{"id":154899,"date":"2017-09-30T08:42:56","date_gmt":"2017-09-30T11:42:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=154899"},"modified":"2017-09-30T09:26:24","modified_gmt":"2017-09-30T12:26:24","slug":"produtor-pisa-em-ovos-para-colocar-carne-no-mercado-europeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/produtor-pisa-em-ovos-para-colocar-carne-no-mercado-europeu\/","title":{"rendered":"Produtor pisa em ovos para colocar carne no mercado europeu"},"content":{"rendered":"<p><strong>Lu Aiko Otta e Jamil Chade<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do in\u00edcio de uma rodada decisiva das negocia\u00e7\u00f5es do acordo entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, na pr\u00f3xima semana, o vazamento da oferta que os europeus dever\u00e3o fazer para o com\u00e9rcio de carnes e de etanol provocou forte rea\u00e7\u00e3o do lado sul-americano. Ela ficou muito abaixo do esperado, o que indica que as conversas ser\u00e3o duras. Isso coloca em risco o objetivo assumido pelos dois lados de fechar um &#8220;acordo pol\u00edtico&#8221; at\u00e9 dezembro.<\/p>\n<p>At\u00e9 a noite de ontem, o Itamaraty n\u00e3o havia recebido formalmente nenhuma comunica\u00e7\u00e3o dos europeus, que est\u00e3o profundamente divididos e t\u00eam dificuldades de chegar a uma proposta consensual Tudo indicava, por\u00e9m, que eles trar\u00e3o para a rodada de negocia\u00e7\u00f5es os n\u00fameros que circularam informalmente na quinta-feira.<\/p>\n<p>A UE se prop\u00f5e a importar, anualmente, at\u00e9 70 mil toneladas de carne e 600 mil toneladas de etanol. A expectativa era que, no m\u00ednimo, viesse uma oferta igual \u00e0 que estava sobre a mesa em 2004, quando as negocia\u00e7\u00f5es pararam: 100 mil toneladas de carne e 1 milh\u00e3o de toneladas de etanol.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1&#8221;, reagiu o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli. &#8220;Os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o palat\u00e1veis.&#8221; O setor esperava ser autorizado a exportar at\u00e9 390 mil toneladas por ano. Essa cota j\u00e1 est\u00e1 negociada e dividida entre os s\u00f3cios do Mercosul.<\/p>\n<p>Em 2004, a UE tinha 15 membros e se propunha a comprar 100 mil toneladas de carne do Mercosul. Agora, com 28 membros, a disposi\u00e7\u00e3o de compra caiu para 70 mil toneladas. &#8220;\u00c9 uma quantia que chega a ser rid\u00edcula quando comparada \u00e0 prefer\u00eancia que os europeus v\u00e3o obter no mercado consumidor do Brasil&#8221;, disse Pedro de Camargo Neto, representante da Sociedade Rural Brasileira.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o foi semelhante no setor de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool. &#8220;Est\u00e1 muito abaixo do aceit\u00e1vel&#8221;, disse o diretor executivo da Uni\u00e3o da Ind\u00fastria de Cana de A\u00e7\u00facar (Unica), Eduardo Le\u00e3o de Sousa.<\/p>\n<p>A cota de 600 mil toneladas era o m\u00ednimo esperado para o \u00e1lcool carburante. Al\u00e9m dessa, o setor esperava a libera\u00e7\u00e3o sem cotas para a venda de etanol para uso industrial. Al\u00e9m do etanol, o setor espera uma abertura para o mercado de a\u00e7\u00facar. &#8220;Para n\u00f3s, \u00e9 fundamental que entre na oferta&#8221;, disse Sousa.<\/p>\n<p><b>Conversas &#8211;\u00a0<\/b>&#8220;Essa \u00e9 a fase mais delicada, mais melindrosa das negocia\u00e7\u00f5es&#8221;, disse ao Estado o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Aloysio Nunes. &#8220;Mas \u00e9 hora de colocar a oferta na mesa para come\u00e7ar a negociar.&#8221;<\/p>\n<p>O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se mostrou pouco impressionado com a suposta oferta inicial dos europeus. &#8220;Negociador trabalha assim mesmo&#8221;, comentou. &#8220;Com certeza devemos continuar a insistir.&#8221; Ele explicou que, na \u00e1rea agr\u00edcola, os europeus t\u00eam interesse de abrir mercados no Mercosul para produtos l\u00e1cteos e vinho.