{"id":149782,"date":"2017-08-20T09:45:38","date_gmt":"2017-08-20T12:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=149782"},"modified":"2017-08-20T10:41:24","modified_gmt":"2017-08-20T13:41:24","slug":"brasileiro-deve-estar-preparado-para-aumento-dos-impostos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiro-deve-estar-preparado-para-aumento-dos-impostos\/","title":{"rendered":"Brasileiro deve estar preparado para aumento dos impostos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cleide Silva<\/strong><\/p>\n<p>Na semana em que o governo reviu o rombo fiscal de R$ 139 bilh\u00f5es para R$ 159 bilh\u00f5es, o presidente do Insper e ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Marcos Lisboa, diz que, ao contr\u00e1rio do que muitos esperam, a medida n\u00e3o evitar\u00e1 alta de impostos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vamos escapar disso. Demoramos demais a fazer as reformas e vai faltar dinheiro para pol\u00edticas essenciais.&#8221; A seguir, trechos da entrevista.<\/p>\n<p><b>Como o sr. avalia a mudan\u00e7a na meta fiscal?<\/b><\/p>\n<p>Reflete a severidade da situa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. N\u00e3o foi uma surpresa. O preocupante \u00e9 que a causa dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o aumento recorrente das despesas obrigat\u00f3rias, por for\u00e7a de lei, como as regras de reajustes, que v\u00eam aumentando h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas nos governos federal e estaduais. Esse gasto cresce mais que o PIB h\u00e1 muito tempo. Esse imenso conjunto de leis e obriga\u00e7\u00f5es diz quanto e como gastar. Ou fazemos discuss\u00f5es profundas sobre reformas estruturais para interromper esse crescimento ou teremos aumentos recorrentes da carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p><b>De 2014 a 2020, vamos acumular um d\u00e9ficit de R$ 818 bilh\u00f5es. O que isso significa para o Pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p>Haver\u00e1 perda de espa\u00e7o para a pol\u00edtica p\u00fablica, para o investimento, car\u00eancia de recursos para \u00e1reas como ci\u00eancia e tecnologia, para programas sociais. Isso prejudica o Pa\u00eds e a volta do crescimento. Poderemos ver a falta de capacidade de aumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo, de fazer pol\u00edticas que s\u00e3o comezinhas em qualquer lugar porque acabou o dinheiro. O mesmo ocorre com governos estaduais. Sofrem funcion\u00e1rios, universidades e se espalha. Est\u00e1 no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bras\u00edlia. E outros Estados ter\u00e3o dificuldades.<\/p>\n<p><b>Como chegamos a esse ponto?<\/b><\/p>\n<p>Para al\u00e9m do problema estrutural, houve incont\u00e1veis erros de pol\u00edtica econ\u00f4mica. O governo anterior expandiu subs\u00eddios, desonera\u00e7\u00f5es, criou pol\u00edticas p\u00fablicas sem avaliar impactos. O atual, no ano passado, com a maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria e o maior desemprego desde os anos 70, concedeu aumento para servidores e agora tem de voltar atr\u00e1s. Al\u00e9m disso, errou na avalia\u00e7\u00e3o de como a economia ia se recuperar. E n\u00e3o errou sozinho, pois diversos economistas falavam em uma recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida. H\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o como se esperava. O governo errou, por fim, em se comunicar mal com a sociedade. Deveria ter explicado melhor sobre o tamanho do problema &#8211; por exemplo, sobre a Previd\u00eancia -, a necessidade de ajustes e como faz\u00ea-los.<\/p>\n<p><b>O que mais o governo poderia fazer para conter o rombo?<\/b><\/p>\n<p>Essa forma de tratar os problemas, um de cada vez, pode ter vantagens na execu\u00e7\u00e3o, mas perde na clareza. Por exemplo, quando se fala de Previd\u00eancia, assist\u00eancia social e dos servidores, n\u00e3o \u00e9 um tema s\u00f3. H\u00e1 leis espec\u00edficas, programas sociais que somam e alguns que fracassam. N\u00e3o seria a hora de fazer uma avalia\u00e7\u00e3o e terminar ou rever o que n\u00e3o funciona? Programas de incentivo a conte\u00fado nacional funcionam? Os setores que o governo apoiou mais fortemente no passado hoje est\u00e3o em grave dificuldade: \u00f3leo e g\u00e1s, ind\u00fastria naval, a interven\u00e7\u00e3o no setor el\u00e9trico. O governo passado atendeu a pedidos de diversos setores. O resultado \u00e9 a crise em que eles se encontram. Mas eles n\u00e3o podem reclamar muito porque s\u00e3o s\u00f3cios da culpa, foram c\u00famplices do projeto e o resultado a gente est\u00e1 assistindo.