{"id":153301,"date":"2017-09-17T08:28:00","date_gmt":"2017-09-17T11:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=153301"},"modified":"2017-09-17T08:41:00","modified_gmt":"2017-09-17T11:41:00","slug":"universidades-comecam-temer-por-transtornos-dos-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/universidades-comecam-temer-por-transtornos-dos-estudantes\/","title":{"rendered":"Universidades come\u00e7am a temer por transtornos dos estudantes"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fabiana Cambricoli, Luiz Fernando Toledo<\/strong><\/p>\n<p>A euforia sentida por Evair Canella, de 25 anos, ao entrar em Medicina na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) se transformou em ang\u00fastia e tristeza. Ao encarar a press\u00e3o por boas notas, a extenuante carga hor\u00e1ria de aulas, as dificuldades financeiras para se manter no curso e os coment\u00e1rios preconceituosos por ser gay, ele foi definhando.<\/p>\n<p>&#8220;Tinha muitas responsabilidades, com muitas horas de estudo.&#8221; Em maio, no 4.\u00ba ano do curso, foi internado no Instituto de Psiquiatria da USP, com depress\u00e3o grave. Ficou l\u00e1 durante um m\u00eas e segue com antidepressivos e acompanhamento psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o parecida viveu a estudante de Engenharia da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) B\u00e1rbara (nome fict\u00edcio), de 21 anos, que trancou a matr\u00edcula ap\u00f3s desenvolver um quadro de ansiedade e depress\u00e3o que a levou \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o e a uma tentativa de suic\u00eddio no fim de 2016. Ela passou por tratamento, mudou de cidade e de faculdade, e retomou em agosto os estudos.<\/p>\n<p>Relatos como esses se tornaram cada vez mais frequentes e mobilizam universidades e movimentos estudantis a estruturar grupos de preven\u00e7\u00e3o e combate aos transtornos mentais. As a\u00e7\u00f5es, para oferecer ajuda ou prevenir problemas como depress\u00e3o e suic\u00eddio, incluem a cria\u00e7\u00e3o de n\u00facleos de atendimento mental, palestras e at\u00e9 o acompanhamento de p\u00e1ginas dos alunos nas redes sociais.<\/p>\n<p>Dados obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o d\u00e3o uma ideia da gravidade do problema. Apenas na UFSCar, foram 22 tentativas de suic\u00eddio nos \u00faltimos cinco anos. Nas universidades federais de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e do ABC (UFABC), cinco estudantes concretizaram o ato no mesmo per\u00edodo. Mapeamento feito pela UFABC mostrou que 11% de seus alunos que trancaram a matr\u00edcula em 2016 o fizeram por problemas psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A falta de compreens\u00e3o de parte dos docentes \u00e9 uma das principais queixas. &#8220;Alguns parecem ter orgulho em pressionar, reprovar&#8221;, conta B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Andr\u00e9 Lu\u00eds Masieiro, do Departamento de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade da UFSCar, diz que a busca por aux\u00edlio psicol\u00f3gico est\u00e1 frequentemente ligada \u00e0 exig\u00eancia constante que se faz dos jovens. &#8220;Sem d\u00favidas h\u00e1 um aumento do fen\u00f4meno da depress\u00e3o em universit\u00e1rios. A amea\u00e7a do desemprego e do fracasso profissional s\u00e3o fatores desencadeantes de depress\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A UFSCar informou ainda que, entre outras iniciativas, distribuiu cartilha de pr\u00e1ticas de acolhimento em sa\u00fade mental para docentes e funcion\u00e1rios que recebem alunos em situa\u00e7\u00e3o de sofrimento psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Para combater o problema, institui\u00e7\u00f5es tentam, aos poucos, se aproximar dos alunos. Na Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, s\u00e3o estrat\u00e9gias a indica\u00e7\u00e3o de professor mentor para quem teve mudan\u00e7a repentina no rendimento acad\u00eamico e a participa\u00e7\u00e3o de grupos estudantis nas redes sociais.<\/p>\n<p>Na Federal de Minas Gerais (UFMG), foram criados neste ano dois n\u00facleos de sa\u00fade mental, ap\u00f3s dois suic\u00eddios entre alunos. At\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 a Medicina tinha atendimento do tipo. &#8220;Se um fato j\u00e1 aconteceu, \u00e9 sinal de que falhamos no processo&#8221;, diz a vice-reitora Sandra Almeida.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Federal da Bahia (UFBA) criou, tamb\u00e9m em 2017, programa para prevenir e ajudar alunos, principalmente os de baixa renda. &#8220;Os cotistas sofreram rejei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo de alguns professores&#8221;, diz o psicanalista e assessor da UFBA Marcelo Veras.<\/p>\n<p><b>Mobiliza\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Alunos tamb\u00e9m t\u00eam criado grupos para auxiliar colegas e sensibilizar as institui\u00e7\u00f5es. A principal iniciativa do tipo foi a Frente Universit\u00e1ria de Sa\u00fade Mental, criada em abril por alunos de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O movimento surgiu ap\u00f3s tentativas de suic\u00eddio na Medicina da USP. &#8220;Eram muitos alunos com esgotamento, sem acompanhamento adequado, e percebemos que isso n\u00e3o era particularidade da Medicina&#8221;, conta a aluna do curso Karen Maria Terra, de 23 anos, da Frente. Eles organizaram, em junho, uma semana de palestras para abordar quest\u00f5es sobre a sa\u00fade mental. A p\u00e1gina do grupo no Facebook tem 27 mil seguidores.<\/p>\n<p>Alunos da Veterin\u00e1ria da USP tamb\u00e9m criaram uma p\u00e1gina no Facebook para desabafar. &#8220;Eu vejo meus colegas surtando, e a gente fala pouco sobre isso. A cria\u00e7\u00e3o da Frente nos mostra que n\u00e3o estamos sozinhos.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabiana Cambricoli, Luiz Fernando Toledo A euforia sentida por Evair Canella, de 25 anos, ao entrar em Medicina na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) se transformou em ang\u00fastia e tristeza. 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