<\/p>\n<p>Se os sul-americanos acharam a oferta muito modesta, agricultores europeus prometeram organizar protestos na pr\u00f3xima quarta-feira. O bloco est\u00e1 dividido quanto ao acordo com o Mercosul. Alemanha, It\u00e1lia, Espanha e Portugal e outros quatro pa\u00edses insistem em avan\u00e7ar para garantir acesso a um mercado avaliado em mais de \u00a4 150 bilh\u00f5es. Numa carta enviada \u00e0 Comiss\u00e3o, esses governos pedem que o processo seja acelerado e que uma oferta seja apresentada.<\/p>\n<p>Mas onze dos 28 governos do bloco rejeitam a abertura, principalmente em um momento de fortalecimento de partidos de extrema-direita pelo continente em busca justamente dos setores afetados pelo com\u00e9rcio. &#8220;Quero um acordo com o Mercosul. Mas quero ver nossos padr\u00f5es protegidos e nossos fazendeiros protegidos&#8221;, disse o primeiro-ministro irland\u00eas, Leo Varadkar.<\/p>\n<p>&#8220;A Comiss\u00e3o est\u00e1 amplamente consciente das sensibilidades de alguns setores e j\u00e1 compartilhou isso com os negociadores do Mercosul&#8221;, disse a Comiss\u00e3o Europeia, em nota ao Estado. &#8220;O futuro acordo com o Mercosul vai levar em conta a sensibilidade de alguns produtos para os fazendeiros europeus e estar\u00e3o sujeitos a cotas.&#8221;<\/p>\n<p><b>Ind\u00fastria &#8211;\u00a0<\/b>A abertura do mercado sul-americano para industrializados europeus dever\u00e1 ocorrer de forma &#8220;gradual e respons\u00e1vel&#8221;, disse o ministro da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os, Marcos Pereira. &#8220;Entramos na etapa decisiva das negocia\u00e7\u00f5es, e o Mercosul est\u00e1 preparado para buscar acordo equilibrado, que nos amplie oportunidades.&#8221;<\/p>\n<p>Tachada no passado como principal foco de resist\u00eancia ao acordo por temer a concorr\u00eancia europeia, a ind\u00fastria brasileira agora v\u00ea ganhos na conclus\u00e3o da atual rodada. &#8220;Em uma lista de 1.000 produtos em que o Brasil tem chance de competir na Europa, 67% enfrentam tarifas&#8221;, disse o gerente de Negocia\u00e7\u00f5es Internacionais da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Fabrizio Panzini.<\/p>\n<p>Os avi\u00f5es da Embraer, por exemplo, precisam pagar tarifa de 3% para entrar na Europa. Os cal\u00e7ados s\u00e3o taxados com at\u00e9 20% e os produtos qu\u00edmicos, com 3% a 8%. Um acordo ajudaria a reduzir essas tarifas e a dar melhores condi\u00e7\u00f5es de competi\u00e7\u00e3o aos produtos brasileiros.<\/p>\n<p>H\u00e1 ganhos tamb\u00e9m em outras frentes, como por exemplo o acordo de compras governamentais. Ele vai garantir que, numa lista de produtos comprados pelas administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas europeias, os fornecedores brasileiros tenham as mesmas condi\u00e7\u00f5es dos fabricantes locais. E vice-versa. Trata-se de um mercado de US$ 1,6 trilh\u00e3o.<\/p>\n<p>O acordo contempla tamb\u00e9m regras para facilitar investimentos europeus no Mercosul e vice-versa. &#8220;O acordo traz oportunidade para aumentar o investimento europeu no Brasil e gera fluxo de com\u00e9rcio grande&#8221;, disse Panzini.<\/p>\n<p>A proposta apresentada pela ind\u00fastria do Mercosul prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o gradual de tarifas de importa\u00e7\u00e3o cobradas sobre quase 90% dos produtos. A queda ocorrer\u00e1 ao longo de 10 a 15 anos, mas em alguns produtos a abertura ocorrer\u00e1 mais r\u00e1pido, num prazo de dois a oito anos. Na via oposta, o Mercosul quer que os europeus &#8220;zerem&#8221; de imediato tarifas de importa\u00e7\u00e3o que se propuseram a eliminar em prazos como quatro e oito anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu Aiko Otta e Jamil Chade \u00c0s v\u00e9speras do in\u00edcio de uma rodada decisiva das negocia\u00e7\u00f5es do acordo entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, na pr\u00f3xima semana, o vazamento da oferta que os europeus dever\u00e3o fazer para o com\u00e9rcio de carnes e de etanol provocou forte rea\u00e7\u00e3o do lado sul-americano. 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