{"id":151304,"date":"2017-08-30T17:38:24","date_gmt":"2017-08-30T20:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=151304"},"modified":"2017-08-31T15:05:30","modified_gmt":"2017-08-31T18:05:30","slug":"alimentos-de-cantinas-privadas-tem-baixo-valor-nutricional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alimentos-de-cantinas-privadas-tem-baixo-valor-nutricional\/","title":{"rendered":"Alimentos de cantinas privadas t\u00eam baixo valor nutricional"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alana Gandra<\/strong><\/p>\n<p>Dois de cada tr\u00eas alimentos consumidos por crian\u00e7as e adolescentes nas cantinas de escolas privadas do pa\u00eds t\u00eam baixo valor nutricional. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es da pesquisa H\u00e1bitos Alimentares de Crian\u00e7as e Adolescentes em Cantinas de Escolas Privadas no Brasil em 2016, realizada pelo Center for Behavioral Research (CBR) da Escola Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e de Empresas da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Ebape), em parceria com a empresa Nutrebem. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (30), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Foram analisadas mais de 1,2 milh\u00e3o de compras feitas no ano passado por mais de 19 mil estudantes em cantinas de 97 escolas localizadas em 25 cidades de sete estados brasileiros (Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Par\u00e1, Santa Catarina e Bahia) e do Distrito Federal.<\/p>\n<p>\u201cFicou claro com esses dados que a maioria do que \u00e9 consumido \u00e9 de baixo valor nutricional, tanto para doces, como para salgados e bebidas\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o professor da FGV Ebape e coordenador do CBR, Eduardo Andrade. \u201cA gente observa isso Brasil afora\u201d, completou.<\/p>\n<p>As amostras permitiram constatar que os estados do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo lideram a lista de estados onde os adolescentes consomem mais produtos de baixo valor nutricional. Em torno de 76,9% do que \u00e9 consumido pelas crian\u00e7as e adolescentes nas escolas do Rio de Janeiro s\u00e3o de baixo valor nutricional. Esse \u00edndice atinge cerca de 60% em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Oferta &#8211;<\/strong> De acordo com a pesquisa, nas escolas em que a oferta de itens saud\u00e1veis \u00e9 maior, a compra desses produtos tamb\u00e9m aumenta. \u201cH\u00e1 uma luz no fim do t\u00fanel. Nossas crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o est\u00e3o fadadas a comer mal\u201d, disse o coordenador do CBR.<\/p>\n<p>Embora, na m\u00e9dia, se observe um consumo elevado de produtos de baixo valor nutricional, h\u00e1 algumas escolas em que alimentos melhores est\u00e3o dispon\u00edveis. \u201cExistem poucas escolas em que \u00e9 oferecido muito produto com m\u00e9dio e alto valor nutricional e tamb\u00e9m s\u00e3o consumidos muitos produtos saud\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es para que a maior parte das escolas ofere\u00e7a alimentos de baixo valor nutricional \u00e9 de ordem econ\u00f4mica. Produtos industrializados de mais baixo valor nutritivo s\u00e3o mais convenientes e lucrativos para as cantinas. \u201cTalvez estejam mais expostos que os produtos mais nutritivos\u201d.<\/p>\n<p><strong>G\u00eanero &#8211;<\/strong> O consumo pouco saud\u00e1vel \u00e9 comum tanto para meninos quanto para meninas. A partir da adolesc\u00eancia, por\u00e9m, as garotas come\u00e7am a comer de maneira um pouco mais saud\u00e1vel que os garotos. Os pesquisadores da FGV acreditam que a press\u00e3o social e est\u00e9tica sobre as meninas seja maior a partir dessa fase, o que leva a um consumo mais consciente de alimentos.<\/p>\n<p>A sondagem constatou ainda que entre os produtos mais saud\u00e1veis consumidos nas escolas est\u00e3o frutas e salada de frutas, que tamb\u00e9m s\u00e3o mais associados com o g\u00eanero do estudante. \u201cA gente v\u00ea mais meninas comendo salada de frutas do que meninos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Engajamento &#8211;<\/strong> Na avalia\u00e7\u00e3o de Eduardo Andrade, a mudan\u00e7a desse quadro exige o engajamento de tr\u00eas atores: pais, escolas e o pr\u00f3prio governo. Segundo ele, nem todas as escolas veem o consumo nas cantinas como uma responsabilidade tamb\u00e9m da institui\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com a educa\u00e7\u00e3o alimentar\u201d.<\/p>\n<p>O especialista avalia, entretanto, que n\u00e3o h\u00e1 como colocar a culpa s\u00f3 nas escolas e que os pais t\u00eam papel preponderante nesse processo uma vez que a educa\u00e7\u00e3o alimentar tamb\u00e9m passa pelo que a crian\u00e7a come em casa e pelo monitoramento dos respons\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o. \u201cO engajamento dos pais \u00e9 importante at\u00e9 para salientar essa quest\u00e3o para as escolas\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>O terceiro elemento, na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, s\u00e3o os governos. Atualmente, no pa\u00eds, h\u00e1 diversos munic\u00edpios e estados com leis espec\u00edficas sobre o que pode ou n\u00e3o pode ser vendido nas cantinas, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 um arcabou\u00e7o federal que monitore esse processo. Segundo Andrade, dois projetos de lei sobre o tema tramitam na C\u00e2mara e no Senado, mas ainda n\u00e3o foram votados.<\/p>\n<p>Andrade destacou a import\u00e2ncia do debate sobre educa\u00e7\u00e3o alimentar uma vez que diversos h\u00e1bitos s\u00e3o formados na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia. \u201cSe n\u00f3s aprendermos a consumir de maneira pouco saud\u00e1vel, ser\u00e1 mais dif\u00edcil consumir de maneira saud\u00e1vel na vida adulta.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alana Gandra Dois de cada tr\u00eas alimentos consumidos por crian\u00e7as e adolescentes nas cantinas de escolas privadas do pa\u00eds t\u00eam baixo valor nutricional. 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