{"id":151856,"date":"2017-09-04T16:15:05","date_gmt":"2017-09-04T19:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=151856"},"modified":"2017-09-04T16:15:05","modified_gmt":"2017-09-04T19:15:05","slug":"por-que-nao-respodem-elogios-e-se-descabelam-com-as-criticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/por-que-nao-respodem-elogios-e-se-descabelam-com-as-criticas\/","title":{"rendered":"Por qu\u00ea n\u00e3o respodem elogios e se descabelam com as cr\u00edticas?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rosana Hermann<\/strong><\/p>\n<p>Marcela Zaidan mandou um email pra mim outro dia e fez exatamente essa pergunta. Por que n\u00e3o respondemos a coment\u00e1rios positivos ou elogiosos e sempre rebatemos qualquer cr\u00edtica ou ofensa? Por que vloggers que falam com raiva, criticam todo mundo, sempre conquistam espa\u00e7o, sucesso e dinheiro com os haters que os promovem? Por que tudo o que \u00e9 ruim tem sempre mais destaque? O \u2018mal\u2019, enfim, triunfa sobre o chamado \u2018bem\u2019?<\/p>\n<p>Prometi para Marcela que usaria esta coluna para responder. Ou, pelo menos, que iria tentar.<\/p>\n<p>Eu vejo o amor como um g\u00e1s, um plasma, que se espalha pelo ar. Sabe quando voc\u00ea passa perto de uma confeitaria e sente um aroma doce ou entra numa padaria e sente o cheiro gostoso de p\u00e3o quente assando no forno? O amor \u00e9 mais ou menos assim, indefinido e esparramado. Um calorzinho bom, um vento que bate, um c\u00e9u lindo, \u00e1guas calmas, coisas que fazem a gente sorrir de olhos fechados. O amor \u00e9 um campo.<\/p>\n<p>O mal, n\u00e3o.<\/p>\n<p>O mal d\u00e1 um pico. Z\u00e1s! Faca que rasga, choque que baqueia. Um susto que aterroriza. Um grito. O mal \u00e9 um pulso, um pico violento, uma descarga, avalanche.<\/p>\n<p>E, talvez por isso, nossas rea\u00e7\u00f5es sejam t\u00e3o diferentes nos dois casos. O amor nos enleva, enla\u00e7a, abra\u00e7a. E queremos s\u00f3 curtir aquela coisa boa, como o barulhinho da chuva na hora de adormecer. Mas quando algu\u00e9m vem com raiva e nos machuca, a\u00ed \u00e9 pa-pum, z\u00e1s-tr\u00e1s, toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1. \u00c9 rea\u00e7\u00e3o imediata, bateu-levou. \u00c9 a intensidade quase infinita do amor s\u00f3 que com carga negativa e em um segundo. Um raio que cai na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Essa intensidade imensa, num \u00e1timo, nos desestrutura. Perdemos a l\u00f3gica, a no\u00e7\u00e3o, somos s\u00f3 rea\u00e7\u00e3o. O animal feroz em n\u00f3s acorda, revive e queremos revidar. No ato.<\/p>\n<p>O elogio, n\u00e3o. \u00c9 carinho que entra quietinho e j\u00e1 vai pra uma caixinha cheia de oooowwwwnnns no nosso cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o abala, n\u00e3o nos mobilizar com a f\u00faria que o hater sabe causar.<\/p>\n<p>E assim, acabamos por dar aten\u00e7\u00e3o e promover os haters, as m\u00e1s not\u00edcias, os idiotas, ao mesmo tempo que mandamos pessoas talentosas, gentis, humanas para cantinhos sem visibilidade.<\/p>\n<p>Fazemos isso com tudo. Damos mais cartaz pra quem grita, enfia a cara na lente, por vezes at\u00e9 nos assustando. Seguimos pessoas nervosas, irritadas, briguentas, porque temos at\u00e9 medo de contrari\u00e1-las. Sim, temos \u00eddolos pac\u00edficos e gentis, mas n\u00e3o \u00e9 o mainstream do sucesso na Internet, n\u00e3o. No geral, \u00e9 mais f\u00e1cil conseguir views fazendo um v\u00eddeo agressivo do que fofinho.<\/p>\n<p>E assim, vamos construindo uma sociedade que acha que o bom pai \u00e9 o que pune, bom professor \u00e9 o que d\u00e1 zero, bom profissional \u00e9 o que grita. Somos t\u00e3o carentes e fr\u00e1geis que aceitamos a ira apenas porque ela \u00e9 \u2018energ\u00e9tica\u2019.<\/p>\n<p>Pois estamos totalmente enganados. A longo prazo essas pessoas nos fazem mal, nos contaminam. E quando percebemos isso, saimos correndo em busca das pessoas que realmente nos trazem um pouco de amor.<\/p>\n<p>Os haters sempre v\u00e3o fazer barulho num primeiro momento, ganhar visibilidade. Mas pouco tempo depois, caimos na real e vemos que esses odiadores s\u00e3o seres pat\u00e9ticos que j\u00e1 desistiram da felicidade e, em tendo ainda muito tempo de vida, resolvem dedicar esse tempo a impedir que os outros sejam felizes.<\/p>\n<p>Marcela tem raz\u00e3o em reclamar quando diz que as pessoas n\u00e3o respondem a seus elogios, talvez porque o elogio a gente j\u00e1 espere ent\u00e3o, \u00e9 meio como a gente faz quando separa feij\u00f5es mandando pro pote dos feij\u00f5es inteiros. \u00c9 o feij\u00e3o quebrado, a pedrinha, a sujeira, que nos salta aos olhos. Assim que pousamos olhos no feij\u00e3o com caruncho, pegamos o dito e o jogamos fora. Infelizmente, com a ofensa n\u00e3o fazemos o mesmo. Reparamos e, em vez de jog\u00e1-lo no baldinho de lixo, damos um lugar de destaque pra ele e ainda tentamos contra-argumentar.<\/p>\n<p>No fundo, todos n\u00f3s queremos ser unanimemente aceitos, mundialmente conhecidos, universalmente amados. E, por essa fragilidade ca\u00edmos na isca do hater. Porque talvez, no fundo, queremos tanta aten\u00e7\u00e3o quanto ele. Pode estar ai a resposta para nos livrarmos dele. N\u00e3o querer agradar todo mundo, n\u00e3o mirar o sucesso total, diminuir a import\u00e2ncia que damos pra n\u00f3s mesmos e, consequente, para quem quer nos abalar.<\/p>\n<p>Estou tentando fazer isso. O primeiro passo foi responder aqui para Marcela que escreveu um email com cheiro de p\u00e3o quente, bolo no forno, carregado de afeto e que me mobilizou muito mais do que qualquer hater banana que a gente encontra por ai.<\/p>\n<p>Marcela, por enquanto, o amor venceu. Obrigada, querida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosana Hermann Marcela Zaidan mandou um email pra mim outro dia e fez exatamente essa pergunta. Por que n\u00e3o respondemos a coment\u00e1rios positivos ou elogiosos e sempre rebatemos qualquer cr\u00edtica ou ofensa? Por que vloggers que falam com raiva, criticam todo mundo, sempre conquistam espa\u00e7o, sucesso e dinheiro com os haters que os promovem? 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