{"id":151130,"date":"2017-08-29T17:15:10","date_gmt":"2017-08-29T20:15:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=151130"},"modified":"2017-08-29T18:20:51","modified_gmt":"2017-08-29T21:20:51","slug":"filme-mostra-relacao-entre-industria-alimenticia-e-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/filme-mostra-relacao-entre-industria-alimenticia-e-doencas\/","title":{"rendered":"Filme mostra rela\u00e7\u00e3o entre a ind\u00fastria aliment\u00edcia e doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><strong>Juliana Carreiro<\/strong><\/p>\n<p>O document\u00e1rio norte-americano \u2018What the Health\u2019, dispon\u00edvel no youtube e no Netflix, deveria ser assistido por todos que se preocupam com o que colocam no prato e que se interessam pela rela\u00e7\u00e3o entre a sua sa\u00fade e os interesses de grandes corpora\u00e7\u00f5es. Confesso que assisti-lo era uma das tarefas da minha lista, sabe aquela que a gente sempre faz, nem que seja mentalmente, e muitas vezes demora a cumprir? Pois deveria t\u00ea-lo assistido antes. Os cineastas Kip Andersen e Keegan Kuhn foram conversar com especialistas na rela\u00e7\u00e3o entre o h\u00e1bito alimentar praticado pela maioria dos americanos e o surgimento de determinadas doen\u00e7as e sobre a responsabilidade da ind\u00fastria aliment\u00edcia do pa\u00eds em criar e promover, das mais diversas formas, produtos comprovadamente nocivos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Escrevo este post porque infelizmente os h\u00e1bitos praticados por l\u00e1 j\u00e1 cruzaram o hemisf\u00e9rio e t\u00eam tomado conta do dia a dia de boa parte dos brasileiros. Assim como tem acontecido com nossos colegas de cima, eles ter\u00e3o consequ\u00eancias por aqui e s\u00e3o as piores poss\u00edveis.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio levanta uma quest\u00e3o perigosa que \u00e9 a estreita rela\u00e7\u00e3o entre a ind\u00fastria aliment\u00edcia e pesquisas cient\u00edficas pagas para defenderem subst\u00e2ncias ou alimentos comprovadamente nocivos \u00e0 nossa sa\u00fade. Muitos deles foram recomendados pela Sociedade Americanas de Diabetes, pela Associa\u00e7\u00e3o Americana do Cora\u00e7\u00e3o e pela Sociedade Americana de C\u00e2ncer. Os autores verificaram que estes \u00f3rg\u00e3os oficiais s\u00e3o financiados por dezenas de representantes da ind\u00fastria aliment\u00edcia local e mundial de latic\u00ednios, carnes processadas e fast food. A cada 5 anos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos cria diretrizes alimentares para a popula\u00e7\u00e3o e, segundo eles, os profissionais que as escrevem tamb\u00e9m recebem dinheiro de dezenas de empresas cujos produtos s\u00e3o os piores poss\u00edveis para a sa\u00fade, como o Mc Donald\u2019s e a Coca Cola. A ind\u00fastria da carne gasta, declaradamente, mais de 550 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano para promover seus produtos, por meio de programas governamentais no pa\u00eds e mais de 130 milh\u00f5es em lobbying para fazer com que o Congresso local aprove leis que os beneficie ou reprovem aquelas que os prejudique. \u00c9 o caso da chamada \u2018lei da morda\u00e7a\u2019, que penaliza quem fotografar os abusos da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o resultado de todo este trabalho? A maioria dos norte-americanos com at\u00e9 10 anos de idade j\u00e1 t\u00eam tra\u00e7os de gorduras nas art\u00e9rias (esta \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es para que as doen\u00e7as card\u00edacas se desenvolvam). Nos Estados Unidos, 1 a cada 3 d\u00f3lares destinados a tratamentos de sa\u00fade se refere ao combate ao diabetes e, se os h\u00e1bitos de vida se mantiverem, daqui a 25 anos, 1 em cada 3 americanos ter\u00e1 diabetes. 