{"id":153231,"date":"2017-09-15T17:50:16","date_gmt":"2017-09-15T20:50:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=153231"},"modified":"2017-09-15T17:50:16","modified_gmt":"2017-09-15T20:50:16","slug":"crencas-influenciam-mulheres-na-escolha-do-parto-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crencas-influenciam-mulheres-na-escolha-do-parto-normal\/","title":{"rendered":"Cren\u00e7as influenciam mulheres na escolha do parto normal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ludimila Honorato<\/strong><\/p>\n<p>Algumas cren\u00e7as podem induzir as mulheres a optar pelo parto ces\u00e1rea sem, ao menos, considerar o normal. A dor, o medo de &#8216;passar da hora&#8217; em vez de esperar as contra\u00e7\u00f5es, o beb\u00ea sentado ou com o cord\u00e3o umbilical ao redor do pesco\u00e7o s\u00e3o algumas das quest\u00f5es que circulam tradicionalmente entre as parturientes. Por\u00e9m, uma boa comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre m\u00e9dico e paciente podem conduzir a mulher a uma experi\u00eancia de parto mais do que normal: humanizado.<\/p>\n<p>Uma das primeiras cren\u00e7as \u00e9 a de que nem toda mulher \u00e9 capaz de realizar parto normal, seja por falta de dilata\u00e7\u00e3o ou por n\u00e3o aguentar as dores. &#8220;Na verdade, a fisiologia da quest\u00e3o do parto tem tudo para dar certo. Essa posi\u00e7\u00e3o de que, muito provavelmente, uma mulher que engravidou tenha tudo para evoluir e ter parto normal \u00e9 um fato&#8221;, diz o ginecologista e obstetra Alberto Guimar\u00e3es, criador do programa Parto Sem Medo e autor do livro de mesmo nome.<\/p>\n<p>O especialista diz que se cria uma resist\u00eancia ao parto normal devido \u00e0s experi\u00eancias negativas que algumas mulheres relatam. A realiza\u00e7\u00e3o de episiotomia (corte entre a vagina e o \u00e2nus), a aplica\u00e7\u00e3o de ocitocina para induzir contra\u00e7\u00f5es, rompimento for\u00e7ado da bolsa amni\u00f3tica ou constrangimentos n\u00e3o s\u00e3o, segundo Guimar\u00e3es, a\u00e7\u00f5es de um parto normal.<\/p>\n<p>&#8220;Parto normal \u00e9 atender \u00e0s demandas da mulher, permitir um acompanhante que ela escolher, respeitar se ela pedir analgesia. Ela precisa estar focada no que precisa fazer e entender que a contra\u00e7\u00e3o \u00e9 um jeito de o beb\u00ea estar mais pr\u00f3ximo dela. Pode ser dolorido, mas n\u00e3o precisa ser sofrido&#8221;, explica o obstetra que \u00e9 defensor dos conceitos de parto humanizado.<\/p>\n<p><strong>Dilata\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/strong>Guimar\u00e3es afirma que a falta de dilata\u00e7\u00e3o suficiente para a realiza\u00e7\u00e3o de um parto normal existe, mas \u00e9 &#8220;extremamente rara&#8221;. &#8220;Quando come\u00e7a a dilata\u00e7\u00e3o e contra\u00e7\u00f5es regulares, precisa ter dez cent\u00edmetros para o beb\u00ea sair, mas at\u00e9 atingir cinco ou seis demora horas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para que a mulher se sinta \u00e0 vontade, massagens e banhos podem diminuir a dor e ela deve ficar na posi\u00e7\u00e3o que quiser. Na hora de o beb\u00ea nascer, ela vai sentir vontade de empurrar e n\u00e3o precisa se preocupar em segurar o rec\u00e9m-nascido. Para isso, transmitir seguran\u00e7a \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso estabelecer um v\u00ednculo de confian\u00e7a, o pacto de que nosso papel na \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 ter uma atua\u00e7\u00e3o no sentido de garantir a seguran\u00e7a do processo, sem pressa nem rel\u00f3gio&#8221;, declara Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00f5es adversas &#8211;<\/strong>\u00a0A partir do oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o, o beb\u00ea come\u00e7a a se posicionar com a cabe\u00e7a para baixo, mas h\u00e1 casos em que ele permanece sentado, o que leva a crer que o parto normal \u00e9 contraindicado.<\/p>\n<p>O obstetra explica que o parto normal com o beb\u00ea sentado foi desaconselhado no mundo inteiro, pois publica\u00e7\u00f5es diziam que o rec\u00e9m-nascido poderia ter complica\u00e7\u00f5es. No entanto, pa\u00edses como Canad\u00e1 e Alemanha pedem para que esse tipo de parto volte a ser considerado e que m\u00e9dicos sejam treinados para realiz\u00e1-lo. &#8220;Tem manobras para tirar naturalmente, tem acupuntura e posi\u00e7\u00f5es sugeridas para a m\u00e3e. Essa discuss\u00e3o tem de ser feita com a mulher e o parceiro&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>Outra situa\u00e7\u00e3o de poss\u00edvel risco para o beb\u00ea \u00e9 o cord\u00e3o umbilical ao redor do pesco\u00e7o, por\u00e9m, se ele estiver bem, n\u00e3o h\u00e1 problema em realizar o parto normal. &#8220;Se [o cord\u00e3o] estiver apertando, vai