{"id":148856,"date":"2017-08-14T08:25:37","date_gmt":"2017-08-14T11:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=148856"},"modified":"2017-08-14T08:25:37","modified_gmt":"2017-08-14T11:25:37","slug":"sao-paulo-decide-enterrar-52-km-de-fios-que-cruzam-o-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sao-paulo-decide-enterrar-52-km-de-fios-que-cruzam-o-ceu\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo decide enterrar 52 km de fios que cruzam o c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\"><strong>Fabio Leite e Felipe Resk<\/strong><\/h6>\n<p>Ap\u00f3s anos de impasse entre a Prefeitura de S\u00e3o Paulo e a Eletropaulo, a gest\u00e3o do prefeito Jo\u00e3o Doria (PSDB) fechou um acordo no qual a concession\u00e1ria de energia el\u00e9trica e as empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o ficar\u00e3o encarregadas de enterrar 52 quil\u00f4metros de fios de transmiss\u00e3o que cruzam o c\u00e9u da cidade e remover 2.019 postes das cal\u00e7adas da capital paulista.<\/p>\n<p>Em sua primeira fase, o novo plano de enterramento de fios de S\u00e3o Paulo, batizado por Doria de Cidade Linda Redes A\u00e9reas, vai limpar 117 ruas de sete distritos paulistanos da regi\u00e3o central: Consola\u00e7\u00e3o, Bela Vista, Rep\u00fablica, Santa Cec\u00edlia, Jardim Paulista, Bom Retiro e Br\u00e1s. Na maioria das vias, a Eletropaulo j\u00e1 enterrou sua fia\u00e7\u00e3o, mas restaram os cabos de telefonia, TV e internet e os postes. A previs\u00e3o \u00e9 concluir esse trecho at\u00e9 julho do ano que vem.<\/p>\n<p>O cronograma de execu\u00e7\u00e3o da rede subterr\u00e2nea envolve 12 conjuntos de ruas, come\u00e7ando pela Rua Jos\u00e9 Paulino, no Bom Retiro, e terminando na Alameda Santos, no Jardim Paulista. Os dutos com os cabos de telecomunica\u00e7\u00f5es e de empresas municipais, como da Companhia de Engenharia de Tr\u00e1fego (CET), ficar\u00e3o na mesma galeria j\u00e1 usada pela rede el\u00e9trica.<\/p>\n<p>As empresas de telefonia e internet, que hoje pagam aluguel para usar os postes da Eletropaulo, v\u00e3o bancar as obras de enterramento. O custo total ainda est\u00e1 sendo calculado. J\u00e1 a concession\u00e1ria de energia deve gastar R$ 6 milh\u00f5es para retirar os postes e reparar as cal\u00e7adas. Segundo a gest\u00e3o Doria, n\u00e3o haver\u00e1 custos para a Prefeitura.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o primeiro passo de uma maratona. Conseguimos superar os problemas que haviam e, por meio do di\u00e1logo, conseguimos encontrar viabilidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica para esse projeto, que vai mudar a cara da regi\u00e3o e auxiliar na requalifica\u00e7\u00e3o do centro&#8221;, disse Marcos Penido, secret\u00e1rio municipal de Servi\u00e7os e Obras.<\/p>\n<p>A meta estipulada pela gest\u00e3o Doria \u00e9 enterrar 100 km de fios por ano na cidade. A medida, uma das promessas de campanha do tucano, envolve uma longa batalha administrativa e jur\u00eddica entre a Prefeitura e a Eletropaulo. A concession\u00e1ria de energia \u00e9 respons\u00e1vel por 44 mil km de fios em sua \u00e1rea de concess\u00e3o na Grande S\u00e3o Paulo, dos quais s\u00f3 3 mil km s\u00e3o subterr\u00e2neos, e 1,2 milh\u00e3o de postes.<\/p>\n<p>Em 2005, o ent\u00e3o prefeito Jos\u00e9 Serra (PSDB) sancionou uma lei obrigando as concession\u00e1rias a enterrarem todos os cabos da cidade. Dez anos depois, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) publicou uma portaria exigindo que 250 km de fios fossem retirados dos postes a cada ano, medida que foi suspensa por uma liminar da Justi\u00e7a a pedido do sindicato das empresas do setor. Segundo a Eletropaulo, a meta custaria R$ 100 bilh\u00f5es e levaria 33 anos para ser cumprida, com impacto na conta de luz dos clientes.