350 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam diabetes hoje no mundo. Mais de 17 milh\u00f5es de pessoas morrem anualmente em todo mundo por conta de problemas cardiovasculares (que tamb\u00e9m s\u00e3o preven\u00edveis). E quase 1 em cada 3 pessoas morrem em decorr\u00eancia deles. De acordo com o cardiologista, Joel Kahn, 70% das causas de mortes no pa\u00eds se d\u00e3o por conta de doen\u00e7as preven\u00edveis, como: diabetes, doen\u00e7as card\u00edacas, obesidade e alguns tipos de c\u00e2ncer, entre tantas outras. E boa parte desta preven\u00e7\u00e3o passa por mudan\u00e7as alimentares.<\/p>\n<p>O que nossas culturas alimentares t\u00eam em comum? O grande crescimento do consumo de produtos ultraprocessados nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para educa\u00e7\u00e3o nutricional, a falta de leis que controlem a utiliza\u00e7\u00e3o de determinados aditivos qu\u00edmicos e o excesso de s\u00f3dio, a\u00e7\u00facar e gordura trans pela ind\u00fastria aliment\u00edcia, profissionais de sa\u00fade e atendimentos do sistema p\u00fablico voltados apenas para o controle dos sintomas das doen\u00e7as, sem focar na sua preven\u00e7\u00e3o e o abandono do h\u00e1bito de cozinhar e de consumir comida caseira, feita com ingredientes de verdade.<\/p>\n<p>Os especialistas consultados, relacionam o desenvolvimento de diabetes, problemas do cora\u00e7\u00e3o e at\u00e9 c\u00e2ncer com o excesso do consumo de prote\u00ednas de origem animal: carne bovina, aves, carnes processadas, ovos e latic\u00ednios. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, 800 estudos feitos em 10 pa\u00edses associam o consumo de carnes processadas (bacon, embutidos, nuggets, salsicha\u2026) a determinados tipos de c\u00e2ncer. Por exemplo, 1 por\u00e7\u00e3o de alguma delas por dia aumenta o risco de c\u00e2ncer colorretal em 18%. Estes produtos s\u00e3o classificados como \u2018carcin\u00f3genos\u2019, pela OMS, assim como o cigarro. Tamb\u00e9m foram citados os malef\u00edcios da gordura saturada e do colesterol presente em todas as prote\u00ednas de origem animal e dos horm\u00f4nios e antibi\u00f3ticos utilizados nas suas cadeias produtivas. Algumas afirma\u00e7\u00f5es podem ser pol\u00eamicas, por isso vale a pena assistir, ouvir os argumentos e tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Ainda estou em d\u00favida sobre as minhas. N\u00e3o sou vegana, nem vegetariana, mas acredito que conhecer um novo ponto de vista a respeito de um assunto t\u00e3o importante quanto a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre positivo.<\/p>\n<p>Assim como eu venho escrevendo desde o in\u00edcio deste blog, os cientistas mostraram que o leite de vaca n\u00e3o garante o c\u00e1lcio que nossos ossos precisam, pelo contr\u00e1rio, ele prejudica a sua absor\u00e7\u00e3o. Provaram que pa\u00edses onde o consumo de leite de vaca \u00e9 mais alto, s\u00e3o tamb\u00e9m os que t\u00eam mais casos de osteoporose. Pesquisadores o associam at\u00e9 ao desenvolvimento de alguns tipos de c\u00e2ncer como o de mama, o de pr\u00f3stata e o de ov\u00e1rio. Para garantir os consumidores do presente e do futuro, a ind\u00fastria de latic\u00ednios do pa\u00eds, gasta 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano para promover os seus produtos em escolas p\u00fablicas, com o aval do governo federal.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode estar se perguntando: \u201cEnt\u00e3o, n\u00e3o posso comer mais nada?\u201d. \u00c9 f\u00e1cil, pode continuar comendo sim. Basta tirar da sua rotina alimentar o excesso das prote\u00ednas de origem animal e dos derivados do leite de vaca e os ultraprocessados. Pode usar e abusar das frutas, dos legumes, das verduras, dos cereais integrais e das leguminosas, a nossa boa e velha comida de verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliana Carreiro O document\u00e1rio norte-americano \u2018What the Health\u2019, dispon\u00edvel no youtube e no Netflix, deveria ser assistido por todos que se preocupam com o que colocam no prato e que se interessam pela rela\u00e7\u00e3o entre a sua sa\u00fade e os interesses de grandes corpora\u00e7\u00f5es. 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