menos sangue e oxig\u00eanio para o beb\u00ea e diminui o batimento card\u00edaco [dele]. Mas, se o m\u00e9dico perceber que est\u00e1 tudo certo com o batimento, mesmo com o cord\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 risco&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O rompimento da bolsa amni\u00f3tica \u00e9 um sinal de que o beb\u00ea est\u00e1 a caminho, mas n\u00e3o \u00e9, necessariamente, alerta de desespero. &#8220;Para o beb\u00ea nascer, tem de ter contra\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o tem, n\u00e3o precisa sair correndo para o hospital. Estudos mostram uma tend\u00eancia de a mulher poder ficar seis horas sem chegar ao hospital [depois que a bolsa estoura]&#8221;, afirma Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Quando o beb\u00ea quiser &#8211;<\/strong>\u00a0Muitas mulheres e m\u00e9dicos consideram que 40 semanas \u00e9 a data limite para o beb\u00ea nascer e que, se passar disso, h\u00e1 riscos. Esse per\u00edodo, por\u00e9m, \u00e9 apenas a data prov\u00e1vel do parto e pode variar de sete a dez dias, para mais ou para menos, segundo o obstetra. &#8220;De 90% a 95% dos trabalhos de parto, a mulher j\u00e1 desencadeou de 40 para 41 semanas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para o especialista, a hora certa \u00e9 quando o beb\u00ea quiser. E ele d\u00e1 sinais. &#8220;Quando o nen\u00e9m est\u00e1 maduro, ele produz uma subst\u00e2ncia no pulm\u00e3o que vai, pelo cord\u00e3o umbilical, para o sangue materno e vai fazer com que a m\u00e3e libere horm\u00f4nios para entrar em trabalho de parto&#8221;, explica o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para liberar ocitocina, o chamado horm\u00f4nio do amor e que ajuda no parto, a mulher precisa estar tranquila. Se ela estiver preocupada, o n\u00edvel de cortisol (horm\u00f4nio do estresse) aumenta e dificulta o processo, pois reduz a ocitocina. Por isso, Guimar\u00e3es ressalta a import\u00e2ncia de passar seguran\u00e7a \u00e0 mulher, ouvir como ela quer que o parto seja realizado e tirar todas as d\u00favidas poss\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Humaniza\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong>\u00a0Segundo Guimar\u00e3es, levar o beb\u00ea para exames &#8216;urgentes&#8217; assim que nasce \u00e9 desnecess\u00e1rio. &#8220;Se o beb\u00ea nasceu vigoroso, tem de ir para o colo da m\u00e3e. \u00c9 dela, devolve para ela. Quando ela abra\u00e7a e fica, por exemplo, nesse tempo que o cord\u00e3o continua pulsando, eles est\u00e3o ligados, e os horm\u00f4nios de ocitocina v\u00e3o para a m\u00e3e e para o beb\u00ea&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico diz que a avalia\u00e7\u00e3o do beb\u00ea na fase inicial pode ser feita com ele ainda no ventre da m\u00e3e, e o teste do pezinho pode ser realizado em at\u00e9 48 horas ap\u00f3s o parto. O m\u00e9dico atenta para exames mais b\u00e1sicos e dispon\u00edveis que devem ser feitos no pr\u00e9-natal, como pesquisa de s\u00edfilis.<\/p>\n<p>Mesmo dentro da defesa do parto humanizado, a ces\u00e1rea n\u00e3o \u00e9 descartada. &#8220;Eu acho que quando a gente deixa muito claro que o parto normal \u00e9 o mais seguro, e o mundo inteiro vai nessa linha, n\u00e3o est\u00e1 jogando fora a possibilidade de fazer ces\u00e1rea. Ela \u00e9 muito necess\u00e1ria e bem-vinda e pode fazer a diferen\u00e7a para o beb\u00ea e a m\u00e3e&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ainda assim, o procedimento cir\u00fargico, que \u00e9 indicado para gesta\u00e7\u00f5es de alto risco ou quando precisam ser interrompidas, pode seguir um caminho humanizado. &#8220;Sala com temperatura boa, dar o beb\u00ea para a m\u00e3e ainda no cord\u00e3o. Nesse momento, a gente est\u00e1 investindo no nascimento. Quando tira o foco do parto, normal ou ces\u00e1rea, e foca no nascimento, ajuda a mulher a entender que ela fez o melhor&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es refor\u00e7a a necessidade de uma rela\u00e7\u00e3o de respeito entre m\u00e9dico e paciente. &#8220;Tem de cair a ficha que n\u00f3s [m\u00e9dicos] n\u00e3o estamos aqui para fazer o que queremos, mas olhar o que a mulher est\u00e1 precisando e querendo viver. Estando a mulher e o beb\u00ea bem, n\u00e3o tem motivos pra negar [o parto normal]&#8221;, afirma. Assim, \u00e9 preciso conversar, ter confian\u00e7a e, caso o m\u00e9dico perceba que uma vontade da mulher n\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel, ele deve orient\u00e1-la sobre riscos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ludimila Honorato Algumas cren\u00e7as podem induzir as mulheres a optar pelo parto ces\u00e1rea sem, ao menos, considerar o normal. 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