{"id":147882,"date":"2017-08-06T08:28:18","date_gmt":"2017-08-06T11:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=147882"},"modified":"2017-08-06T09:21:31","modified_gmt":"2017-08-06T12:21:31","slug":"amarelo-como-ouro-milho-mostra-caminho-da-mina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/amarelo-como-ouro-milho-mostra-caminho-da-mina\/","title":{"rendered":"Amarelo como ouro, milho mostra o caminho da mina"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Cristiane Barbieri<\/strong><\/h6>\n<h6 class=\"Assina\">A chamada safrinha cresceu, foi batendo recordes, tornou-se uma supersafra que, pela primeira vez, beirou os 100 milh\u00f5es de toneladas de milho. S\u00e3o tantos gr\u00e3os que, quando se anda pelas principais regi\u00f5es produtoras do Mato Grosso, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o encontr\u00e1-los armazenados ao ar livre ou em silo bags &#8211; sacos feitos de um pl\u00e1stico especial &#8211; com at\u00e9 90 metros de comprimento, nos quais o cereal pode ficar guardado por at\u00e9 um ano.<\/h6>\n<p>O cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 novo, mas em Lucas do Rio Verde (MT), ele come\u00e7a a mudar. Seis quil\u00f4metro depois da Preciosa, a est\u00e1tua de uma galinha de 10 metros de altura, no trevo da rodovia MT-449 com a avenida da F\u00e9, dever\u00e1 ser inaugurada esta semana a primeira usina de etanol feito exclusivamente de milho do Brasil, a FS Bioenergia. At\u00e9 ent\u00e3o, o etanol de milho produzido no Pa\u00eds sa\u00eda de usinas flex, que fabricam tanto etanol de cana, quanto do gr\u00e3o.<\/p>\n<p>A f\u00e1brica da FS \u00e9 apenas a primeira, do que promete se tornar uma alternativa importante para o beneficiamento e o escoamento de safras que tendem a ficar maiores. &#8220;Para n\u00f3s, \u00e9 \u00f3timo&#8221;, diz Elso Pozzobon, 62 anos de idade, produtor e vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT). &#8220;Ainda temos potencial de produzir muito mais milho na regi\u00e3o, sobretudo com o ganho de produtividade trazido pela integra\u00e7\u00e3o de culturas.&#8221;<\/p>\n<p><b>Investimento estrangeiro &#8211;\u00a0<\/b>Joint venture entre a brasileira Fiagril e a gestora americana Summit Agricultural Group, a FS Bioenergia recebeu investimentos de R$ 450 milh\u00f5es para ser erguida. Prevista para ser inaugurada na sexta-feira, ela produzir\u00e1 180 mil toneladas de farelo, 6 mil toneladas de \u00f3leo de milho e energia. Al\u00e9m, \u00e9 claro, do etanol. Inicialmente ser\u00e3o 240 milh\u00f5es de litros por ano, que consumir\u00e3o 600 mil toneladas de milho. Essa capacidade pode ser duplicada.<\/p>\n<p>Pouco, para as quase 30 milh\u00f5es de toneladas produzidas apenas no Mato Grosso. Mas \u00e9 expectativa \u00e9 que ela n\u00e3o seja a \u00fanica da FS Bioenergia &#8211; e muito provavelmente, nem de outros investidores interessados nesse tipo de combust\u00edvel. Al\u00e9m da usina em Lucas do Rio Verde, a FS estaria planejando mais duas unidades, sendo que uma delas uma ficaria em Sinop (MT), de acordo com os produtores da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios agricultores tamb\u00e9m est\u00e3o come\u00e7ando a estudar a possibilidade de se organizar para beneficiar o milho. &#8220;Temos discutido a viabilidade de investir numa usina, em nossa cooperativa&#8221;, afirma Pozzobon.<\/p>\n<p>Essas iniciativas esparsas de empreendedores, por\u00e9m, devem ganhar uma dimens\u00e3o maior com as perspectivas criadas com o RenovaBio. O programa pretende aumentar a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis para atingir as metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de poluentes, estabelecidas pela COP-21. Primeira iniciativa que juntou os minist\u00e9rios da Agricultura, Energia e Meio Ambiente, o RenovaBio j\u00e1 passou por consulta p\u00fablica e espera defini\u00e7\u00f5es do governo. N\u00e3o h\u00e1 uma previs\u00e3o de data de lan\u00e7amento.