por baixo da ponte &#8211; no Brasil e no planeta. Para o grupo, esse intervalo entre os dois discos foi um per\u00edodo tamb\u00e9m de revisitar antigos sucessos no show de 30 anos de carreira e ainda num projeto em formato power trio.<\/p>\n<p>Abrir o disco dessa forma n\u00e3o foi algo t\u00e3o consciente assim, admite o trio, em entrevista \u00e0 reportagem, no est\u00fadio do baterista Jo\u00e3o Barone, no Rio, mesmo porque o modus operandi deles durante a sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas para um \u00e1lbum segue um caminho mais solto, org\u00e2nico. &#8220;Quando a gente viu, essa m\u00fasica (a Sinais do Sim) estava mais representativa do que a gente estava fazendo. \u00c9 tamb\u00e9m o trio ali na sua ess\u00eancia, e ela meio que explica um pouco o resto do trabalho, um pouco do conceito de a gente estar ainda querendo assunto para gravar o 13\u00ba disco depois de 34 anos de estrada&#8221;, explica Barone. &#8220;Essa ideia meio otimista \u00e9 um contraponto do momento em que a gente vive atualmente tanto no Brasil quanto no mundo. A gente est\u00e1 vendo um monte de retrocesso. E at\u00e9 no Brasil mesmo essa situa\u00e7\u00e3o toda seja talvez uma depura\u00e7\u00e3o pela qual a gente esteja passando para poder se sair melhor do outro lado.&#8221;<\/p>\n<p>Sinais do Sim chega \u00e0s lojas nesta sexta, 4. E essa atmosfera na abertura do disco n\u00e3o aponta necessariamente a toada tem\u00e1tica que o \u00e1lbum segue. Pelo contr\u00e1rio. Na m\u00fasica Itaquaquecetuba, por exemplo, Herbert ativa suas mem\u00f3rias de crian\u00e7a. &#8220;Na minha inf\u00e2ncia, eu morava em Bras\u00edlia e, quando eu tinha 7 anos, meu pai, que era da For\u00e7a A\u00e9rea, foi transferido. A\u00ed a gente tinha apostas da nossa turminha, de quem conseguia falar o nome da cidade para a qual a gente foi: Guaratinguet\u00e1. Na escola, a professora falou do nome de uma cidade mais longo que a nossa: Itaquaquecetuba. Isso soava como um sino na minha lembran\u00e7a&#8221;, conta Herbert, vocalista e guitarrista da banda, que assina a faixa com o baixista Bi Ribeiro e Barone.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m as can\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas &#8211; um tra\u00e7o forte do letrista Herbert em toda a obra da banda &#8211; como Teu Olhar e Sempre Assim, numa levada reggae, que fala do amor, mas tamb\u00e9m soa como um lamento, fechando o disco. Ali\u00e1s, das 11 faixas de Sinais do Sim, tr\u00eas delas n\u00e3o s\u00e3o assinadas pelos Paralamas. Prova de que Herbert continua a compor intensamente. E que o trio ainda acolhe os compositores de fora. &#8220;Essas m\u00fasicas que n\u00e3o s\u00e3o nossas, mas, quando a gente grava, s\u00e3o verdadeiras para n\u00f3s. A gente incorpora&#8221;, diz Bi. Como a \u00f3tima Medo do Medo, da rapper portuguesa Capicua em parceria com Jo\u00e3o Ruas. Apresentada a eles por Hermano Vianna, irm\u00e3o de Herbert, a can\u00e7\u00e3o, originalmente um rap, ganhou novo arranjo. &#8220;Ouve o que te digo\/Vou te contar um segredo\/\u00c9 muito lucrativo\/Que o mundo tenha medo&#8221;, diz um trecho<\/p>\n<p>&#8220;Fala do oportunismo em cima do medo. Na hora em que a sociedade n\u00e3o tiver medo das coisas, as coisas v\u00e3o mudar, porque voc\u00ea vai contestar tudo. A gente n\u00e3o quer esse oportunismo, n\u00e3o quer a corrup\u00e7\u00e3o, a mentira como arma pol\u00edtica&#8221;, comenta Barone. A m\u00fasica se mant\u00e9m contundente na vers\u00e3o dos Paralamas, e a sonoridade ganha refor\u00e7o dos efeitos de Kassin, com um desfecho que remete ao Radiohead.