<\/p>\n<p>Agora, segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Prestadoras de Servi\u00e7os de Telecomunica\u00e7\u00f5es Competitivas (Telcomp), Jo\u00e3o Moura, o trabalho ser\u00e1 &#8220;gradativo&#8221; e o cronograma das pr\u00f3ximas fases, negociado com a Prefeitura. Ele disse que as empresas devem incluir na primeira etapa um trecho de quase 7 km na Vila Ol\u00edmpia, centro comercial e empresarial da zona sul.<\/p>\n<p>&#8220;Esses 59 km s\u00e3o o ponto de partida. Essas ruas v\u00e3o ficar como j\u00e1 \u00e9 hoje na Faria Lima e no Largo da Batata, onde fizemos todo enterramento em 2012, ou ao redor do est\u00e1dio do Corinthians, onde as obras vi\u00e1rias j\u00e1 foram feitas com o cabeamento subterr\u00e2neo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em uma das ruas da primeira fase do programa, a Ribeiro Lima, no Bom Retiro, o emaranhado de fios d\u00e1 na vista. &#8220;Recentemente pipocou tudo, ficamos um dia e meio sem luz. At\u00e9 fizeram a manuten\u00e7\u00e3o, mas os fios ficaram assim&#8221;, diz Adriana Almeida, de 47 anos, propriet\u00e1ria de um caf\u00e9, apontando para o poste. Sem energia, o estabelecimento manteve as portas fechadas. O preju\u00edzo calculado por ela, entre vendas que deixaram de ser feitas e salgados que acabaram indo para o lixo, foi de R$ 2,5 mil.<\/p>\n<p>Adriana v\u00ea a proposta com pondera\u00e7\u00e3o. Para ela, o enterramento deve ser bem estudado pela Prefeitura antes da sua instala\u00e7\u00e3o, para evitar que surjam outros problemas. &#8220;Aqui na frente h\u00e1 um buraco que sempre abre quando chove, j\u00e1 ficou do tamanho de uma cratera. A Prefeitura fecha, o buraco abre&#8221;, exemplifica. &#8220;\u00c9 preciso resolver a estrutura da rua antes. J\u00e1 pensou se abrem tudo e n\u00e3o conseguem fechar?&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o raro, pedestres param na Rua S\u00e3o Domingos, na Bela Vista, no centro, para fotografar um fio com mais de 30 pares de sapato pendurados. &#8220;Uma hora isso vai ceder ou dar um curto. \u00c9 um perigo&#8221;, reclama a cabeleireira Marinalva Santos, de 45 anos, dona de um sal\u00e3o na rua.<\/p>\n<p>Segundo Marinalva, \u00e9 comum andar por ali em meio a fios ca\u00eddos, muitos deles ap\u00f3s casos de furtos de cobre. &#8220;Voc\u00ea nunca sabe se \u00e9 de alta tens\u00e3o ou se n\u00e3o oferece risco. Fica todo mundo com medo&#8221;, diz a cabeleireira, que aprova o enterramento previsto para a rua. &#8220;Hoje \u00e9 feio, perigoso e atrapalha \u00e1rvore de crescer &#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 fant\u00e1stica&#8221;, concorda Valdir Damaceno, de 54 anos, dono de um bar na S\u00e3o Domingos. No in\u00edcio do ano, conta, um caminh\u00e3o passou pela rua e, alto demais, saiu arrastando os fios com ele. Foram tr\u00eas dias para consertar. &#8220;\u00c9 bom que, embaixo do ch\u00e3o, evita futuros problemas.&#8221;<\/p>\n<p>Fora da primeira etapa do projeto, a Rua Albion, na Lapa, zona oeste, est\u00e1 em uma regi\u00e3o castigada na \u00e9poca de chuva &#8211; em outubro de 2016, um homem de 23 anos morreu eletrocutado durante um temporal que atingiu S\u00e3o Paulo, derrubou \u00e1rvores e arrebentou a fia\u00e7\u00e3o. &#8220;Aqui, estoura transformador direto&#8221;, afirma Sidney Rocha, de 61 anos, funcion\u00e1rio de um estacionamento. &#8220;Quando chove, d\u00e1 medo porque as \u00e1rvores caem e podem sair derrubando tudo e pegar na gente.