<\/p>\n<p><b>Outro patamar &#8211;\u00a0<\/b>&#8220;Enquanto n\u00e3o houver um marco regulat\u00f3rio que estabele\u00e7a para onde vai a pol\u00edtica energ\u00e9tica, a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o (do etanol de milho) ser\u00e1 localizada e feita por iniciativas individuais&#8221;, diz Marlon Arraes Jardim, coordenador geral do departamento de biocombust\u00edveis do Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME). &#8220;Estamos exatamente discutindo essa pol\u00edtica, para dar previsibilidade ao produtor, \u00e0 ind\u00fastria e ao investidor.&#8221;<\/p>\n<p>Dar tamb\u00e9m uma perspectiva de ganho de escala, al\u00e9m de outros est\u00edmulos para a realiza\u00e7\u00e3o de investimentos. Dever\u00e3o ser estabelecidos benef\u00edcios para os empreendimentos que tiverem menor pegada de carbono, ligados a instrumentos financeiros, ainda em discuss\u00e3o. Segundo Jardim, n\u00e3o est\u00e3o previstos subs\u00eddios governamentais para o projeto.<\/p>\n<p>&#8220;O RenovaBio n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem da mat\u00e9ria-prima ou ao produto: se ele for biocombust\u00edvel e tiver baixa pegada de carbono participar\u00e1 do programa&#8221;, diz ele. Quanto menor essa pegada, maior ser\u00e1 esse benef\u00edcio ainda em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que o etanol de milho na composi\u00e7\u00e3o da oferta ser\u00e1 inexor\u00e1vel&#8221;, afirma Jardim. &#8220;Ao contr\u00e1rio da cana, o milho pode ser estocado e h\u00e1 uma boa brecha para que esse tipo de combust\u00edvel ganhe mercado na entressafra.&#8221;<\/p>\n<p>Uma boa not\u00edcia para os produtores, j\u00e1 que a supersafra de 100 milh\u00f5es dever\u00e1 parecer pequena, no m\u00e9dio prazo. &#8220;Entre seis a oito anos, a expectativa \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o chegue a 200 milh\u00f5es de toneladas&#8221;, diz Pl\u00ednio Nastari, presidente da consultoria Datagro. &#8220;O pre\u00e7o na origem vai continuar baixo, criando uma grande oportunidade para o beneficiamento.&#8221;<\/p>\n<p>Nas proje\u00e7\u00f5es da Datagro, a produ\u00e7\u00e3o de etanol de milho, que na safra de 2015\/2016 foi de 141 milh\u00f5es de litros, chegar\u00e1 a 750 milh\u00f5es de litros na colheita de 2018\/2019. Pouqu\u00edssimo, quando comparado aos 24,7 bilh\u00f5es de litros de etanol de cana de a\u00e7\u00facar que devem ser produzidos na safra de 2017\/2018, segundo a \u00danica, entidade que representa os produtores. Mas a tend\u00eancia \u00e9 de alta<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que puder ser transformado em produto acabado ser\u00e1 uma boa sa\u00edda&#8221;, diz Carlos Simon, 54 anos, produtor e presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde. &#8220;A produ\u00e7\u00e3o tem crescido tanto que o pre\u00e7o s\u00f3 tem melhorado gra\u00e7as aos leil\u00f5es do governo &#8221;<\/p>\n<p><b>Cortes &#8211;\u00a0<\/b>Exatamente por isso, os agricultores t\u00eam trabalhado para diminuir a produ\u00e7\u00e3o no curto prazo. Segundo Pozzobon, a ideia \u00e9 incentivar que os produtores a usar apenas as melhores \u00e1reas de suas propriedades e deixar sem cultivo as partes dos terrenos que precisam de mais investimento em aduba\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o de solo<\/p>\n<p>Quando as usinas de etanol de milho tornarem-se uma realidade, por\u00e9m, ele poder\u00e3o se beneficiar de ainda mais uma vantagem. Como na FS, elas tamb\u00e9m poder\u00e3o produzir o DDGS, sigla em ingl\u00eas para gr\u00e3os secos por destila\u00e7\u00e3o. Com alto teor de prote\u00edna, esse subproduto beneficiado do gr\u00e3o \u00e9 usado para ra\u00e7\u00e3o animal e tende a criar uma oportunidade de diversifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Procuradas, a JS Bioenergia, a Summit Agricultural Group e a ICM, fornecedora dos equipamentos da f\u00e1brica, n\u00e3o concederam entrevista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cristiane Barbieri A chamada safrinha cresceu, foi batendo recordes, tornou-se uma supersafra que, pela primeira vez, beirou os 100 milh\u00f5es de toneladas de milho. 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