{"id":151790,"date":"2017-09-03T18:01:03","date_gmt":"2017-09-03T21:01:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=151790"},"modified":"2017-09-03T18:01:03","modified_gmt":"2017-09-03T21:01:03","slug":"crianca-que-vive-em-situacao-de-risco-se-sai-melhor-no-aperto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crianca-que-vive-em-situacao-de-risco-se-sai-melhor-no-aperto\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7a que vive em situa\u00e7\u00e3o de risco se sai melhor no aperto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alana Gandra<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo mostra que crian\u00e7as que s\u00e3o mais resilientes, isto \u00e9, que s\u00e3o mais fortes diante das adversidades, s\u00e3o menos vulner\u00e1veis aos problemas ao redor e \u00e0 viol\u00eancia. A pesquisa estuda 400 jovens de 12 a 18 anos na cidade de Delfin\u00f3polis (MG) e \u00e9 realizada pelo neurologista Marco Ant\u00f4nio Arruda.<\/p>\n<p>\u00c9 avaliada no estudo a interven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia nas fun\u00e7\u00f5es executivas, que s\u00e3o as habilidades cognitivas necess\u00e1rias para controlar e regular nossos pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. Os estudantes s\u00e3o avaliados por meio de atividades dentro da sala de aula, que estimam o seu desempenho escolar ao longo dos pr\u00f3ximos anos. A partir das contata\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o feitas interven\u00e7\u00f5es junto aos pais e professores de adolescentes com disfun\u00e7\u00f5es, para reabilitar essas fun\u00e7\u00f5es e retomar sua resili\u00eancia.<\/p>\n<p>No estudo de Delfin\u00f3polis, foram distribu\u00eddos question\u00e1rios para as pr\u00f3prias crian\u00e7as, al\u00e9m dos pais e educadores, com o objetivo de verificar a capacidade delas de enfrentar adversidades e n\u00e3o sofrer ruptura no seu desenvolvimento. S\u00e3o crian\u00e7as muitas vezes de classes sociais desfavorecidas, que n\u00e3o vivem com os pais e, a despeito disso, t\u00eam alto desempenho escolar e sa\u00fade mental normal.<\/p>\n<p>\u201cCrian\u00e7as de alto desempenho escolar s\u00e3o mais resilientes; portanto, menos vulner\u00e1veis do que crian\u00e7as com baixo desempenho escolar. Existe uma correla\u00e7\u00e3o direta de resili\u00eancia com desempenho escolar com sa\u00fade mental, com fun\u00e7\u00e3o executiva. Est\u00e1 tudo intrincado\u201d, analisou o neurologista. A meta \u00e9 acompanhar essas crian\u00e7as nos pr\u00f3ximos cinco a seis anos para avaliar se a interven\u00e7\u00e3o junto aos adultos, para reverter disfun\u00e7\u00f5es executivas, teve sucesso ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Boas fun\u00e7\u00f5es<\/strong> &#8211; Outro estudo coordenado por Marco Ant\u00f4nio Arruda revelou a import\u00e2ncia da observa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es executivas na inf\u00e2ncia. Ele revelou que crian\u00e7as com boas fun\u00e7\u00f5es executivas durante os primeiros anos da vida escolar t\u00eam menos probabilidade de apresentar problemas e dificuldades ao longo da vida. A pesquisa foi feita entre 2013 e 2015, com 4 mil crian\u00e7as da faixa et\u00e1ria de 5 a 12 anos de todas as escolas p\u00fablicas do munic\u00edpio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Para\u00edso (MG).<\/p>\n<p>O estudo permite avaliar aspectos do desenvolvimento da crian\u00e7a a partir do in\u00edcio do ensino fundamental 1 (1\u00ba ao 5\u00ba ano) que \u201ct\u00eam grande valor de predi\u00e7\u00e3o se elas v\u00e3o ter bom desempenho na vida escolar\u201d, disse Arruda. Dificuldades que muitas vezes n\u00e3o chamam a aten\u00e7\u00e3o de pais e educadores podem ser identificadas nessa fase<\/p>\n<p>\u201cCrian\u00e7as que t\u00eam dificuldades nessa etapa v\u00e3o ter dificuldades at\u00e9 na vida adulta\u201d, afirmou Arruda. A pesquisa abordou fun\u00e7\u00f5es executivas simples, que v\u00e3o desde trocar de roupa e tomar banho, at\u00e9 atividades mais complexas, como escrever um livro.<\/p>\n<p>Foi observada a capacidade de a crian\u00e7a se organizar no tempo e no espa\u00e7o para executar uma tarefa, de regular as emo\u00e7\u00f5es, inibir comportamentos, prestar aten\u00e7\u00e3o e perseverar diante das dificuldades. A partir de question\u00e1rios distribu\u00eddos aos pais e professores das 4 mil crian\u00e7as sobre o comportamento delas em casa e na escola, o neurologista p\u00f4de estimar que h\u00e1 de normal ou anormal em suas fun\u00e7\u00f5es executivas.