{"id":156315,"date":"2017-10-11T21:20:27","date_gmt":"2017-10-12T00:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=156315"},"modified":"2017-10-14T10:59:34","modified_gmt":"2017-10-14T13:59:34","slug":"brasileiros-descobrem-anel-em-planeta-anao-junto-plutao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiros-descobrem-anel-em-planeta-anao-junto-plutao\/","title":{"rendered":"Brasileiros descobrem anel em planeta an\u00e3o junto a Plut\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luciano Nascimento<\/strong><\/p>\n<p>Trabalhando em conjunto com uma equipe internacional, um grupo de astr\u00f4nomos brasileiros descobriu a exist\u00eancia de um anel, similar aos do gigante Saturno, em um planeta an\u00e3o vizinho de Plut\u00e3o. A descoberta foi publicada nesta quarta (11) na revista cient\u00edfica Nature. O anel circunda Haumea, um dos planetas an\u00f5es pr\u00f3ximos a Plut\u00e3o, localizado no que os astr\u00f4nomos chamam de Cintur\u00e3o de Kuiper.<\/p>\n<p>Situado ap\u00f3s a \u00f3rbita de Netuno, o cintur\u00e3o \u00e9 composto por objetos de gelo e rochas entre os quais se destacam quatro planetas an\u00f5es: Plut\u00e3o, Eris, Makemake e Haumea. Esses objetos s\u00e3o dif\u00edceis de estudar porque s\u00e3o pequenos, brilham pouco e, devido \u00e0s enormes dist\u00e2cias, s\u00e3o dif\u00edceis de detectar mesmo com telesc\u00f3pios potentes.<\/p>\n<p>Na imagem \u00e9 poss\u00edvel observar o planeta an\u00e3o Haumea ao centro, Plut\u00e3o \u00e0 direita e o pequeno corpo celeste que tamb\u00e9m tem anel Chariklo \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>A descoberta resultou de um trabalho conjunto liderado pelo astr\u00f4nomo espanhol Jose Luis Ortiz, do Instituto de Astrof\u00edsica de Andaluzia (IAA-CSIC), e contou com a participa\u00e7\u00e3o de astr\u00f4nomos e alunos brasileiros do Observat\u00f3rio Nacional, ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC), do Observat\u00f3rio do Valongo, ligado a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Parana (UFTPR), filiados ao Laborat\u00f3rio Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA).<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de observa\u00e7\u00e3o usado pelos astr\u00f4nomos consiste em estudar as oculta\u00e7\u00f5es estelares, que \u00e9 quando esses objetos passam \u00e0 frente de uma estrela, como um pequeno eclipse. Com o m\u00e9todo foi poss\u00edvel determinar as principais caracter\u00edsticas de Haumea, como tamanho, forma e densidade, al\u00e9m do anel.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o ocorreu em 21 de janeiro e contou com a participa\u00e7\u00e3o de 12 telesc\u00f3pios de dez observat\u00f3rios europeus. &#8220;Gra\u00e7as a estas observa\u00e7\u00f5es foi poss\u00edvel reconstruir com grande precis\u00e3o a forma e o tamanho do planeta an\u00e3o Haumea e descobrir, para nossa surpresa, que ele e consideravelmente maior e reflete menos luz em compara\u00e7\u00e3o com o que acredit\u00e1vamos anteriormente. Ele \u00e9 tamb\u00e9m muito menos denso do que pens\u00e1vamos, o que respondeu a quest\u00f5es que estavam pendentes sobre este objeto&#8221;, disse Jose Ortiz.<\/p>\n<p>Segundo o professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica e Astronomia da UTF-PR, Felipe Braga Ribas, as pesquisas sobre o corpo celeste v\u00e3o continuar com a realiza\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00f5es. &#8220;Os pr\u00f3ximos passos s\u00e3o continuar observando esse objeto, fazer modelos e simula\u00e7\u00f5es sobre esse anel, ver como esse anel pode ou n\u00e3o evoluir, tentar entender do que ele \u00e9 formado e qual a influ\u00eancia da rota\u00e7\u00e3o do Haumea, que \u00e9 muito elevada, para a forma\u00e7\u00e3o desse anel&#8221;, comenta Felipe Ribas.