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Transtorno inevit\u00e1vel<\/strong><b> &#8211;\u00a0<\/b>Embora seja uma demanda antiga da cidade, o enterramento de fios na capital paulista vai causar transtornos para os paulistanos. As empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o afirmam que a substitui\u00e7\u00e3o da rede a\u00e9rea pela subterr\u00e2nea n\u00e3o deixar\u00e1 ningu\u00e9m sem sinal de internet, mas as valas que ser\u00e3o abertas em ruas e cal\u00e7adas vai atrapalhar o tr\u00e2nsito de ve\u00edculos e pedestres.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma cirurgia na cidade que tem de ser feita com muita calma porque n\u00e3o podemos interromper os servi\u00e7os e criar problemas para a popula\u00e7\u00e3o. Esse tipo de perturba\u00e7\u00e3o ser\u00e1 praticamente zero. Por outro lado, haver\u00e1 o transtorno da obra na rua, que \u00e9 inevit\u00e1vel&#8221;, disse Jo\u00e3o Moura, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Prestadoras de Servi\u00e7os de Telecomunica\u00e7\u00f5es Competitivas (Telcomp).<\/p>\n<p>Como a primeira fase do projeto est\u00e1 focada na regi\u00e3o central da capital, onde se concentram com\u00e9rcios e empresas, o in\u00edcio da maior parte das obras ser\u00e1 em janeiro, depois do per\u00edodo de festas e de fechamento de balan\u00e7o das firmas, de acordo com o presidente da Telcomp.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o obras em regi\u00f5es muitos densas, em resid\u00eancias, com\u00e9rcios, escrit\u00f3rios e tr\u00e1fego. N\u00e3o queremos prejudicar a atividade de ningu\u00e9m. Por isso vamos fazer com toda cautela poss\u00edvel&#8221;, afirmou Moura.<\/p>\n<p>O enterramento dos cabos de energia e telecomunica\u00e7\u00f5es d\u00e1 mais seguran\u00e7a \u00e0s redes, deixando-as menos expostas a intemp\u00e9ries como chuvas e vendavais, e acidentes. Sem falar, ainda, da vantagem est\u00e9tica que a medida proporciona.<\/p>\n<p>Na Rua Jos\u00e9 Paulino, no Bom Retiro, famosa pelas lojas de roupa, a fia\u00e7\u00e3o j\u00e1 fica sob o solo, o que \u00e9 comemorado por comerciantes &#8220;Ficou muito bom. A manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida e dificilmente fico sem luz&#8221;, diz a lojista Luana Pereira, de 32 anos. &#8220;\u00c9 muito melhor, tanto em termos de apar\u00eancia quanto de seguran\u00e7a.&#8221; J\u00e1 o franqueador de sorvetes naturais M\u00e1rcio Morgado, de 38 anos, que trabalha na Lapa, \u00e1rea que est\u00e1 fora da primeira fase do plano, torce para que o projeto chegue \u00e0 sua regi\u00e3o. &#8220;Quando os fios forem enterrados vai ficar perfeito.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabio Leite e Felipe Resk Ap\u00f3s anos de impasse entre a Prefeitura de S\u00e3o Paulo e a Eletropaulo, a gest\u00e3o do prefeito Jo\u00e3o Doria (PSDB) fechou um acordo no qual a concession\u00e1ria de energia el\u00e9trica e as empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o ficar\u00e3o encarregadas de enterrar 52 quil\u00f4metros de fios de transmiss\u00e3o que cruzam o c\u00e9u da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148857,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-148856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148856"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148856\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148858,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148856\/revisions\/148858"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}