<\/p>\n<p>A vantagem de identificar precocemente crian\u00e7as que v\u00e3o ter problemas de aprendizado mais adiante \u00e9 poder agir de forma preventiva, afirmou o m\u00e9dico. Isso facilita o desenvolvimento de programas de sa\u00fade p\u00fablica com o objetivo de reabilitar essas fun\u00e7\u00f5es, com apoio da fam\u00edlia e da escola.<\/p>\n<p><strong>Disfun\u00e7\u00f5es<\/strong> &#8211; O neurologista tamb\u00e9m destaca, com base em pesquisa anterior, a correla\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00f5es executivas e condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, sa\u00fade mental e desempenho escolar. Crian\u00e7as com disfun\u00e7\u00f5es mais frequentemente se tornam adolescentes e adultos com baixo autocontrole e s\u00e3o mais suscet\u00edveis ao uso de drogas, tabado e \u00e1lcool, \u00e0 vida sedent\u00e1ria e \u00e0 obesidade, segundo estudo feito em 2011 com 6 mil crian\u00e7as e jovens de 87 cidades brasileiras. Elas acabam chegando \u00e0 vida adulta com maior preval\u00eancia de hipertens\u00e3o, problemas cardiovasculares, disse Arruda.<\/p>\n<p>Outro dado revela que crian\u00e7as das classes D e E t\u00eam risco 2,4 vezes maior do que as das classes A e B (ou o equivalente a mais 140%) de ter piores fun\u00e7\u00f5es executivas. \u201cEsse baixo funcionamento executivo funciona como perpetua\u00e7\u00e3o da pobreza seja na fam\u00edlia, na comunidade, no pa\u00eds\u201d, comentou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O risco de piores fun\u00e7\u00f5es executivas tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado com o grau de instru\u00e7\u00e3o do chefe da fam\u00edlia. Crian\u00e7as cujo chefe da fam\u00edlia era analfabeto tinham risco 4 vezes maior (300% a mais) de ter baixas fun\u00e7\u00f5es executivas, se comparadas com as fam\u00edlias com chefe de fam\u00edlia alfabetizado. O mesmo ocorre quando o chefe da fam\u00edlia tinha ensino fundamental 1, em compara\u00e7\u00e3o com o que completou o ensino fundamental 2 (5\u00ba ao 9\u00ba ano). Com ensino m\u00e9dio incompleto, o risco de baixas fun\u00e7\u00f5es executivas \u00e9 de 2,3 vezes maior do que com esse n\u00edvel completo.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m correla\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00e3o executiva e sa\u00fade mental, indicou Marco Ant\u00f4nio Arruda. Crian\u00e7as com altera\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental t\u00eam risco 12 vezes maior de ter problemas de disfun\u00e7\u00f5es executivas. Entre os problemas mentais, o neurologista citou problemas emocionais, de humor, depress\u00e3o, ansiedade, transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade. Os adultos que tiveram problemas de disfun\u00e7\u00e3o executiva na primeira inf\u00e2ncia tinham mais problemas de sa\u00fade mental do que os que apresentavam fun\u00e7\u00f5es normais.<\/p>\n<p>H\u00e1 correla\u00e7\u00e3o ainda da fun\u00e7\u00e3o executiva com o desempenho escolar. As crian\u00e7as cujos professores as consideraram com desempenho escolar abaixo da m\u00e9dia apresentavam risco 6 vezes maior, ou 500% a mais, de ter disfun\u00e7\u00e3o executiva.<\/p>\n<p><strong>Import\u00e2ncia do estudo<\/strong> &#8211; Na avalia\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga especialista em jovens e adolescentes Elisa Bichels, membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profiss\u00f5es Afins se\u00e7\u00e3o Rio de Janeiro (Abenepi-RJ), \u00e9 fundamental ensinar educa\u00e7\u00e3o emocional para as crian\u00e7as. \u201cHoje a gente pode capacit\u00e1-los para uma qualidade de vida diferenciada. Hoje, cada vez mais a gente sabe que a educa\u00e7\u00e3o emocional pode gerar uma revolu\u00e7\u00e3o social\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, o estudo do [neurologista Marco Antonio] Arruda \u00e9 t\u00e3o importante, porque ele fala de preven\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma coisa que a gente n\u00e3o tem em sa\u00fade mental, principalmente na popula\u00e7\u00e3o brasileira. Em todo o mundo, se fala em preven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade mental h\u00e1 muitos anos. E no Brasil, n\u00e3o. Os estudos para crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o muito novos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alana Gandra Um estudo mostra que crian\u00e7as que s\u00e3o mais resilientes, isto \u00e9, que s\u00e3o mais fortes diante das adversidades, s\u00e3o menos vulner\u00e1veis aos problemas ao redor e \u00e0 viol\u00eancia. 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