{"id":155851,"date":"2017-10-08T09:26:35","date_gmt":"2017-10-08T12:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=155851"},"modified":"2017-10-08T14:03:05","modified_gmt":"2017-10-08T17:03:05","slug":"jovens-brasileiros-apostam-mais-nas-escolas-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jovens-brasileiros-apostam-mais-nas-escolas-americanas\/","title":{"rendered":"Jovens brasileiros apostam mais nas escolas americanas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Isabela Palhares e Paula Felix<\/strong><\/p>\n<p>O total de brasileiros cursando a gradua\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos cresceu 65,8% entre 2011 e 2016. Coordenadores de escolas particulares de S\u00e3o Paulo dizem que o aumento na procura pelo ensino superior fora do Pa\u00eds se deve ao curr\u00edculo mais flex\u00edvel e voltado ao mercado de trabalho e \u00e0 crise nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas brasileiras, que t\u00eam sofrido com cortes de verba.<\/p>\n<p>No ano letivo americano de 2015-2016, \u00faltimo dado do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Internacional, dos Estados Unidos, o Brasil tinha 6 990 alunos em gradua\u00e7\u00f5es &#8211; cinco anos antes eram 4.215. Com a crise econ\u00f4mica no Pa\u00eds, n\u00e3o houve queda de calouros brasileiros, mas ritmo menor de crescimento. Entre 2014-2015 e o per\u00edodo seguinte, a alta foi de 1,7%.<\/p>\n<p>No 3\u00ba ano do ensino m\u00e9dio do Col\u00e9gio Bandeirantes, na zona sul, Adriely Costa, de 16 anos, espera entrar nesse grupo. Desde o 9 \u00ba ano do ensino fundamental ela se prepara para fazer um curso na \u00e1rea de neg\u00f3cios. &#8220;N\u00e3o me identifico muito com as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas brasileiras. A USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) nunca me atraiu porque \u00e9 muito focada em pesquisa e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o voltada para o mercado.&#8221;<\/p>\n<p>Ela vai tentar a Fuvest, vestibular da USP, mas essa \u00e9 a \u00faltima op\u00e7\u00e3o. Segundo professores de escolas privadas, os alunos temem enfrentar longas greves ou gradua\u00e7\u00f5es com pouco investimento no ensino p\u00fablico. Se ficar no Pa\u00eds, Adriely diz preferir uma escola privada de ponta, como Insper ou Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um movimento que tem crescido com muita for\u00e7a. Antes, era muito mais comum o aluno fazer s\u00f3 um interc\u00e2mbio enquanto cursava a faculdade aqui no Brasil ou ia fazer uma p\u00f3s no exterior. Agora, eles est\u00e3o se adiantando e querem fazer toda a gradua\u00e7\u00e3o nos EUA&#8221;, diz Jos\u00e9 Olavo de Amorim, coordenador de assuntos internacionais do Bandeirantes. Em 2014, o col\u00e9gio teve 17 alunos aprovados em universidades estrangeiras. No ano passado, foram 28.<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1, h\u00e1 liberdade maior para montar a grade de disciplinas. Em algumas institui\u00e7\u00f5es, o aluno s\u00f3 vai escolher a especializa\u00e7\u00e3o no fim do 2.\u00ba ano e pode trocar de op\u00e7\u00e3o at\u00e9 tr\u00eas vezes. Aqui, se mudar de ideia, tem de abandonar a faculdade e fazer cursinho&#8221;, explica Amorim, que tamb\u00e9m aponta a baixa internacionaliza\u00e7\u00e3o das faculdades brasileiras como problema.<\/p>\n<p>O fato de as institui\u00e7\u00f5es de l\u00e1 considerarem aspectos al\u00e9m da nota na sele\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conta a favor. &#8220;Nos Estados Unidos h\u00e1 os exames que o aluno deve fazer, mas ele passa por um processo que pesquisa hist\u00f3rico escolar, tem cartas de recomenda\u00e7\u00e3o e as atividades dentro e fora da escola s\u00e3o avaliadas &#8211; como esportes ou se toca um instrumento&#8221;, diz Mateus Benarr\u00f3s, fundador da Apply Brasil, empresa que auxilia alunos no processo de admiss\u00e3o no exterior.<\/p>\n<p>A gradua\u00e7\u00e3o no exterior custa caro. Por ano, estima Benarr\u00f3s, fica entre US$ 40 e US$ 60 mil (entre R$ 125 mil e R$ 190 mil), sem contar outras despesas, como de moradia.<\/p>\n<p><b>Perfil &#8211;\u00a0<\/b>No Col\u00e9gio Dante Alighieri, na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, cerca de 10% dos alunos que fazem o high school &#8211; a escola oferece o ensino m\u00e9dio no modelo americano &#8211; querem fazer a gradua\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos. Em 2009, quando o col\u00e9gio passou a ter o programa, o porcentual n\u00e3o chegava a 5%.<\/p>\n<p>Os alunos que mais procuram a gradua\u00e7\u00e3o no exterior s\u00e3o aqueles que querem cursos nas \u00e1reas de Artes, Comunica\u00e7\u00e3o e Economia. Eduardo Rubini, de 21 anos, se formou no Dante em 2012 e foi aceito na Universidade de Chicago, onde cursou Economia. &#8220;L\u00e1 h\u00e1 uma liberdade para escolher o que e como estudar, o que faz voc\u00ea tomar decis\u00f5es mais cedo e desenvolver uma trajet\u00f3ria profissional logo no in\u00edcio do curso.&#8221;<\/p>\n<p>Procurado para comentar a queda de interesse de alunos de escolas particulares de elite pelas universidades federais, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) disse que n\u00e3o faltam verbas para a rede. J\u00e1 a USP destacou medidas para reequilibrar as finan\u00e7as e sua boa posi\u00e7\u00e3o em rankings internacionais.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o tem dinheiro suficiente para pagar todo o curso, pesam contra o c\u00e2mbio desfavor\u00e1vel e as poucas op\u00e7\u00f5es de bolsas para a gradua\u00e7\u00e3o. Mas o sonho do interc\u00e2mbio n\u00e3o deve ser descartado. &#8220;Boas universidades brasileiras t\u00eam \u00e1rea de interc\u00e2mbio e os alunos podem aguardar para fazer uma p\u00f3s (no exterior)&#8221;, diz Andrea Tissenbaum, consultora em carreiras internacionais e autora do Blog da Tissen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabela Palhares e Paula Felix O total de brasileiros cursando a gradua\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos cresceu 65,8% entre 2011 e 2016. 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