{"id":156425,"date":"2017-10-12T20:37:59","date_gmt":"2017-10-12T23:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=156425"},"modified":"2017-10-12T22:57:43","modified_gmt":"2017-10-13T01:57:43","slug":"novo-album-de-joao-bosco-tem-participacao-dos-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/novo-album-de-joao-bosco-tem-participacao-dos-filhos\/","title":{"rendered":"Novo \u00e1lbum de Jo\u00e3o Bosco tem participa\u00e7\u00e3o dos filhos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Adriana Del R\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Mano Que Zuera, novo disco de Jo\u00e3o Bosco (MP,B Discos\/Som Livre), lan\u00e7ado pelo m\u00fasico ap\u00f3s oito anos sem um trabalho de in\u00e9ditas, \u00e9 reflexo de uma a\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia. A alma do disco, claro, \u00e9 \u2018jo\u00e3obosquiana\u2019 em toda sua ess\u00eancia, mas a presen\u00e7a de seus filhos est\u00e1 ali, em completa evid\u00eancia ou nos pequenos detalhes. E Jo\u00e3o se enche de orgulho ao falar da participa\u00e7\u00e3o dos dois. Seu filho, o escritor, compositor e fil\u00f3sofo Francisco Bosco, \u00e9 antigo parceiro do pai na m\u00fasica. Come\u00e7ou no disco As Mil e Uma Aldeias, de 1997.<\/p>\n<p>Originalmente, Jo\u00e3o Bosco faria aquele \u00e1lbum com Waly Salom\u00e3o e Ant\u00f4nio C\u00edcero, mas, como a entrada dos dois no projeto n\u00e3o foi adiante, Francisco chamou para si a parceria com o pai naquele trabalho.<\/p>\n<p>Vinte anos depois, e essa parceria entre pai e filho se mostra ainda mais consolidada: al\u00e9m da concep\u00e7\u00e3o do novo disco assinada em dupla, das 11 faixas \u2013 entre in\u00e9ditas e algumas belas releituras \u2013, 5 delas s\u00e3o de autoria de Jo\u00e3o e Francisco Bosco.<\/p>\n<p>Como a emblem\u00e1tica Onde Estiver, que foi escolhida, n\u00e3o por acaso, como single desse trabalho. Jo\u00e3o apresentou ao filho uma m\u00fasica que ele achava que contava uma hist\u00f3ria, ao estilo de Bob Dylan \u2013 e que fugia de seu universo habitual, ligado \u00e0s can\u00e7\u00f5es sincopadas, africanas ou sambas. Pediu para Francisco colocar letra. E, para surpresa de Jo\u00e3o, ele devolveu aquela m\u00fasica, Onde Estiver, com a hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o entre pai e filho. \u201cOnde estiver, sempre trago voc\u00eas\/Dentro do meu cora\u00e7\u00e3o\/Onde estiverem, me levem tamb\u00e9m\/Somos um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o\u201d, assim come\u00e7a a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA gente ficou muito tomado por essa can\u00e7\u00e3o. Primeiro, porque, quando o Chico era muito jovem, n\u00e3o pude ser aquele pai que a toda hora d\u00e1 a m\u00e3o para o filho atravessar a rua, porque eu estava na estrada, viajando. O Chico nasceu em 1976, ano de Galos de Briga, eu j\u00e1 havia feito Ca\u00e7a \u00e0 Raposa, eu estava na batalha de viajar com meu viol\u00e3o. E, muitas vezes, a \u00c2ngela, a m\u00e3e, ia comigo porque ela me ajudava muito, ela tomava conta de mim, do meu trabalho\u201d, conta Jo\u00e3o Bosco, em entrevista ao Estado. \u201cAcho que tanto ele quanto a Julia (Bosco, a filha) devem ter passado um tempo sentindo falta da nossa presen\u00e7a. A\u00ed convoc\u00e1vamos os tios para preencher essa aus\u00eancia. Quando ele fez essa can\u00e7\u00e3o, fiquei feliz porque acabamos preenchendo um pouco aquela aus\u00eancia de antes. Eu senti isso do mesmo jeito quando a Julia cantou a can\u00e7\u00e3o comigo no disco\u201d, completa Jo\u00e3o, referindo-se \u00e0 faixa Ultra Leve, que tem participa\u00e7\u00e3o especial da filha nos vocais.