{"id":149793,"date":"2017-08-20T10:09:45","date_gmt":"2017-08-20T13:09:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=149793"},"modified":"2017-08-21T10:36:03","modified_gmt":"2017-08-21T13:36:03","slug":"fuga-de-animais-vira-rotina-no-zoologico-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fuga-de-animais-vira-rotina-no-zoologico-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Fuga de animais vira rotina no zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marcelo Godoy<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 bichos que teimam em escapar. Todo mundo no Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo conhece uma hist\u00f3ria. Mas poucas foram as vezes que os funcion\u00e1rios dali tiveram de enfrentar uma emerg\u00eancia como a registrada em julho de 2016. Fazia frio no dia da fuga de macacos-prego-do-peito-amarelo da ilha em que vivem no lago principal do lugar.<\/p>\n<p>Quando perceberam a aproxima\u00e7\u00e3o dos tratadores, eles se jogaram na \u00e1gua e tentaram chegar \u00e0 margem do lago. Foi um Deus nos acuda. A debandada dos macacos est\u00e1 entre os 32 casos de animais que escaparam do isolamento, do recinto ou de ilha em 2016. Todos foram recapturados. S\u00e3o os macacos os principais fuj\u00f5es no zoo.<\/p>\n<p>Antes do epis\u00f3dio de 2016, o grande lago com suas sete ilhas havia registrado uma outra fuga espetacular. A \u00fanica testemunha que resta do fato \u00e9 Giulia, uma macaca-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus). Desde 1971 no zoo, ela viu um macaco-prego (Sapajus xanthosternos) que habitava uma por\u00e7\u00e3o de terra vizinha fazer seu plano. Observar o comportamento dos cisnes-pretos (Cygnus Atratus) foi tudo o que o bicho precisou fazer.<\/p>\n<p>As aves s\u00e3o as mais comuns do zoo &#8211; ao todo, existem 300 cisnes-pretos e cisnes-de-pesco\u00e7o-preto no grande lago, que abriga cerca de 600 das 1.590 aves que vivem no parque. Eles se aproximavam da ilha e seguiam, depois, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 margem do lago, perto dos recintos dos s\u00edmios &#8211; chimpanz\u00e9s, orangotangos e gib\u00f5es. O macaco-prego olhou, olhou e olhou.<\/p>\n<p>Repentinamente, pulou em um cisne preto e o usou como pedalinho para transport\u00e1-lo para a liberdade. Foi outro Deus nos acuda, mas o macaco acabou recapturado. Na \u00e9poca, o zoo n\u00e3o contava ainda com suas Equipes T\u00e1ticas de Capturas (Etac), o Bope do zool\u00f3gico. Formadas por at\u00e9 12 profissionais &#8211; incluindo dois atiradores, um de anest\u00e9sico e outro de abate -, elas s\u00e3o mobilizadas cada vez que um desses bichos foge. &#8220;Para cada grupo de animal existe uma norma&#8221;, afirmou a bi\u00f3loga Mara Cristina Marques, coordenadora das Etacs.<\/p>\n<p>Para o caso de o fugitivo ser predador perigoso &#8211; como le\u00f5es ou tigres -, a decis\u00e3o, normalmente, \u00e9 a do abate para proteger os visitantes. O mesmo se aplica \u00e0 \u00fanica ave do zoo que faz parte desse grupo. Trata-se da Casuar (Casuarius casuarius), um bicho de penas pretas e azuis vibrantes, com uma cabe\u00e7a em que a crista lembra a de um dinossauro. Ela vive na Papua-Nova Guin\u00e9 e tem garras afiad\u00edssima, como as do personagem Wolverine. Diante de uma amea\u00e7a, costuma dar saltos para atacar seu alvo com as garras. &#8220;Nunca um animal desse grupo escapou desde a cria\u00e7\u00e3o do zoo&#8221;, afirmou a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>Logo abaixo desse grupo, designado pela letra A, existe o B, que inclui grandes herb\u00edvoros, como as zebras-de-grevy ou de damara e o cervo-dama, que ainda podem apresentar risco para o p\u00fablico, mas de menor intensidade. E, por fim, h\u00e1 o grupo menos perigoso, o C. \u00c9 neste que se encontram os macacos-prego.<\/p>\n<p>Depois de escapar uma vez da ilha, foi necess\u00e1rio transferir o macaco-prego dali. &#8220;Ele podia ensinar os demais&#8221;, disse a bi\u00f3loga Fl\u00e1via Taconi Campos, da Divis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o do Zoo. O bicho foi mandado ao Zoo Saf\u00e1ri, mas ali tamb\u00e9m come\u00e7ou a dar problema. O animal descobriu que havia um ponto cego para os tratadores que abriam e fechavam o recinto dos macacos para permitir a entrada dos carros. E come\u00e7ou a escapar por ali. O fuj\u00e3o acabou transferido para outro zool\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente, \u00e9 o homem o principal problema. N\u00e3o os bichos. S\u00e3o as falhas humanas que permitem que eles fujam&#8221;, contou Mara Cristina. De acordo com ela, na maioria das vezes, depois da fuga, os animais tentam voltar, mas n\u00e3o sabem como. O Zoo criou um plano de emerg\u00eancia que prev\u00ea cada uma das situa\u00e7\u00f5es. As Etacs s\u00e3o treinadas por meio de fugas simuladas. Nelas, um funcion\u00e1rio do parque se veste de macaco e, sem que ningu\u00e9m saiba o dia ou o hor\u00e1rio, o &#8220;bicho&#8221; aparece andando no meio do parque.<\/p>\n<p>Imediatamente os homens do Bope do Zoo s\u00e3o mobilizados e, com armas de paintball, ca\u00e7am o bicho fuj\u00e3o. Carros, r\u00e1dio de comunica\u00e7\u00e3o, redes e c\u00e2meras &#8211; para filmar toda a a\u00e7\u00e3o &#8211; s\u00e3o usados na persegui\u00e7\u00e3o. Depois, tudo \u00e9 assistido para corrigir falhas. &#8220;O problema maior \u00e9 controlar o p\u00fablico para que ele n\u00e3o se exponha&#8221;, disse Mara Cristina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Godoy H\u00e1 bichos que teimam em escapar. Todo mundo no Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo conhece uma hist\u00f3ria. Mas poucas foram as vezes que os funcion\u00e1rios dali tiveram de enfrentar uma emerg\u00eancia como a registrada em julho de 2016. 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