{"id":153267,"date":"2017-09-16T13:05:39","date_gmt":"2017-09-16T16:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=153267"},"modified":"2017-09-16T13:05:39","modified_gmt":"2017-09-16T16:05:39","slug":"estiagem-transforma-florestas-em-verdadeiras-fogueiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estiagem-transforma-florestas-em-verdadeiras-fogueiras\/","title":{"rendered":"Estiagem transforma florestas em verdadeiras fogueiras"},"content":{"rendered":"<p><strong>L\u00e9o Rodrigues\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O m\u00eas de setembro \u00e9 historicamente o que mais registra inc\u00eandios florestais no Brasil. E 2017 n\u00e3o \u00e9 diferente. Nas \u00faltimas semanas, por exemplo, o fogo causou estragos no Parque Estadual do Araguaia, em Mato Grosso, e na Serra dos Pirineus, em Goi\u00e2nia. Em Minas Gerais, a Serra do Rola Mo\u00e7a viu mais de mil hectares serem consumidos pelas chamas. Inc\u00eandios atingem tamb\u00e9m terras da aldeia ind\u00edgena Bacurizinho, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o monitoramento feito por sat\u00e9lites pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve apenas tr\u00eas ocasi\u00f5es desde 1998 que os registros de queimadas no m\u00eas de setembro foram superados. Em duas delas, agosto contabilizou mais inc\u00eandios e, na outra, outubro. Em 2017, j\u00e1 se pode afirmar com seguran\u00e7a que setembro vai superar agosto. Mesmo estando no meio do m\u00eas, j\u00e1 foram registrados mais de 44 mil focos, contra 49 mil de todo o m\u00eas passado.<\/p>\n<p>O monitoramento por sat\u00e9lites do Inpe integra o Ciman Virtual, um sistema vinculado ao Centro Integrado Multiag\u00eancias de Coordena\u00e7\u00e3o Operacional e Federal. Ele re\u00fane, em tempo real, informa\u00e7\u00f5es, fotos e detalhes do combate aos inc\u00eandios. Essa diversidade de dados \u00e9 fornecida por diversos \u00f3rg\u00e3os federais, entre eles, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), a Pol\u00edcia Federal e as For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para os meses de agosto, setembro e outubro serem tradicionalmente os mais cr\u00edticos est\u00e1 no clima. Diversos estados registram neste per\u00edodo de estiagem as menores taxas de umidade relativa do ar. Mas, apesar das condi\u00e7\u00f5es naturais serem favor\u00e1veis \u00e0 ocorr\u00eancia e propaga\u00e7\u00e3o de queimadas, elas t\u00eam origem na a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>&#8220;Inc\u00eandios naturais s\u00e3o decorrentes de raios. Assim, \u00e9 praticamente certo que as queimadas que se concentram nos dias mais secos e quentes s\u00e3o provocadas pelo homem, por neglig\u00eancia, imper\u00edcia, imprud\u00eancia ou mesmo por dolo\u201d, informou em nota a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel de Minas Gerais (Semad).<\/p>\n<p>Na explica\u00e7\u00e3o da Semad, inc\u00eandios naturais s\u00e3o mais comuns na primavera e at\u00e9 mesmo no ver\u00e3o, quando h\u00e1 ocorr\u00eancia de raios. Esta\u00e7\u00f5es, segundo o \u00f3rg\u00e3o ambiental, em que a umidade relativa do ar est\u00e1 alta e, em alguns casos, \u201ca vegeta\u00e7\u00e3o ainda guarda bastante umidade, o que torna as chamas menos intensas e as consequ\u00eancias normalmente muito brandas&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as formas de come\u00e7ar um inc\u00eandio por a\u00e7\u00e3o humana, a Semad cita fogueiras mal apagadas, limpeza de pastagens com fogo, queima de restos de folhas ou lixo, uso de foguetes. H\u00e1 ainda os casos intencionais.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, h\u00e1 registros de queimadas vinculadas a disputas fundi\u00e1rias, a atos de vandalismo, a a\u00e7\u00f5es de retalia\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica de ca\u00e7a, acrescenta a secretaria. At\u00e9 mesmo inc\u00eandios causados por crian\u00e7as j\u00e1 foram registrados. &#8220;Nos meses de agosto a outubro, qualquer pequena fagulha pode se tornar um grande inc\u00eandio potencializado pela a\u00e7\u00e3o dos ventos&#8221;, informa tamb\u00e9m o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.<\/p>\n<p>O Artigo 41 da Lei Federal 9.605\/1998, que trata dos crimes ambientais, estabelece que o ato de provocar uma queimada florestal \u00e9 pun\u00edvel com pena de dois a quatro anos de reclus\u00e3o e multa de R$ 3.489,64. Se o ato n\u00e3o for intencional, \u00e9 caracterizado como culposo, com pena de seis meses a um ano, al\u00e9m da multa.<\/p>\n<p>No dia 28 de agosto uma guarni\u00e7\u00e3o de bombeiros, que estava de prontid\u00e3o na Serra do Rola Mo\u00e7a, prendeu tr\u00eas homens em flagrante, suspeitos de atear fogo dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Um deles foi indiciado por crime ambiental.<\/p>\n<p>Segundo dados da Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Prisional de Minas Gerais (Seap), sete pessoas est\u00e3o atualmente detidas no estado enquadradas no Artigo 41 da Lei Federal 9.605\/1998. O Corpo de Bombeiro de Minas Gerais estima que, no caso espec\u00edfico das unidades de conserva\u00e7\u00e3o, 99,9% de todas as queimadas ocorrem por causa humana.