<\/p>\n<p><b>Elevar imposto \u00e9 uma sa\u00edda?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o vamos escapar disso. Demoramos demais para fazer as reformas E mesmo aumentando a meta faltar\u00e1 dinheiro para pol\u00edticas essenciais. Seria melhor que n\u00e3o fosse assim, mas \u00e9 o custo por demorarmos a reconhecer os problemas. Todos teremos de ir para o sacrif\u00edcio. Teremos de pagar mais imposto e trabalhar mais para nos aposentar. A quest\u00e3o \u00e9 como fazer o processo de maneira socialmente justa e equ\u00e2nime, tratando iguais como iguais e protegendo os vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>O sr. acha que a reforma da Previd\u00eancia vai avan\u00e7ar?<\/b><\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o aposentada cresce 3,5% ao ano. A que trabalha est\u00e1 crescendo 0,7% e em poucos anos vai parar de aumentar. A estimativa \u00e9 de que em tr\u00eas d\u00e9cadas haver\u00e1 6% a menos pessoas trabalhando e 250% a mais de pessoas recebendo benef\u00edcios da Previd\u00eancia. Um n\u00famero menor de trabalhadores vai sustentar um n\u00famero duas vezes e meia maior de aposentados. A reforma \u00e9 urgente.<\/p>\n<p><b>Por que h\u00e1 tanta resist\u00eancia?<\/b><\/p>\n<p>O que me surpreende \u00e9 como os grupos resistem em participar do sacrif\u00edcio para tirar o Pa\u00eds da crise. H\u00e1 uma s\u00e9rie de privil\u00e9gios disseminados na economia. Tem gente com acesso a cr\u00e9dito subsidiado do BNDES, que paga pouco imposto, que \u00e9 protegido da concorr\u00eancia externa. H\u00e1 pessoas que podem se aposentar mais cedo, que t\u00eam benef\u00edcios maiores, outras que pagam seu aluguel, sua educa\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 pessoas que, al\u00e9m do sal\u00e1rio, recebem aux\u00edlio-moradia. \u00c9 um pa\u00eds onde \u00e9 disseminada a meia-entrada. \u00c9 preciso ficar claro que, se preservar o privil\u00e9gio de A, os demais v\u00e3o pagar.<\/p>\n<p><b>A resist\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova taxa de juros do BNDES, a TLP, vai nessa mesma linha?<\/b><\/p>\n<p>V\u00e1rios grupos empresariais se manifestaram contra, ao mesmo tempo em que reclamam de aumento do imposto. Estamos numa crise fiscal, est\u00e1 faltando dinheiro para coisas essenciais, mas tem gente que n\u00e3o quer pagar mais imposto, n\u00e3o quer que tire o subs\u00eddio do BNDES. Conceder subs\u00eddios via BNDES \u00e0 empresa privada tira dinheiro do resto da sociedade.<\/p>\n<p><b>O pacote fiscal deve ser aprovado?<\/b><\/p>\n<p>Depende da capacidade do governo em prestar contas e explicar o planejamento fiscal. Boa not\u00edcia \u00e9 que acordou para o problema e come\u00e7a a enfrent\u00e1-lo. M\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que vai precisar de muito mais medidas para sairmos de onde estamos.<\/p>\n<p><b>Que cen\u00e1rio podemos esperar daqui para frente?<\/b><\/p>\n<p>Se iniciarmos a agenda fiscal e as reformas, poderemos come\u00e7ar uma agenda republicana de igualar as regras, reduzir distor\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muitas oportunidades de crescimento. H\u00e1 uma produtividade latente que pode crescer. A gente consegue construir um ambiente tribut\u00e1rio saud\u00e1vel, com impostos simples e claros e ter um per\u00edodo longo de crescimento. Ou podemos insistir nos erros do passado. Os anos 50 deram a crise dos anos 60. Os anos 70 deram a crise dos anos 80. Os \u00faltimos 10 anos deram a crise atual. Podemos repetir pela quarta vez o mesmo caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleide Silva Na semana em que o governo reviu o rombo fiscal de R$ 139 bilh\u00f5es para R$ 159 bilh\u00f5es, o presidente do Insper e ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Marcos Lisboa, diz que, ao contr\u00e1rio do que muitos esperam, a medida n\u00e3o evitar\u00e1 alta de impostos. &#8220;N\u00e3o vamos escapar disso. 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