{"id":151394,"date":"2017-08-31T13:33:37","date_gmt":"2017-08-31T16:33:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=151394"},"modified":"2017-08-31T13:33:37","modified_gmt":"2017-08-31T16:33:37","slug":"intenso-longa-como-nossos-pais-estreia-nesta-quinta-31","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/intenso-longa-como-nossos-pais-estreia-nesta-quinta-31\/","title":{"rendered":"Intenso, longa &#8216;Como Nossos Pais&#8217; estreia nesta quinta 31"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Carlos Merten<\/strong><\/p>\n<p>Menos de uma semana depois de ter vencido o Festival de Gramado &#8211; no s\u00e1bado, 26 -, Como Nossos Pais estreia em 126 salas de todo o Pa\u00eds para que voc\u00ea possa comprovar o acerto de tantos Kikitos. Foram seis &#8211; melhor filme e dire\u00e7\u00e3o (La\u00eds Bodanzky), ator e atriz (Paulo Vilhena e Maria Ribeiro), melhor coadjuvante feminina (Clarisse Abujamra, o mais merecido de todos) e melhor montagem. Gramado, este ano, privilegiou a quest\u00e3o da representatividade &#8211; mulheres, trans, afrodescendentes. Como Nossos Pais virou emblema da quest\u00e3o do feminismo.<\/p>\n<p>Mulheres empoderadas. O filme abre-se num almo\u00e7o de fam\u00edlia. Ao final de uma t\u00edpica disputa familiar, a m\u00e3e (Clarisse) faz uma revela\u00e7\u00e3o bomb\u00e1stica. A filha (Maria) \u00e9 produto de um affair. O pai n\u00e3o \u00e9 aquele sujeito que ela aprendeu, a vida toda, a reconhecer como tal. Interpretado por Jorge Mautner, esse pai est\u00e1 longe de ser exemplar. \u00c9 o maior 171. Mesmo assim, \u00e9 um choque para a personagem de Maria. Chama-se Rosa e, durante todo o restante do filme, ela passa em lit\u00edgio com a m\u00e3e, tentando reafirmar a pr\u00f3pria identidade &#8211; como mulher, m\u00e3e, profissional.<\/p>\n<p>Em Gramado, La\u00eds e o roteirista Luiz Bolognesi assumiram que n\u00e3o est\u00e3o mais casados, embora continuem trabalhando juntos (e s\u00f3cios na Buriti Filmes). Bolognesi justificou a separa\u00e7\u00e3o dizendo que o casamento estava empatando o crescimento de La\u00eds. Ele tamb\u00e9m revelou que seu roteiro foi reescrito pela ex-mulher, e que ela \u00e9 a autora de Como Nossos Pais. At\u00e9 por esse perfil, o filme aborda muitos temas da contemporaneidade feminina, mas \u00e9 basicamente sobre o choque entre m\u00e3e e filha. Desde antes da revela\u00e7\u00e3o que lhe retira o ch\u00e3o, Maria j\u00e1 vive em lit\u00edgio com a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Acha que a personagem de Clarisse Abujamra favorece o genro, seu marido (Paulo Vilhena). Palavras de Maria: \u201cQuando a gente tem filho, pelo menos foi assim comigo, a gente come\u00e7a a questionar o jeito como foi criada. E voc\u00ea fala que vai fazer diferente do que sua m\u00e3e fazia com voc\u00ea. Mas, sem nem se dar conta, voc\u00ea faz as coisas parecidas.\u201d \u00c9 um pouco a trag\u00e9dia do filme. Maria acha que o marido antrop\u00f3logo \u00e9 folgado e est\u00e1 mais preocupado com as tribos da Amaz\u00f4nia do que com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Suspeita estar sendo tra\u00edda por ele. Voc\u00ea pode achar que \u00e9 demais para uma s\u00f3 mulher, mas ainda tem mais &#8211; e \u00e9 essa complexidade que faz de Como Nossos Pais um filme rico. E, como todos anteriores de La\u00eds, \u00e9 muito bem feito, muito intenso. Muito bom.<\/p>\n<p>La\u00eds Bodanzky tem uma das carreiras mais exitosas do cinema brasileiro da chamada \u2018Retomada\u2019. Com Bicho de Sete Cabe\u00e7as, ela venceu os festivais de Bras\u00edlia e do Recife. Com As Melhores Coisas do Mundo, bisou o Cine PE. Faltava Gramado e ela venceu este ano com Como Nossos Pais. Seis Kikitos, incluindo filme e dire\u00e7\u00e3o. Seus filmes diferem, mas no fundo s\u00e3o os mesmos.<\/p>\n<p>Personagens sens\u00edveis, hist\u00f3rias humanas. Um garoto que conhece o inferno do sistema manicomial (Bicho), o t\u00edpico adolescente em crise (As Melhores Coisas) e o \u2018tal\u2019 feminismo (Como Nossos Pais). Todos esses filmes abordam rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, e o conflito de gera\u00e7\u00f5es. O corpo estranho, mas n\u00e3o \u00e9, poderia ser Chega de Saudade, sobre um clube de terceira idade.<\/p>\n<p>Filha de diretor &#8211; Jorge Bodanzky, autor de um t\u00edtulo emblem\u00e1tico do cinema brasileiro: Iracema, Uma Transa Amaz\u00f4nica -, La\u00eds admite que pode ter feito outros filmes preparat\u00f3rios para esse, mas a urg\u00eancia do discurso feminista surgiu nesse momento. E n\u00e3o \u00e9 certo que v\u00e1 perseverar &#8211; o pr\u00f3ximo filme com Cau\u00e3 Reymond, ser\u00e1 sobre a juventude de d. Pedro, o 1.