<\/p>\n<p>Alguns estados t\u00eam legisla\u00e7\u00f5es complementares. Em Mato Grosso, esse tipo de crime \u00e9 tamb\u00e9m pun\u00edvel conforme decreto estadual que permite ao governo estabelecer anualmente um per\u00edodo de restri\u00e7\u00e3o ao uso do fogo para limpeza e manejo de \u00e1reas rurais. Este ano, ele come\u00e7ou em 15 de julho e vai at\u00e9 30 de setembro, podendo ser prorrogado em raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Infratores est\u00e3o sujeitos a uma pena de seis meses a quatro anos de pris\u00e3o e autua\u00e7\u00f5es que podem variar entre R$ 7,5 mil e R$ 1 mil por hectare.<\/p>\n<p><strong>Focos de calor<\/strong> &#8211; O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso tem se esfor\u00e7ado para orientar a popula\u00e7\u00e3o a adotar medidas simples, como evitar jogar guimbas de cigarro \u00e0s margens de rodovias ou dentro dos parques, n\u00e3o colocar fogo em lixo e n\u00e3o realizar queimadas para limpeza de lotes vagos.<\/p>\n<p>&#8220;Em alguns munic\u00edpios do estado, n\u00e3o chove desde o final de junho. E estamos vendo a a\u00e7\u00e3o desastrosa e criminosa do homem, que emprega indevidamente o fogo neste per\u00edodo cr\u00edtico&#8221;, diz o tenente Paulo Andr\u00e9 Barroso, comandante do Batalh\u00e3o de Emerg\u00eancias Ambientais do Corpo de Bombeiros.<\/p>\n<p>Apesar da preocupa\u00e7\u00e3o, o estado vem contabilizando menos inc\u00eandios em compara\u00e7\u00e3o com 2016. De 1\u00ba de janeiro a 10 de julho de 2017, Mato Grosso registrou 6.151 focos de calor, volume 18% inferior ao contabilizado no mesmo per\u00edodo do ano passado, quando foram registrados 7.497 focos de calor.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Minas Gerais, o volume de inc\u00eandios nesta \u00e9poca do ano supera o registrado no ano passado. Segundo o Corpo de Bombeiros, somente no interior ou arredores das unidades de conserva\u00e7\u00e3o estaduais, foram registrados de janeiro a agosto 385 ocorr\u00eancias de focos de calor. No mesmo per\u00edodo de 2016, houve 364 ocorr\u00eancias. Focos de calor s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie terrestre que indicam grande possibilidade de ocorr\u00eancia de fogo, mas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente um inc\u00eandio, podendo ser uma queima controlada ou ainda um falso alerta.<\/p>\n<p>A manipula\u00e7\u00e3o inadequada do fogo traz riscos n\u00e3o apenas para o meio ambiente, mas tamb\u00e9m para o respons\u00e1vel muitas vezes dentro de sua pr\u00f3pria propriedade. Dados do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais mostram que, dos 5,7 mil chamados recebidos em 2016 relacionados com inc\u00eandios em vegeta\u00e7\u00e3o, 3,3 mil diziam respeito a lotes vagos. Outros 93 eram ocorr\u00eancias dentro de unidades de conserva\u00e7\u00e3o estaduais e o restante envolvia outras \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Unidades federais<\/strong> &#8211; O\u00a0ICMBio, respons\u00e1vel pela gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais, avalia que vem conseguindo aprimorar o trabalho e reduzir o impacto dos estragos. &#8220;Desde o in\u00edcio do ano, foram afetados cerca de 350 mil hectares no interior de unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais. Em anos anteriores, secos como 2017, a m\u00e9dia aproximada foi de 500 mil hectares&#8221;, disse Christian Berlinck, coordenador de combate e preven\u00e7\u00e3o de Inc\u00eandios do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ele, uma estrat\u00e9gia de maior planejamento aliada ao melhor conhecimento do tema vem tornando as a\u00e7\u00f5es mais eficientes. Por outro lado, ele avalia que os resultados poderiam ser melhores n\u00e3o fosse o contexto de crise econ\u00f4mica. &#8220;Na atual situa\u00e7\u00e3o, os recursos financeiros s\u00e3o um entrave. Com mais recursos, a possibilidade de contrata\u00e7\u00e3o de maior efetivo e mais equipamentos seriam maiores&#8221;.<\/p>\n<p>Berlinck avalia que dificilmente o Brasil vivenciaria uma trag\u00e9dia similar ao que ocorreu em junho em Portugal, quando mais de 60 pessoas morreram carbonizadas em uma estrada que atravessa uma \u00e1rea florestal que estava em chamas.<\/p>\n<p>&#8220;A vegeta\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de queima nos dois pa\u00edses \u00e9 diferente. Aqui, o fogo \u00e9 normalmente de superf\u00edcie e subterr\u00e2neo. N\u00e3o \u00e9 de copa de \u00e1rvores, como ocorreu em Portugal. Al\u00e9m disso, no caso das unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais, a maioria dos inc\u00eandios n\u00e3o s\u00e3o periurbanos e ocorrem longe das vilas&#8221;.<\/p>\n<p>De toda forma, no combate ao fogo na Serra do Rola Mo\u00e7a, o governo de Minas Gerais n\u00e3o hesitou em interromper o tr\u00e2nsito na estrada que corta a unidade de conserva\u00e7\u00e3o. &#8220;A press\u00e3o para libera\u00e7\u00e3o da via foi intensa e bastante hostil. Mas uma estrada com labaredas elevadas e ve\u00edculos circulando s\u00e3o os ingredientes para uma trag\u00e9dia. O caso de Portugal e tantos outros em diversos pa\u00edses devem ser sempre lembrados&#8221;, informou a Semad.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e9o Rodrigues\u00a0 O m\u00eas de setembro \u00e9 historicamente o que mais registra inc\u00eandios florestais no Brasil. E 2017 n\u00e3o \u00e9 diferente. 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