<\/p>\n<p>De Nando Reis, eles receberam N\u00e3o Posso Mais, em voz e viol\u00e3o, ap\u00f3s o ex-Tit\u00e3 saber que a banda estava se dedicando ao novo trabalho. &#8220;Ele a entregou num formato bastante embrion\u00e1rio&#8221;, afirma Barone. E foi adaptada tamb\u00e9m ao formato &#8216;paral\u00e2mico&#8217;. &#8220;O Nando \u00e9 muito amigo da gente, e ele \u00e9 uma refer\u00eancia como uma inspira\u00e7\u00e3o e um talento que causam admira\u00e7\u00e3o. E ele, por conta pr\u00f3pria, trazer uma can\u00e7\u00e3o foi uma alegria grande&#8221;, diz Herbert<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que Herbert tamb\u00e9m gosta de cantar em outros idiomas. No novo trabalho, em ingl\u00eas, ele interpreta a bela m\u00fasica Blow The Wind, de sua autoria, &#8220;um pedido de socorro, uma tentativa de ora\u00e7\u00e3o&#8221;, explica o pr\u00f3prio vocalista. E, em castelhano, em Cuando Pase el Temblor, de Gustavo Cerati, um dos grandes sucessos da banda argentina Soda Stereo, com uma releitura diferente da original. \u00c9 a segunda m\u00fasica da trupe argentina que os Paralamas gravam.<\/p>\n<p>Sinais do Sim tem produ\u00e7\u00e3o de Mario Caldato Jr., com quem eles nunca tinham trabalhado. O brasileiro Caldato j\u00e1 trabalhou com grandes nomes da m\u00fasica, de Na\u00e7\u00e3o Zumbi a Beastie Boys. A sonoridade dos Paralamas foi preservada no disco &#8211; no rock, nas baladas, na forma\u00e7\u00e3o em trio, na presen\u00e7a dos metais -, mas eles queriam esse olhar de fora. &#8220;A gente gravou o disco no Brasil no in\u00edcio do ano, no Rio. Nessa \u00e9poca, Caldato estava se mudando pra Los Angeles. Ele mixou o disco no est\u00fadio dele l\u00e1, o Bi acompanhou o come\u00e7o da mixagem l\u00e1, e a gente meio que deu uma carta branca para ele experimentar, e potencializar tudo o que ele achasse de bom para as m\u00fasicas depois desse processo de gravar&#8221;, conta Barone. &#8220;Ele aprontou umas surpresas \u00f3timas para a gente, fez umas percuss\u00f5es, alguns vocais. E outra coisa que foi uma surpresa incr\u00edvel foi que ele chamou o Rodrigo Amarante, que fez uns vocais, botou umas vozes meio misteriosas. Ele pediu para n\u00e3o ser creditado, mas a gente agradeceu, porque a gente adorou.&#8221;<\/p>\n<p>Sinais do Sim ser\u00e1 mote de uma nova turn\u00ea, que tem in\u00edcio em 30 de setembro, em Curitiba, e passar\u00e1 por S\u00e3o Paulo no dia 7 de outubro. &#8220;Se a gente quisesse fazer s\u00f3 shows com m\u00fasicas conhecidas, a gente faria&#8221;, comenta Barone. &#8220;Mas a gente tem uma certa ambi\u00e7\u00e3o art\u00edstica de tentar vir com alguma coisa nova que seja significativa ao menos para a gente. Como \u00e9 o caso de agora&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Del R\u00e9 Se o mundo precisa de um pouco de otimismo, o novo disco da banda Os Paralamas do Sucesso, Sinais do Sim, come\u00e7a nessa sintonia. 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