{"id":151300,"date":"2017-08-30T17:58:28","date_gmt":"2017-08-30T20:58:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=151300"},"modified":"2017-08-30T18:00:11","modified_gmt":"2017-08-30T21:00:11","slug":"linguagem-dos-quadrinhos-inspira-cinema-fotografia-e-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/linguagem-dos-quadrinhos-inspira-cinema-fotografia-e-musica\/","title":{"rendered":"Linguagem dos quadrinhos inspira cinema, fotografia e m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andr\u00e9 C\u00e1ceres<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, espanta o plural no t\u00edtulo de As Linguagens dos Quadrinhos. A obra do semi\u00f3logo italiano Daniele Barbieri se debru\u00e7a sobre as t\u00e9cnicas dos quadrinhos em compara\u00e7\u00e3o com outras artes, buscando pontos de converg\u00eancia. As semelhan\u00e7as cotejadas v\u00e3o desde as coincid\u00eancias com planos cinematogr\u00e1ficos e os enquadramentos da fotografia at\u00e9 aspectos inesperados, como a harmonia musical com as narrativas paralelas evocadas por legendas em HQs e a rima po\u00e9tica com a repeti\u00e7\u00e3o das tiras de humor.<\/p>\n<div id=\"attachment_151308\" style=\"width: 942px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-151308\" class=\"wp-image-151308 size-full\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Daniele-barbieri-Foto-Rafael-Arbex-Estad\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"932\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Daniele-barbieri-Foto-Rafael-Arbex-Estad\u00e3o.jpg 932w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Daniele-barbieri-Foto-Rafael-Arbex-Estad\u00e3o-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Daniele-barbieri-Foto-Rafael-Arbex-Estad\u00e3o-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Daniele-barbieri-Foto-Rafael-Arbex-Estad\u00e3o-696x464.jpg 696w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Daniele-barbieri-Foto-Rafael-Arbex-Estad\u00e3o-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 932px) 100vw, 932px\" \/><p id=\"caption-attachment-151308\" class=\"wp-caption-text\">O escritor italiano Daniele Barbieri. Foto\/ Rafael Arbex<\/p><\/div>\n<p>O livro foi publicado originalmente na It\u00e1lia em 1991, mas permanece atual: &#8220;Os quadrinhos, como linguagem, n\u00e3o mudaram&#8221;, afirma Barbieri em entrevista ao Estado. O pesquisador veio ao Brasil para promover seu livro, rec\u00e9m-publicado pela editora Peir\u00f3polis, e para realizar uma palestra no encerramento da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o das Jornadas Internacionais de Hist\u00f3rias em Quadrinhos da ECA\/USP.<\/p>\n<p>Se Barbieri tivesse de acrescentar algo ao seu estudo hoje, seria a ascens\u00e3o das graphic novels e o fen\u00f4meno das webcomics, pois, nesse novo estilo, o suporte digital elimina o limite espacial inerente ao papel. &#8220;Uma nova m\u00eddia cria novos territ\u00f3rios. As fronteiras do papel s\u00e3o muito bem definidas, s\u00e3o marcadas pelo costume do leitor, mas onde est\u00e3o as fronteiras entre algumas webcomics e as anima\u00e7\u00f5es?&#8221;, indaga o te\u00f3rico.<\/p>\n<p>As recentes adapta\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de quadrinhos funcionam, para Barbieri, justamente por &#8220;criar uma realidade imagin\u00e1ria em que aqueles seres irreais se pare\u00e7am reais sem ser c\u00f4micos&#8221;, como eram nas s\u00e9ries televisivas dos anos 1960. Mas ele alerta: &#8220;Nenhum filme pode contar exatamente a mesma hist\u00f3ria que um quadrinho, embora tenha a mesma narrativa, pois ambas as linguagens t\u00eam condi\u00e7\u00f5es diferentes de express\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o quadrinho japon\u00eas se popularizou no Ocidente, e Barbieri cita como precursores Lobo Solit\u00e1rio (no original, Kubikiri Asa, publicado entre 1972 e 1976, dos favoritos de Frank Miller), com roteiro de Kazuo Koike e tra\u00e7o de Gozeki Kojima; e Akira, escrito e desenhado por Katsuhiro Otomo entre 1982 e 1990. &#8220;Mang\u00e1s s\u00e3o metade do mundo dos quadrinhos. Hoje, existem menos diferen\u00e7as entre as linguagens do que h\u00e1 30 anos, pois os autores ocidentais aprenderam muito com os japoneses&#8221;, afirma o especialista, ressaltando a cad\u00eancia no ritmo da narrativa como a mais marcante diferen\u00e7a entre os estilos.<\/p>\n<p>Outra linguagem que surgiu durante os anos 1990 foi o jornalismo gr\u00e1fico, explorado por Joe Sacco em 1996, durante uma viagem do autor \u00e0 Faixa de Gaza. &#8220;Palestina teve um grande legado para os quadrinhos de informa\u00e7\u00e3o. Hoje existem sites de quadrinhos jornal\u00edsticos&#8221;, constata Barbieri. Para ele, as principais peculiaridades desse g\u00eanero s\u00e3o a capacidade de &#8220;permanecer tr\u00e1gico mesmo que voc\u00ea ria e o fato de o jornalista contar sua pr\u00f3pria experi\u00eancia de campo. Isso confere um fasc\u00ednio particular&#8221;. Em sua palestra, o te\u00f3rico vai abordar The Photographer, uma mescla de HQ com fotos tiradas por Didier Lefr\u00e8ve no Afeganist\u00e3o ocupado pelo ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico, em 1986.<\/p>\n<p>Muitas dessas quest\u00f5es que surgiram nos \u00faltimos 26 anos desde a publica\u00e7\u00e3o original de As Linguagens dos Quadrinhos s\u00e3o abordadas por Barbieri em seu pr\u00f3ximo livro, A Semi\u00f3tica dos Quadrinhos, que, espera-se, n\u00e3o demore tamb\u00e9m um quarto de s\u00e9culo para chegar ao Brasil.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o &#8211;<\/strong> Livro As linguagens dos quadrinhos, do semi\u00f3logo Daniele Barbieri. Tradu\u00e7\u00e3o de Thiago\u00a0de Almeida Castor do Amaral. Editora Peir\u00f3polis (270 p\u00e1gs., R$ 52).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 C\u00e1ceres \u00c0 primeira vista, espanta o plural no t\u00edtulo de As Linguagens dos Quadrinhos. 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