<\/p>\n<p>A pesquisa tem import\u00e2ncia ainda, segundo o astr\u00f4nomo, por reafirmar o preparo do Brasil para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas de grande impacto na ci\u00eancia mundial. &#8220;A oportunidade desta descoberta vem do fato de n\u00f3s estarmos realizando pesquisa de ponta. Mais do que isso, proporciona trazer nossos alunos, nossas institui\u00e7\u00f5es para o destaque que esse tipo de descoberta proporciona, porque mostra que estamos juntos aos pa\u00edses que est\u00e3o realizando pesquisa de alto n\u00edvel&#8221;, ressalta o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Anel &#8211;<\/strong> A descoberta do anel foi uma surpresa para os astr\u00f4nomos. &#8220;H\u00e1 apenas alguns anos, s\u00f3 conhec\u00edamos a exist\u00eancia de aneis em torno dos planetas gigantes e h\u00e1 muito pouco tempo, o mesmo grupo descobriu tamb\u00e9m que dois pequenos corpos, Chariklo e Chiron, situados entre J\u00fapiter e Netuno, pertencentes a fam\u00edlia de objetos denominados Centauro, t\u00eam aneis densos, o que foi uma grande surpresa. Agora descobrimos que corpos mais distantes que os Centauros, maiores e com caracter\u00edsticas muito diferentes, tamb\u00e9m podem ter aneis&#8221;, afirmou o astrof\u00edsico espanhol Pablo Santos-Sanz, tamb\u00e9m coautor e membro do IAA-CSIC.<\/p>\n<p>De acordo com os dados obtidos, o anel se encontra no plano equatorial do planeta an\u00e3o, da mesma forma que seu maior sat\u00e9lite Hi\u2019iaka, e est\u00e9 em resson\u00e2ncia de 3 por 1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rota\u00e7\u00e3o de Haumea \u2013 o que significa que as part\u00edculas geladas que comp\u00f5em o anel completam uma volta em torno do planeta enquanto este gira tr\u00eas vezes em torno do seu eixo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a primeira vez que um anel \u00e9 descoberto em torno de um objeto transnetuniano o que mostra que a presen\u00e7a de aneis pode ser mais comum do que se pensava anteriormente, tanto em nosso Sistema Solar como em outros sistemas planet\u00e1rios. \u201cExistem v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para a forma\u00e7\u00e3o do anel. Ele pode ter se originado de uma colis\u00e3o com outro objeto, ou pela libera\u00e7\u00e3o de parte do material superficial devido \u00e0 r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o de Haumea&#8221;, disse Ortiz.<\/p>\n<p>Por causa da grande dist\u00e2ncia, Haumea leva 284 anos para dar uma volta em torno do Sol, em uma \u00f3rbita el\u00edptica. Em raz\u00e3o disso e de sua velocidade de rota\u00e7\u00e3o \u2013 Haumea d\u00e1 uma volta completa em seu pr\u00f3rpio eixo em 3,9 horas \u2013, muito mais r\u00e1pida que qualquer outro corpo do Sistema Solar com mais de cem quil\u00f4metros de di\u00e2metro, o planeta an\u00e3o \u00e9 achatado e possui um formato similar ao de uma bola de rugby.<\/p>\n<p>Os dados coletados mostraram ainda que Haume mede 2.320 quil\u00f4metros no seu maior lado, quase igual ao di\u00e2metro de Plut\u00e3o, mas que, ao contr\u00e1rio do que ocorre com o planeta vizinho, n\u00e3o possui uma atmosfera global. Plut\u00e3o teve sua categoria rebaixada em 2006 de planeta, para planeta an\u00e3o, ao lado de Ceres, \u00c9risa, Makemake e Haumea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano Nascimento Trabalhando em conjunto com uma equipe internacional, um grupo de astr\u00f4nomos brasileiros descobriu a exist\u00eancia de um anel, similar aos do gigante Saturno, em um planeta an\u00e3o vizinho de Plut\u00e3o. A descoberta foi publicada nesta quarta (11) na revista cient\u00edfica Nature. 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