{"id":156210,"date":"2017-10-11T08:14:29","date_gmt":"2017-10-11T11:14:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=156210"},"modified":"2017-10-11T08:14:29","modified_gmt":"2017-10-11T11:14:29","slug":"unicef-aponta-indice-alarmante-de-mortes-de-jovens-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/unicef-aponta-indice-alarmante-de-mortes-de-jovens-brasileiros\/","title":{"rendered":"Unicef aponta \u00edndice alarmante de mortes de jovens brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Juliana Di\u00f3genes e Carmen Pompeu<\/strong><\/p>\n<p>Em sete anos, 43 mil adolescentes devem ser v\u00edtimas de homic\u00eddio no Pa\u00eds. Por dia, a m\u00e9dia deve ser de 16 assassinados (com idades de 12 a 18 anos) entre 2015 e 2021 se mantidos os atuais \u00edndices de viol\u00eancia. Homens, mostram as estat\u00edsticas, t\u00eam 13,5 mais risco de serem v\u00edtimas do que mulheres. O perigo para jovens negros \u00e9 2,8 vezes maior na compara\u00e7\u00e3o com brancos. O Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o mais violenta para a faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que revela um levantamento feito pelo Unicef, bra\u00e7o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a inf\u00e2ncia, Secretaria dos Direitos Humanos, o Observat\u00f3rio das Favelas e o Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise da Viol\u00eancia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A estimativa \u00e9 baseada no \u00cdndice de Homic\u00eddios na Adolesc\u00eancia (IHA), que cruza dados oficiais e considera mortes de jovens por homic\u00eddio em 300 munic\u00edpios com popula\u00e7\u00e3o acima de 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Em 2014, o IHA mostrava que, a cada mil adolescentes com 12 anos na \u00e9poca, 3,7 devem morrer por homic\u00eddio antes dos 19 anos. O \u00edndice \u00e9 alto, diz o estudo, porque uma sociedade n\u00e3o violenta deve apresentar valores pr\u00f3ximos a zero.<\/p>\n<p>O valor de 2014 \u00e9 o maior da s\u00e9rie desde o in\u00edcio do monitoramento, em 2005. O Nordeste apresentou os \u00edndices mais elevados: h\u00e1 tr\u00eas anos, a regi\u00e3o perdeu 6,5 adolescentes para cada grupo de mil pessoas, o dobro da tend\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, Gleicia Marques perdeu o filho ca\u00e7ula, de 18 anos, para a viol\u00eancia. Sem passagem pela pol\u00edcia, Arthur foi executado com seis tiros de pistola, a 400 metros da casa da av\u00f3, em Fortaleza. &#8220;Olho para esta foto todos os dias, com sede de justi\u00e7a&#8221;, diz Gleicia, mostrando a fotografia do rapaz morto, todo ensanguentado, sobre uma cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, ele havia acabado de passar em uma entrevista de emprego. &#8220;Tinha planos de comprar uma moto e estava feliz. Era um jovem comum&#8221;, conta a m\u00e3e. Mais de seis meses ap\u00f3s o crime, os motivos e o autor s\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p>O titular da Secretaria de Seguran\u00e7a e Defesa Social do Cear\u00e1, delegado Andr\u00e9 Costa, reconhece o recrudescimento na viol\u00eancia, com grande parte de \u00f3bitos ligados \u00e0 disputa de fac\u00e7\u00f5es e ao tr\u00e1fico de drogas. Ele tamb\u00e9m cobra mais apoio da Uni\u00e3o. Procurado para comentar a pesquisa, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n<p>Das dez capitais mais violentas para adolescentes, o Nordeste concentra sete. Fortaleza lidera &#8211; com 10,94 adolescentes assassinados a cada mil. Planos assistenciais federais, como o Bolsa Fam\u00edlia, e a melhoria de indicadores sociais e de renda na regi\u00e3o nos \u00faltimos anos n\u00e3o foram suficientes para controlar os homic\u00eddios no Nordeste.<\/p>\n<p>Para Ign\u00e1cio Cano, um dos autores do estudo e professor da Uerj, uma das explica\u00e7\u00f5es \u00e9 que o crescimento demogr\u00e1fico e econ\u00f4mico pode ter vindo junto de aumento das atividades criminosas. &#8220;O \u00edndice \u00e9 elevado justamente na regi\u00e3o onde os programas de transfer\u00eancia de renda foram mais fortes, mas \u00e9 preciso considerar que a melhoria de condi\u00e7\u00f5es de vida t\u00eam impacto em m\u00e9dio e longo prazo, e n\u00e3o de forma imediata&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No Pa\u00eds, a pequena cidade de Serra, na Grande Vit\u00f3ria, tem a maior taxa de adolescentes mortos: 12,74 por mil. Grande parte tem origem no tr\u00e1fico. Durante a paralisa\u00e7\u00e3o de policiais militares em fevereiro, Serra foi o munic\u00edpio capixaba que registrou maior n\u00famero de homic\u00eddios (incluindo adultos).<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que a evas\u00e3o escolar \u00e9 um dos principais fatores que levam esses adolescentes a ingressarem no mundo do crime. Estamos empenhados em colocar cada vez mais jovens nas escolas&#8221;, afirma o secret\u00e1rio de Direitos Humanos capixaba, J\u00falio Pompeu.<\/p>\n<p>Perfil. &#8220;Cruzando os dados com outras pesquisas, as v\u00edtimas s\u00e3o os jovens do sexo masculino, negros, de baixa escolaridade e moradores da periferia&#8221;, afirma Cano. E homic\u00eddios por armas de fogo s\u00e3o 6,1 mais prov\u00e1veis do que por todos os outros meios juntos.<\/p>\n<p>Para Luciana Brilhante, coordenadora do Centro de Defesa da Crian\u00e7a e do Adolescente, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que atua no setor, tem havido invers\u00e3o de prioridades, com aus\u00eancia de investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas para jovens. &#8220;E tamb\u00e9m houve recrudescimento penal, com mais encarceramento e policiamento, que n\u00e3o traz retornos efetivos&#8221;, critica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliana Di\u00f3genes e Carmen Pompeu Em sete anos, 43 mil adolescentes devem ser v\u00edtimas de homic\u00eddio no Pa\u00eds. Por dia, a m\u00e9dia deve ser de 16 assassinados (com idades de 12 a 18 anos) entre 2015 e 2021 se mantidos os atuais \u00edndices de viol\u00eancia. 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