{"id":156499,"date":"2017-10-13T19:45:20","date_gmt":"2017-10-13T22:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=156499"},"modified":"2017-10-17T20:59:18","modified_gmt":"2017-10-17T22:59:18","slug":"detroit-em-rebeliao-aborda-racismo-e-violencia-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/detroit-em-rebeliao-aborda-racismo-e-violencia-policial\/","title":{"rendered":"Detroit em Rebeli\u00e3o aborda racismo e viol\u00eancia policial"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Zanin Oricchio<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 com extraordin\u00e1rio vigor que <a href=\"http:\/\/cultura.estadao.com.br\/noticias\/cinema,diretora-kathryn-bigelow-diz-esperar-que-trump-assista-detroit-e-se-humanize,70001940359\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kathryn Bigelow<\/a> filma os conflitos raciais dos anos 1960 em Detroit em Rebeli\u00e3o. A hist\u00f3ria \u00e9 baseada em fatos reais e p\u00f5e em foco n\u00e3o apenas uma rebeli\u00e3o de rua provocada pela viol\u00eancia policial, como a tortura e o massacre de um grupo de negros e duas mulheres brancas num motel da cidade.<\/p>\n<p>O tom \u00e9 de verismo total. A c\u00e2mera precisa de Bigelow (que j\u00e1 conhecemos de <a href=\"http:\/\/cultura.estadao.com.br\/fotos\/cinema,guerra-ao-terror-2009,695290\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guerra ao Terror, vencedor do Oscar<\/a>) principia por registrar os conflitos de rua em tom documental. N\u00e3o esquece sua origem. A pol\u00edcia d\u00e1 uma batida em uma casa noturna e prende de maneira arbitr\u00e1ria alguns frequentadores negros. Os outros se rebelam. Ati\u00e7ada pela tens\u00e3o racial da cidade, a viol\u00eancia se espalha como inc\u00eandio. O que temos \u00e9 de fato uma guerra, um lado equipado com armas sofisticadas, o outro, com paus e pedras.<\/p>\n<p>Na verdade, Detroit em Rebeli\u00e3o \u00e9 um tr\u00edptico. Num primeiro quadro, a origem dos dist\u00farbios e suas causas. No segundo, o sufocante ambiente fechado onde os rapazes negros e duas mulheres brancas s\u00e3o submetidos a todas as viol\u00eancias e torturas para identificar um suposto atirador l\u00e1 escondido. No terceiro, um drama de tribunal, no qual os policiais s\u00e3o levados a prestar contas dos seus atos perante ju\u00edzes e jurados brancos.<\/p>\n<p>Bigelow alterna seu registro segundo cada qual dos momentos. O dom documental, com c\u00e2mera na m\u00e3o fren\u00e9tica, em filmagem \u201csuja\u201d, prevalece no primeiro. No segundo, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 pelo espa\u00e7o fechado, sufocante, cheio de ang\u00fastia e medo, com tempos mais longos. No terceiro, a c\u00e2mera se abre e se distancia um pouco, como testemunha do que falar\u00e1 a Justi\u00e7a sobre tema t\u00e3o escabroso.<\/p>\n<p>O filme \u00e9 longo (2h23) e sua ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 grande. O ponto de vista da diretora jamais se esconde \u2013 est\u00e1 do lado mais fraco. Em tom de painel amplo, fala n\u00e3o apenas de um incidente tr\u00e1gico de 50 anos atr\u00e1s (a rebeli\u00e3o se deu em 1967), como indica a perman\u00eancia do racismo e da injusti\u00e7a no \u00e2mago mesmo de uma sociedade que se proclama aberta, democr\u00e1tica e de igualdade de todos perante a lei. Essas ilus\u00f5es se desfazem para quem tiver olhos para ver. Belo e duro filme, desde j\u00e1 candidato forte ao Oscar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Zanin Oricchio \u00c9 com extraordin\u00e1rio vigor que Kathryn Bigelow filma os conflitos raciais dos anos 1960 em Detroit em Rebeli\u00e3o. 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