\u00ba, um not\u00f3rio mulherengo. \u201cVai ser uma del\u00edcia fazer.\u201d Vai mudar o personagem, n\u00e3o necessariamente o discurso. O que lhe interessa \u00e9 sempre a espessura dram\u00e1tica. Como se n\u00e3o bastassem todos os problemas de Rosa\/Maria Ribeiro, ainda tem mais um. A m\u00e3e, com quem ela vive em lit\u00edgio, est\u00e1 morrendo de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>\u00c9 demais, mas La\u00eds, guerreira do feminismo, n\u00e3o muda sua est\u00e9tica. O filme bate na tela com suavidade. O elenco todo, o ex-marido e corroteirista Luiz Bolognesi dizem a mesma coisa. La\u00eds institui no set uma ditadura suave. Sem grito, mas com persuas\u00e3o, ela convence todo mundo a fazer exatamente como quer. Ela acha gra\u00e7a da defini\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a da persuas\u00e3o &#8211; seu agradecimento em Gramado n\u00e3o poderia ter sido mais engajado. \u201cSomos poucas (as mulheres na dire\u00e7\u00e3o e no roteiro), e esse \u00e9 o espa\u00e7o do discurso, no qual a gente coloca nossas ideias. Essa consci\u00eancia \u00e9 muito nova na minha vida, mas \u00e9 uma reflex\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00f3s, mulheres, n\u00e3o queremos dirigir nem roteirizar? Somos apenas 15% na ind\u00fastria do audiovisual. Por qu\u00ea? \u00c9 importante refletir, porque n\u00e3o \u00e9 que a gente n\u00e3o queira contar nossas hist\u00f3rias, mas h\u00e1 um filtro. \u00c9 preciso romper com isso e conquistar o espa\u00e7o do discurso.\u201d<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar nessa conquista, La\u00eds teve sua tropas de choque &#8211; o maravilhoso elenco de seu filme. Foi o segundo Kikito de coadjuvante para Clarisse Abujamra, que j\u00e1 venceu o pr\u00eamio por A Cole\u00e7\u00e3o Invis\u00edvel, em 2013. Clarisse \u00e9 extraordin\u00e1ria como uma mulher madura e sensual. \u201cFoi tudo muito r\u00e1pido\u201d, ela diz. \u201cLa\u00eds me chamou, fizemos algumas leituras de mesa, mas o essencial j\u00e1 estava no roteiro.\u201d Uma das mais belas cenas mostra Clarisse ao piano, tocando justamente Como Nossos Pais, de Belchior. \u201cQueria o t\u00edtulo, mas n\u00e3o a letra da m\u00fasica\u201d, diz a diretora. \u201cA Clarisse tocando s\u00f3 a vers\u00e3o instrumental foi um achado. Saiu muito melhor do que imaginava.\u201d E Paulo Vilhena, trazendo para a realidade a luta de seu personagem antrop\u00f3logo &#8211; em Gramado, ao receber seu Kikito, ele bradou \u201cfora, Temer e viva a Amaz\u00f4nia\u201d, criticando o presidente por extinguir a reserva e permitir a minera\u00e7\u00e3o. O protesto, tamb\u00e9m de Gisele B\u00fcndchen, ecoou e, na segunda, o presidente recuou.<\/p>\n<p><strong>Entrevista atriz Maria Ribeiro &#8211;\u00a0<\/strong>M\u00e3e de dois filhos &#8211; Jo\u00e3o Betti e Bento Blat -, Maria Ribeiro explica por que a conquista do Kikito de melhor atriz teve um gostinho muito especial.<\/p>\n<p><strong>Como foi vencer em Gramado? &#8211;\u00a0<\/strong>Havia uma expectativa muito grande de toda a fam\u00edlia. Meus filhos fizeram a maior festa. Afinal, o Paulo (Betti) e o Caio (Blat) j\u00e1 tinham Kikitos, s\u00f3 faltava a m\u00e3e ganhar. E eu amo esse festival. Gramado come\u00e7ou grande, teve um per\u00edodo de crise, mas conseguiu se reinventar e readquirir toda sua import\u00e2ncia. Acho muito bom que isso tenha ocorrido.<\/p>\n<p><strong>Rosa \u00e9 muito forte&#8230;<\/strong> &#8211; J\u00e1 me perguntaram se eu acho que vou ter outra personagem t\u00e3o boa. N\u00e3o quero nem pensar, porque sen\u00e3o paraliso. Mas a Rosa foi um present\u00e3o, sim. A La\u00eds testou outra atriz para o papel, ent\u00e3o eu n\u00e3o concorria sozinha. Mas, quando li o roteiro, senti que a Rosa tinha a minha embocadura. A La\u00eds via o Saia Justa, depois at\u00e9 me disse que escreveu pensando em mim. Encontrei nela minha for\u00e7a, minha vulnerabilidade, minha sensibilidade. Foi muito intenso fazer.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea virou polemista na TV. Como se sente? &#8211;\u00a0<\/strong>Foi muito rico, mas quero agora curtir esse momento de pop star de cinema. \u00c9 t\u00e3o breve&#8230; Quando perguntam minha profiss\u00e3o, digo &#8211; atriz. Quero interpretar mais. Me expressar por meio de personagens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Merten Menos de uma semana depois de ter vencido o Festival de Gramado &#8211; no s\u00e1bado, 26 -, Como Nossos Pais estreia em 126 salas de todo o Pa\u00eds para que voc\u00ea possa comprovar o acerto de tantos Kikitos. 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