{"id":147954,"date":"2017-08-07T07:59:38","date_gmt":"2017-08-07T10:59:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=147954"},"modified":"2017-08-07T08:05:41","modified_gmt":"2017-08-07T11:05:41","slug":"investimentos-de-primeiro-mundo-para-cidades-provincianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/investimentos-de-primeiro-mundo-para-cidades-provincianas\/","title":{"rendered":"Investimentos de Primeiro Mundo para cidades provincianas"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Ren\u00e9e Pereira<\/strong><\/h6>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre investimentos bilion\u00e1rios, d\u00edvida alta e uma expectativa de demanda que nem de longe se confirmou jogou os aeroportos licitados entre 2011 e 2013 numa grave crise financeira. Um levantamento com base em informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac), mostra que, em m\u00e9dia, a demanda de passageiros est\u00e1 quase 30% abaixo do que era projetado na \u00e9poca dos leil\u00f5es. Na pr\u00e1tica, isso representa uma frustra\u00e7\u00e3o de demanda que somava 32 milh\u00f5es de passageiros no ano passado e que n\u00e3o viraram receita para as concession\u00e1rias.<\/p>\n<p>Hoje os seis aeroportos concedidos &#8211; Guarulhos (SP), Viracopos (SP), Bras\u00edlia (DF), Gale\u00e3o (RJ), Confins (MG) e Natal (RN) &#8211; convivem com a ociosidade. Em alguns casos, esse indicador beira os 80%, como \u00e9 o caso de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Em Viracopos, Confins e Gale\u00e3o, a ociosidade supera os 50%. O cen\u00e1rio \u00e9 dif\u00edcil at\u00e9 mesmo nos dois maiores aeroportos do Pa\u00eds. Em Guarulhos, os investimentos elevaram a capacidade para 50 milh\u00f5es de passageiros, mas a movimenta\u00e7\u00e3o foi de 36 milh\u00f5es no ano passado; em Bras\u00edlia, a capacidade \u00e9 de 25 milh\u00f5es para 18 milh\u00f5es de passageiros.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que o cen\u00e1rio atual de demanda n\u00e3o era esperado nem no pior dos mundos. Na \u00e9poca dos leil\u00f5es, o ambiente era de forte crescimento da economia, com as fam\u00edlias viajando cada vez mais de avi\u00e3o dentro e fora do Pa\u00eds. Pouco tempo antes, o Brasil havia enfrentado o chamado &#8220;caos a\u00e9reo&#8221;, que revelou a car\u00eancia de investimentos no setor e abriu espa\u00e7o para a entrada da iniciativa privada. Nos leil\u00f5es, o governo aproveitou para exigir pesadas quantias para modernizar e ampliar os terminais nacionais, e os investidores entraram no jogo, oferecendo \u00e1gios bilion\u00e1rios pelas concess\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m podia imaginar que o buraco seria t\u00e3o grande&#8221;, afirma Allemander Pereira, ex-diretor da Anac. Com a forte recess\u00e3o econ\u00f4mica, a curva projetada foi ficando mais distante da realidade vivida nos aeroportos. As receitas ca\u00edram e provocaram um descompasso entre o caixa e as obriga\u00e7\u00f5es das concession\u00e1rias<\/p>\n<p>Nos leil\u00f5es de licita\u00e7\u00e3o, os vencedores jogaram alto para arrematar as concess\u00f5es e aceitaram pagar outorgas bilion\u00e1rias ao governo. Teve \u00e1gio de at\u00e9 673%, como foi o caso do Aeroporto de Bras\u00edlia. No Gale\u00e3o, a oferta foi menor, de 294%, mas o grupo se comprometeu a pagar R$ 19 bilh\u00f5es, divididos em 24 anos, \u00e0 Uni\u00e3o. Mas, com a mudan\u00e7a do cen\u00e1rio econ\u00f4mico, esses compromissos ficaram pesados demais para o tamanho do neg\u00f3cio. O resultado foi que quase todas as concession\u00e1rias atrasaram o pagamento da outorga por falta de caixa. Outras preferiram fazer o dep\u00f3sito em ju\u00edzo at\u00e9 que algumas pend\u00eancias sejam avaliadas pela Anac.<\/p>\n<p><b>Devolu\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Nesse ambiente, a concession\u00e1ria de Viracopos, cuja movimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 quase 40% abaixo da projetada na \u00e9poca do leil\u00e3o, iniciou um processo de relicita\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o, ou seja, vai devolver o ativo ao governo para ser leiloado novamente. Com um s\u00f3cio envolvido na Lava Jato e em recupera\u00e7\u00e3o judicial (a UTC), outro em recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial (a Triunfo) e com problemas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), a concession\u00e1ria ficou sem caixa para pagar a outorga de 2016, de R$ 178 milh\u00f5es &#8211; a Anac executou o seguro-garantia do aeroporto<\/p>\n<p>O Aeroporto do Gale\u00e3o passou pelos mesmos problemas, mas conseguiu resolver os percal\u00e7os, pelo menos, por enquanto. A chinesa HNA, s\u00f3cia da Azul, comprou a participa\u00e7\u00e3o da Odebrecht no grupo e aportou recursos para honrar os compromissos atrasados. A concession\u00e1ria ficou alguns meses sem pagar a outorga de mais R$ 1 bilh\u00e3o ao governo, mas acertou um acordo para o reperfilamento das parcelas. &#8220;Os s\u00f3cios colocaram mais dinheiro e, assim, vamos antecipar o pagamento da outorga, que soma mais de R$ 3,5 bilh\u00f5es&#8221;, afirma o presidente da Riogale\u00e3o, Luiz Rocha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ren\u00e9e Pereira A combina\u00e7\u00e3o entre investimentos bilion\u00e1rios, d\u00edvida alta e uma expectativa de demanda que nem de longe se confirmou jogou os aeroportos licitados entre 2011 e 2013 numa grave crise financeira. 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