<\/p>\n<p>E, por causa dessas aus\u00eancias, em algum momento, incomodou estar na estrada? \u201cN\u00e3o me incomodou em nenhum segundo e eu faria isso tudo novamente. Gosto da malandragem, e eu ouvia muito dos malandros: o que importa \u00e9 o que vai dar na continua\u00e7\u00e3o; na continua\u00e7\u00e3o, tem de dar voc\u00ea. Ou seja, voc\u00ea tem que conseguir atravessar todas essas intemp\u00e9ries, todas essas pedras no meio do caminho e tem de sair l\u00e1 na frente\u201d, responde o compositor, cantor e violonista mineiro. \u201cVoc\u00ea vai ver que muita coisa que n\u00e3o conseguiu l\u00e1 no in\u00edcio, voc\u00ea pode l\u00e1 na frente consertar, refazer. \u00c9 como se voc\u00ea pudesse compensar aquela perda, aquela falha. Sei que agora estou tendo a oportunidade de resolver essa quest\u00e3o, e est\u00e1 dando certo. Eles j\u00e1 n\u00e3o pensam mais naquele momento, t\u00eam um pai muito pr\u00f3ximo agora, perto deles.\u201d<\/p>\n<p>Ainda sobre Onde Estiver, a can\u00e7\u00e3o tem um outro elemento \u2018familiar\u2019, revelada por Jo\u00e3o: o \u2018dad\u00e1 di\u00ea\u2019 que o compositor incluiu nos vocais finais da m\u00fasica foi tirado das brincadeiras ao viol\u00e3o com a neta, Iolanda, de 5 anos, filha de Francisco. \u201cFico repetindo essa melodia para lembrar que \u00e9 um segredo nosso\u201d, explica Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a can\u00e7\u00e3o Duro na Queda faz lembrar que a parceria de Jo\u00e3o e Aldir Blanc continua a pleno vapor \u2013 isso desde a d\u00e9cada de 1970. \u00c9 in\u00e9dita, mas, \u00e0 primeira audi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quem possa jurar que seja um cl\u00e1ssico de Bosco e Blanc. \u201c\u00c9 de uma produ\u00e7\u00e3o mais recente, e foi feita a partir de um texto que o Aldir me mandou. Fiquei lendo Duro na Queda, costumo andar com as can\u00e7\u00f5es durante um tempo, pelas ruas, viajo\u201d, afirma Jo\u00e3o. \u201cFui musicando esse texto e ele foi se transformando num samba, mas ele flui muito naturalmente. Tem essa coisa desse samba cl\u00e1ssico do sub\u00farbio carioca, isso \u00e9 uma coisa que a gente fez muito, aprendeu, tem uma certa experi\u00eancia nisso. Dif\u00edcil ver quem \u00e9 que fez primeiro (a can\u00e7\u00e3o). A gente entende que nossa parceria \u00e9 um destino que se realizou.\u201d<\/p>\n<p>Da parceria com Aldir Blanc, Jo\u00e3o Bosco resgatou ainda uma antiga composi\u00e7\u00e3o da dupla, Jo\u00e3o do Pulo, que, no disco, \u2018des\u00e1gua\u2019 na vers\u00e3o instrumental de Clube da Esquina n.\u00ba 2 (Milton Nascimento, L\u00f4 e M\u00e1rcio Borges). \u201cEu n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de regravar o Jo\u00e3o do Pulo, que eu j\u00e1 tinha feito no Cabe\u00e7a de Nego (disco de 1986), e de uma maneira muito ousada, porque foi um samba-enredo que gravei a capela e tinha umas palavras que eram sussurradas, murmuradas, quase que em segredo, que era um pouco do clima daquela \u00e9poca\u201d, diz. \u201cQuando eu estava trabalhando esse disco, essa m\u00fasica me veio de novo, mas n\u00e3o me veio sozinha: j\u00e1 me veio com fragmentos de Clube da Esquina n.\u00ba 2.\u201d<\/p>\n<p>Para o m\u00fasico, o \u2018Jo\u00e3o de sangue afro-tupi\u2019 de Jo\u00e3o do Pulo, de alguma forma, se conectou \u00e0 primeira grava\u00e7\u00e3o de Milton para Clube da Esquina n.\u00ba 2. \u201cEla n\u00e3o tinha letra, e havia um jeito de ele cantar essa m\u00fasica e aquele batuque que estava nessa grava\u00e7\u00e3o original. Para mim, era completamente ind\u00edgena, eu sentia aqueles \u00edndios peruanos, brasileiros. Ent\u00e3o, uma m\u00fasica acabou se juntando \u00e0 outra numa esp\u00e9cie de su\u00edte muito naturalmente, muito intuitivamente.\u201d A vers\u00e3o Jo\u00e3o do Pulo\/Clube da Esquina n.\u00ba 2 come\u00e7a em voz e viol\u00e3o, avan\u00e7a para o samba, com voz, viol\u00e3o, percuss\u00e3o e contrabaixo ac\u00fastico, at\u00e9 desacelerar novamente em Clube da Esquina n.\u00ba 2, num momento intimista, l\u00edrico.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras regrava\u00e7\u00f5es especiais: Sinh\u00e1, de Jo\u00e3o e Chico Buarque, desta vez, num clima cabo-verdiano e muitas cordas, e Coisa n.