{"id":148592,"date":"2017-08-11T00:43:57","date_gmt":"2017-08-11T03:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=148592"},"modified":"2017-08-11T10:46:59","modified_gmt":"2017-08-11T13:46:59","slug":"sociedade-socorre-governo-falido-e-paga-conserto-de-viaturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sociedade-socorre-governo-falido-e-paga-conserto-de-viaturas\/","title":{"rendered":"Sociedade socorre governo falido e paga conserto de viaturas"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Felipe Resk e Marco Ant\u00f4nio Carvalho<\/strong><\/h6>\n<p>Foi com o esp\u00edrito de &#8220;ajudar o Pa\u00eds&#8221; que o mec\u00e2nico Ant\u00f4nio Raimundo do Nascimento, de 40 anos, recebeu em sua oficina, na Rua Martins Fontes, no centro de S\u00e3o Paulo, uma viatura da Pol\u00edcia Militar que patrulha o bairro. O carro precisava de uma bateria nova e o servi\u00e7o \u00e9 justamente a especialidade do estabelecimento, que tem largura pouco maior que a de um carro popular.<\/p>\n<p>&#8220;A pol\u00edcia tinha de ter como consertar porque a gente paga imposto para isso. Mas se todo mundo cruzar os bra\u00e7os nada vai para frente&#8221;, diz o mec\u00e2nico, que doou uma bateria de R$ 300 sem esperar retorno da promessa que ouviu dos policiais em seguida. &#8220;Se chegar uma nova no batalh\u00e3o, a gente vem aqui e devolve essa &#8221; A troca ocorreu em janeiro. Depois, Toninho, como \u00e9 conhecido, nunca mais viu os agentes.<\/p>\n<p>Segundo conta, recebe com frequ\u00eancia policiais civis que trabalham perto e pedem uma ajuda de carga na bateria dos ve\u00edculos. Perto dali, no restaurante onde Francisco Aires, de 29 anos, \u00e9 gerente, tamb\u00e9m \u00e9 comum ceder marmitas para os agentes mais antigos na regi\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma parceria em que \u00e9 bom t\u00ea-los por perto&#8221;, afirma. &#8220;Outros, que n\u00e3o conhecemos, pegam, mas pagam.&#8221;<\/p>\n<p>Para garantir o patrulhamento nas ruas, moradores de S\u00e3o Paulo t\u00eam se mobilizado para pagar alimenta\u00e7\u00e3o de agentes, consertar viaturas quebradas e at\u00e9 fazer reparos em pr\u00e9dios da pol\u00edcia, em um contexto de alta de crimes patrimoniais, como roubos e furtos O cen\u00e1rio se torna mais comum em meio a uma queda de 9,5% nos valores executados do or\u00e7amento previsto para custeio da Pol\u00edcia Civil &#8211; de R$ 182 milh\u00f5es no primeiro semestre de 2016 para R$ 165 milh\u00f5es neste ano &#8211; e mesmo com o crescimento das verbas para a PM, que teve R$ 371 milh\u00f5es para custeio neste ano, ante R$ 334 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>Segundo o presidente do Conselho de Seguran\u00e7a (Conseg) do Portal do Morumbi, na zona sul, \u00e9 comum que moradores banquem consertos de ve\u00edculos, como troca de embreagem e bateria. &#8220;A gente n\u00e3o deixa viatura quebrada. Mando consertar at\u00e9 as mais velhinhas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na Rua David Pimentel, por exemplo, onde os muros altos encobrem as fachadas de casas de luxo, h\u00e1 seguran\u00e7as particulares, cercas el\u00e9tricas e c\u00e2meras apontando para todos os lados &#8211; mesmo assim, a Pol\u00edcia Militar patrulha a \u00e1rea tr\u00eas vezes por dia. A proximidade com as favelas de Parais\u00f3polis e do Real Parque, dizem os moradores, faz com que a via sirva de rota de fuga para assaltantes que passam, em duplas, de moto. &#8220;J\u00e1 presenciei uns tr\u00eas assaltos, fora o que a gente fica sabendo quando quebram o vidro de um carro ou levam a bolsa de algu\u00e9m&#8221;, afirma a empregada dom\u00e9stica Maria Roseli Vieri, de 50 anos.<\/p>\n<p>Em uma planilha com os crimes da regi\u00e3o, no entanto, Cavallini aponta a situa\u00e7\u00e3o melhor do bairro. &#8220;Eu somo os \u00edndices da capital e dividido por 93 delegacias. Em m\u00e9dia, no primeiro semestre, foram 2.645 ocorr\u00eancias na cidade&#8221;, diz ele, ao aprovar o trabalho realizado pelos comandos policiais da sua \u00e1rea. &#8220;No 89.