{"id":156112,"date":"2017-10-10T13:30:16","date_gmt":"2017-10-10T16:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=156112"},"modified":"2017-10-10T13:30:16","modified_gmt":"2017-10-10T16:30:16","slug":"malaria-volta-avancar-e-deixa-saude-em-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/malaria-volta-avancar-e-deixa-saude-em-alerta\/","title":{"rendered":"Mal\u00e1ria volta a avan\u00e7ar e deixa Sa\u00fade em alerta"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"Assina\">\u00a0<strong>L\u00edgia Formenti<\/strong><\/h6>\n<p>O n\u00famero de casos de mal\u00e1ria voltou a crescer de forma preocupante no Pa\u00eds, depois de anos de queda. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Segundo a pasta, at\u00e9 julho deste ano, 88 757 pacientes foram contabilizados com a doen\u00e7a, 28% a mais do que o registrado no mesmo per\u00edodo de 2016.<\/p>\n<p>Especialistas atribuem o aumento a uma piora na organiza\u00e7\u00e3o do sistema de preven\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 doen\u00e7a. No \u00faltimo ano, a \u00e1rea do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que atuava nesse sentido sofreu profundas altera\u00e7\u00f5es &#8211; entre elas, a fus\u00e3o do departamento de mal\u00e1ria com o de dengue e a substitui\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>A pasta atribui a expans\u00e3o da mal\u00e1ria \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ao pr\u00f3prio ciclo da doen\u00e7a. O professor da Universidade de Bras\u00edlia, Pedro Tauil, no entanto, discorda desse argumento.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o houve uma mudan\u00e7a significativa do clima no \u00faltimo ano que explicasse esse avan\u00e7o&#8221;, disse ele, que acompanha h\u00e1 anos as estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a. &#8220;Al\u00e9m disso, o Pa\u00eds assistiu nos \u00faltimos anos a uma queda constante de casos da mal\u00e1ria&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Para o professor, a redu\u00e7\u00e3o de casos identificada at\u00e9 2016 afasta a hip\u00f3tese de que o aumento atual esteja associado a um eventual ciclo da doen\u00e7a. &#8220;O que ocorreu foi uma perda do prest\u00edgio pol\u00edtico desse tema.&#8221;<\/p>\n<p><b>Avan\u00e7o &#8211;\u00a0<\/b>O Par\u00e1 foi o Estado que assistiu ao maior avan\u00e7o da mal\u00e1ria no \u00faltimo ano. O n\u00famero de casos mais do que dobrou em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. At\u00e9 julho, foram contabilizados 14.904 pacientes com a infec\u00e7\u00e3o. No Amazonas, a expans\u00e3o tamb\u00e9m foi muito expressiva. At\u00e9 julho, foram 39.558 casos, 43% a mais do que no mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>&#8220;O fato preocupa bastante. A mal\u00e1ria estava em constante decl\u00ednio, o sistema estava relativamente organizado, os munic\u00edpios trabalhavam de forma adequada&#8221;, afirmou o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP), Marcos Boulos.<\/p>\n<p>Para o professor da FMUSP, um dos sinais da perda de espa\u00e7o do combate \u00e0 mal\u00e1ria no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 a desativa\u00e7\u00e3o do comit\u00ea assessor, um grupo de especialistas que tradicionalmente \u00e9 convocado para discutir a situa\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a no Pa\u00eds. Neste ano, o grupo completo n\u00e3o se reuniu nenhuma vez. Apenas o subcomit\u00ea, se reuniu uma vez para discutir tratamentos. &#8220;O assunto n\u00e3o faz mais parte da rotina&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ele citou ainda algumas mudan\u00e7as da equipe &#8220;n\u00e3o t\u00e9cnicas, mas pol\u00edticas&#8221;, que acabaram influenciando negativamente as a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>A meta do minist\u00e9rio era eliminar a transmiss\u00e3o de uma das formas da doen\u00e7a, provocada pelo protozo\u00e1rio Plasmodium falciparum, o mais rapidamente poss\u00edvel. A corrida contra o rel\u00f3gio se explica. Na \u00c1sia, o plasm\u00f3dio j\u00e1 desenvolveu resist\u00eancia ao medicamento usado para tratar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de tempo. Isso tamb\u00e9m vai chegar ao Brasil, o que vai dificultar o tratamento de pacientes&#8221;, observou Tauil. &#8220;O que desej\u00e1vamos era evitar que isso ocorresse, eliminar a transmiss\u00e3o no Brasil antes da chegada do protozo\u00e1rio resistente &#8221;<\/p>\n<p><b>Controle &#8211;\u00a0<\/b>Boulos avaliou que a retomada do avan\u00e7o da doen\u00e7a no Pa\u00eds torna ainda mais distante o controle. &#8220;\u00c9 pior do que apenas recuperar o que foi perdido. A retomada de casos traz um des\u00e2nimo para popula\u00e7\u00e3o, o que tornam a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de preven\u00e7\u00e3o mais dif\u00edceis do que nas primeiras tentativas.&#8221;<\/p>\n<p>O professor da FMUSP afirmou que a melhor forma de se evitar o avan\u00e7o da doen\u00e7a \u00e9 diagnosticar e ofertar tratamento para o paciente o mais rapidamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A mal\u00e1ria \u00e9 transmitida pela picada do mosquito anopheles infectado pelo plasm\u00f3dio. &#8220;Se o mosquito n\u00e3o est\u00e1 infectado, o ciclo se rompe. Da\u00ed a import\u00e2ncia de se diagnosticar e tratar de forma r\u00e1pida&#8221;, completou Tauil, da UnB.<\/p>\n<p>Tauil tamb\u00e9m afirma ser importante o uso de mosquiteiros impregnados com inseticida, al\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o de inseticida nas paredes das casas.<\/p>\n<p>Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou haver 3.700 postos de notifica\u00e7\u00e3o para diagn\u00f3stico e tratamento da mal\u00e1ria. De acordo com a pasta, 64% dos pacientes recebem o diagn\u00f3stico e o tratamento em at\u00e9 48 horas do in\u00edcio do sintomas, o que evita a gravidade dos casos.<\/p>\n<p>A pasta informou ainda que, desde 2012, mant\u00e9m uma equipe de profissionais especialistas da \u00e1rea da sa\u00fade em munic\u00edpios priorit\u00e1rios para a mal\u00e1ria, para auxiliar as a\u00e7\u00f5es locais. Em cinco anos, foram 43 munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia apoiados. Eles tiveram uma redu\u00e7\u00e3o de quase 50% dos casos de mal\u00e1ria em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0L\u00edgia Formenti O n\u00famero de casos de mal\u00e1ria voltou a crescer de forma preocupante no Pa\u00eds, depois de anos de queda. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Segundo a pasta, at\u00e9 julho deste ano, 88 757 pacientes foram contabilizados com a doen\u00e7a, 28% a mais do que o registrado no mesmo per\u00edodo de 2016. 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