{"id":149762,"date":"2017-08-19T00:05:40","date_gmt":"2017-08-19T03:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=149762"},"modified":"2017-08-21T10:37:32","modified_gmt":"2017-08-21T13:37:32","slug":"cordas-de-jimmy-dludlu-encantam-em-show-para-paulistanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cordas-de-jimmy-dludlu-encantam-em-show-para-paulistanos\/","title":{"rendered":"Cordas de Jimmy Dludlu encantam em show para paulistanos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Julio Maria<\/strong><\/p>\n<p>A ponta de baixo da \u00c1frica tem uma riqueza musical que Jimmy Dludlu conhece como poucos. Esse guitarrista de 51 anos nasceu em Maputo, Mo\u00e7ambique, e cresceu na vizinha Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul. J\u00e1 sabendo o que queria ser, influenciado por sete primos que o queriam ver com uma guitarra colada ao peito, seguiu por Botsuana, Nam\u00edbia e Suazil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Ficou quatro anos em Gana para aprender m\u00fasica tradicional e highlife, o g\u00eanero musical dos anos 20 que abriu as portas do continente para os elementos da m\u00fasica ocidental, e outros seis anos em Chicago, estudando jazz. Dludlu \u00e9 um especialista com uma rara vis\u00e3o, de dentro e de fora.<\/p>\n<p>O Jazz na F\u00e1brica, do Sesc Pompeia, o ter\u00e1 como uma das atra\u00e7\u00f5es neste fim de semana. \u00c9 precioso poder conhecer um homem de carga musical fora dos padr\u00f5es do que se aprende a ouvir como jazz. Sua guitarra n\u00e3o \u00e9 isolada. A viv\u00eancia pelos Estados Unidos lhe deu o sotaque de George Benson em improvisos do instrumento dobrados pela voz, mas as semelhan\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o muito al\u00e9m. Dludlu canta quase sempre em um dos 11 dialetos que sabe falar (feito normal para os povos daquelas regi\u00f5es) e faz incurs\u00f5es por ritmos africanos contagiantes.<\/p>\n<p>Quando ouve a compara\u00e7\u00e3o feita com Benson, ele sorri. &#8220;Eu comecei a tocar viola com 3 anos por causa de Benson e de Wes Montgomery. Essa express\u00e3o est\u00e1 em mim, bebi muito dessa fonte&#8221;, diz, usando o &#8220;viola&#8221; para se referir ao viol\u00e3o, no portugu\u00eas mo\u00e7ambicano. Ele se recorda de ter tido uma grande emo\u00e7\u00e3o em um festival de jazz dos anos 1990, quando tocou no mesmo palco do \u00eddolo.<\/p>\n<p>In The Groove, seu disco mais recente, \u00e9 de 2016 e deve guiar a maior parte da apresenta\u00e7\u00e3o. Ele faz jus ao nome em temas como Ha Deva e Masseva, com o ritmo africano dilu\u00eddo em um suingue r\u00edtmico funkeado e vibrante. O melhor e mais bem produzido de seus nove \u00e1lbuns (embora tenha sido Corners of My Soul, de 2006, o \u00e1lbum que lhe deu dois pr\u00eamios Sama, o Grammy sul-africano), faz uma homenagem \u00e0 m\u00fasica mo\u00e7ambicana, mas percebe-se ao mesmo tempo muita pegada jazz. Por muitos momentos, o show n\u00e3o \u00e9 de se ver sentado. &#8220;Assim como n\u00e3o tenho como repetir o dia de ontem, \u00e9 imposs\u00edvel fazer a mesma m\u00fasica do \u00e1lbum anterior&#8221;, diz, sobre o fato de seus discos terem sonoridades t\u00e3o surpreendentes de um para outro lan\u00e7amento. &#8220;Se fosse assim, com repeti\u00e7\u00f5es do que fizemos em outros discos, eu j\u00e1 estaria morto.&#8221;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da pouca presen\u00e7a de nomes novos da m\u00fasica africana no Brasil, ele diz que sempre teve informa\u00e7\u00e3o e conhecimento do que se passava no Brasil. Fala dos mais \u00f3bvios Tom Jobim, a quem chama de &#8220;Ant\u00f4nio Carlos&#8221;, Gilberto Gil, Djavan e Jo\u00e3o Bosco, mas lembra tamb\u00e9m do guitarrista Ricardo Silveira. &#8220;A lista \u00e9 grande, mas \u00e9 bom lembrar de que, quando ou\u00e7o m\u00fasica brasileira, estou sempre ouvindo m\u00fasica africana. Sem a \u00c1frica, a m\u00fasica ocidental n\u00e3o existiria.&#8221;<\/p>\n<p>Saber quem faz a nova m\u00fasica da \u00c1frica, no entanto, \u00e9 algo cada vez mais dif\u00edcil por causa das press\u00f5es do mercado de entretenimento. &#8220;Os produtores precisam trabalhar apenas os grandes nomes. S\u00e3o raros esses momentos em que somos chamados para fazer trabalhos como este, em S\u00e3o Paulo.&#8221; Esta \u00e9 a primeira vez que ele vem ao Brasil.<\/p>\n<p>Os mais recentes movimentos migrat\u00f3rios africanos, que j\u00e1 est\u00e3o sendo chamados como a &#8220;nova di\u00e1spora&#8221; depois do saque humano do continente promovido por colonizadores europeus desde o s\u00e9culo 15 at\u00e9 o final do s\u00e9culo 19, pode gerar, segundo Dludlu, novas for\u00e7as matrizes para a renova\u00e7\u00e3o da musicalidade africana no mundo.<\/p>\n<p>O fato de povos como nigerianos, ganenses, malineses e ugandenses estarem se espalhando por outros pa\u00edses, motivados ou n\u00e3o por conflitos, poder\u00e1 refletir, a m\u00e9dio prazo, na cultura local, algo que s\u00f3 ser\u00e1 mais vis\u00edvel assim que houver frutos da nova miscigena\u00e7\u00e3o e que a m\u00fasica for produzida por essa gera\u00e7\u00e3o. Angola e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo est\u00e3o entre os cinco pa\u00edses com maior n\u00famero de refugiados no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria A ponta de baixo da \u00c1frica tem uma riqueza musical que Jimmy Dludlu conhece como poucos. Esse guitarrista de 51 anos nasceu em Maputo, Mo\u00e7ambique, e cresceu na vizinha Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul. 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