\u00ba 2, de Moacir Santos. \u201cEssa quest\u00e3o do ineditismo, para mim, depende muito do ponto de vista daquilo que as pessoas chamam de ineditismo. Quando voc\u00ea pensa numa can\u00e7\u00e3o sua, j\u00e1 feita, ou numa can\u00e7\u00e3o de outros compositores que voc\u00ea admira e que considera fundamentais na sua obra, e que voc\u00ea ent\u00e3o se empenha em explorar essas can\u00e7\u00f5es novamente para descobrir novas possibilidades, acho que isso j\u00e1 \u00e9 um exerc\u00edcio de cria\u00e7\u00e3o, e isso funciona como algo in\u00e9dito.\u201d<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o de pai de Jo\u00e3o cabem tamb\u00e9m os novos parceiros de m\u00fasica. E o disco Mano Que Zuera marca duas estreias: com Arnaldo Antunes, em Ultra Leve, e com Roque Ferreira, em P\u00e9-de-Vento. Beth\u00e2nia aproximou Roque e Jo\u00e3o. J\u00e1 no caso de Arnaldo, \u201cesse j\u00e1 era um encontro marcado\u201d faz tempo. \u201cJ\u00e1 nos encontramos outras vezes, anteriormente, e sempre falamos sobre uma poss\u00edvel parceria.\u201d Uma parceria informal se esbo\u00e7ou nos bastidores de um programa de TV, mas n\u00e3o se desenvolveu depois. Mais recentemente, Jo\u00e3o estava fazendo uma can\u00e7\u00e3o, um bolero meio bossa-novista, e se lembrou de Arnaldo.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras de entrar em est\u00fadio, Jo\u00e3o recebeu de Arnaldo a letra da m\u00fasica, em sintonia com aquele cen\u00e1rio musical criado por Jo\u00e3o. \u201c\u00c9 uma can\u00e7\u00e3o em que ele mapeia o Rio de uma forma muito bonita, porque ele n\u00e3o deixa escapar nenhum lugar da cidade, da zona sul \u00e0 oeste, ao sub\u00farbio.\u201d Jo\u00e3o, ent\u00e3o, chamou a filha Julia para participar da faixa. \u201cPor ser uma can\u00e7\u00e3o do Rio, achei legal ter uma voz masculina e uma feminina.\u201d<\/p>\n<p><strong>Homenagem &#8211;\u00a0<\/strong>Aos 71 anos, Jo\u00e3o Bosco comemora tamb\u00e9m a homenagem que receber\u00e1 na cerim\u00f4nia do 18.\u00ba Grammy Latino, em Las Vegas, no dia 15 de novembro. \u201cOlho do meu lado e meus filhos est\u00e3o a\u00ed, n\u00e3o est\u00e3o mais s\u00f3 no meu pensamento, l\u00e1 na viagem, longe deles. Meus parceiros est\u00e3o a\u00ed, a gente continua trabalhando, produzindo, se falando e tamb\u00e9m praguejando, porque ningu\u00e9m \u00e9 de ferro. Numa situa\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea vive, voc\u00ea tem que fazer a sua an\u00e1lise da vida\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>E sobre a atual situa\u00e7\u00e3o do Brasil? Retrocedemos?<\/strong> \u201cAcho que retroceder n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida. \u00c0s vezes, a hist\u00f3ria \u00e9 assim que funciona. Estamos tamb\u00e9m vivendo um momento de uma autocensura em fun\u00e7\u00e3o da censura que est\u00e1 existindo n\u00e3o oficial. Isso faz parte do retrocesso. Acho que nem na ditadura militar n\u00f3s praticamos uma autocensura t\u00e3o evidente quanto estamos praticando agora\u201d, pondera ele. \u201cIsso est\u00e1 acontecendo no mundo inteiro. Ent\u00e3o, temos de ter calma, e, com muita compet\u00eancia e entendimento, fazer voltar aos trilhos em que est\u00e1vamos antes. Acho que isso \u00e9 da vida, e a quest\u00e3o \u00e9 seguir em frente e mudar a hist\u00f3ria novamente, no sentido que pessoas possam viver dentro de uma situa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, tolerante.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Del R\u00e9 Mano Que Zuera, novo disco de Jo\u00e3o Bosco (MP,B Discos\/Som Livre), lan\u00e7ado pelo m\u00fasico ap\u00f3s oito anos sem um trabalho de in\u00e9ditas, \u00e9 reflexo de uma a\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia. 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