\u00ba DP (Portal do Morumbi), tivemos 1.819, ou seja 31% menos&#8221;, comemora.<\/p>\n<p><b>Inseguran\u00e7a<\/b><\/p>\n<p>No centro, o 4\u00ba DP (Consola\u00e7\u00e3o) tem comportamento bem diferente. Os roubos pularam de 1.142 para 1.630 neste ano, uma alta de 42,7%. Na mesma regi\u00e3o, o 77.\u00ba DP (Santa Cec\u00edlia) registrou aumento de 25% dos assaltos, com 901 casos em 2017, ante 721 no ano passado. &#8220;Est\u00e1 dif\u00edcil. A sociedade tem de se mobilizar para ajudar os policiais ou a gente fica \u00e0 merc\u00ea dos bandidos&#8221;, afirma Francisco Machado, diretor do Conseg Santa Cec\u00edlia. &#8220;H\u00e1 um problema em comum para todas as regi\u00f5es: a falta de verba de manuten\u00e7\u00e3o para material da PM e de pessoal para a Pol\u00edcia Civil&#8221;, diz Marta Porta, que preside o Conseg Consola\u00e7\u00e3o. &#8220;A gente compra pneu para viatura e at\u00e9 troca luz apagada dos pr\u00e9dios da pol\u00edcia. Tira do bolso e leva.&#8221;<\/p>\n<p>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores e Comerciantes dos Campos El\u00edsios, Antonio I\u00e9zio diz que chegou a pagar a um encanador para arrumar o sistema hidr\u00e1ulico da sede da 2\u00aa Companhia do 13 \u00ba Batalh\u00e3o. J\u00e1 a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP) disse, em nota, que o dispositivo foi &#8220;devidamente consertado com apoio da Sabesp&#8221;.<\/p>\n<p>A reportagem do Estado questionou a SSP sobre eventuais restri\u00e7\u00f5es a colabora\u00e7\u00f5es da comunidade a equipamentos e estruturas das pol\u00edcias, e sobre a eventual exist\u00eancia de um procedimento padr\u00e3o para recebimento desses aux\u00edlios, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>Em nota, a pasta se limitou a dizer que custeio, manuten\u00e7\u00e3o, reformas e zeladoria das instala\u00e7\u00f5es e ve\u00edculos da PM s\u00e3o realizados por meio de verba p\u00fablica espec\u00edfica. Para exemplificar, a secretaria disse que foram emitidas 128 ordens de servi\u00e7o para manuten\u00e7\u00e3o de viaturas da 2.\u00aa Companhia do 16\u00ba Batalh\u00e3o da PM (Morumbi). De acordo com a pasta, o custo foi de R$ 97.123,71.<\/p>\n<p>Sobre o or\u00e7amento, a secretaria destacou que os dados da reportagem consideram contratos j\u00e1 celebrados (liquidados), &#8220;no entanto, n\u00e3o leva em conta que no mesmo per\u00edodo houve eleva\u00e7\u00e3o de 8% nos recursos empenhados pela Pol\u00edcia Civil&#8221;. &#8220;Vale ressaltar que j\u00e1 h\u00e1 complementa\u00e7\u00e3o aprovada de verba de R$ 4,1 milh\u00f5es para gastos de consumo.&#8221;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o divide especialistas. &#8220;A companhia fica devendo o favor, mesmo que isso ocorra implicitamente muitas vezes. Nunca d\u00e1 para atender a todas as ocorr\u00eancias, ent\u00e3o talvez haja prefer\u00eancias, levando a problemas no servi\u00e7o&#8221;, diz o cientista pol\u00edtico Guaracy Mingardi.<\/p>\n<p>Ex-comandante da PM, o coronel Carlos Alberto Camargo sustenta que, para al\u00e9m da ajuda com materiais e servi\u00e7os, \u00e9 importante que a comunidade se envolva no policiamento para cada \u00e1rea. &#8220;Devemos buscar o empoderamento da comunidade para que haja uma colabora\u00e7\u00e3o efetiva, com informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rea, avalia\u00e7\u00e3o sobre a forma de abordagem e defini\u00e7\u00e3o de prioridades.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felipe Resk e Marco Ant\u00f4nio Carvalho Foi com o esp\u00edrito de &#8220;ajudar o Pa\u00eds&#8221; que o mec\u00e2nico Ant\u00f4nio Raimundo do Nascimento, de 40 anos, recebeu em sua oficina, na Rua Martins Fontes, no centro de S\u00e3o Paulo, uma viatura da Pol\u00edcia Militar que patrulha o bairro. 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