{"id":157106,"date":"2017-10-19T09:04:20","date_gmt":"2017-10-19T11:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=157106"},"modified":"2017-10-19T09:23:18","modified_gmt":"2017-10-19T11:23:18","slug":"bandeira-branca-muda-velho-cliche-e-barateia-gasolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bandeira-branca-muda-velho-cliche-e-barateia-gasolina\/","title":{"rendered":"Bandeira branca muda velho clich\u00ea e barateia a gasolina"},"content":{"rendered":"<p><strong>Kleber Ferriche<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil atrapalha o Brasil. Ou pelo menos boa parte dele, representada pelo Estado, que cria mecanismos que dificultam a ado\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios em formatos mais modernos. A iniciativa privada n\u00e3o quer ser s\u00f3cia do Pa\u00eds; quer ser parceira, e sabe muito bem como fazer isso.<\/p>\n<p>A interfer\u00eancia estatal ultrapassa os limites da raz\u00e3o, ignorando uma verdade mundial: o mercado empreendedor \u00e9 capaz de se autogerir de forma competitiva, trazendo benef\u00edcios ao consumidor. Outro fen\u00f4meno \u00e9 o surgimento de novas alternativas de atendimento para antigas receitas.<\/p>\n<p>Um \u00f3timo exemplo \u00e9 o Uber, que enfrentou o formato de concess\u00e3o ou permiss\u00e3o imposto aos taxistas, engessado h\u00e1 d\u00e9cadas pelo Governo e sujeito a negociatas.<\/p>\n<p>Quando surgiu o cinema sonorizado, houve como\u00e7\u00e3o sobre o que aconteceria com os m\u00fasicos e orquestras que trabalhavam nas salas de exibi\u00e7\u00e3o. O cinema mudo empregava milhares de profissionais da batuta que animavam as sess\u00f5es das tardes. Hoje n\u00e3o h\u00e1 m\u00fasicos nas modernas redes, mas um sistema de som e imagem de alta qualidade. E os m\u00fasicos continuam suas vidas em outras fronteiras.<\/p>\n<p>Com o mercado de combust\u00edveis acontece o mesmo e pouco mudou desde a instala\u00e7\u00e3o do primeiro posto de abastecimento de ve\u00edculos no Pa\u00eds. Em na\u00e7\u00f5es modernas, \u00e9 comum o autoatendimento. Aqui o Brasil que atrapalha o Brasil n\u00e3o permite essa modalidade em postos de gasolina. Al\u00e9m da interfer\u00eancia regulamentar e monop\u00f3lio estatal, o layout das lojas \u00e9 sempre o mesmo. As poucas grandes marcas distribuidoras deixaram de lado um estudo mais profundo de neg\u00f3cio e buscam consolidar sua imagem por meio da publicidade.<\/p>\n<p>Existe explica\u00e7\u00e3o: as lojas t\u00eam sempre o mesmo formato, mudando apenas sua identifica\u00e7\u00e3o visual, como forma de ocupa\u00e7\u00e3o territorial e corporativa, que recebe o nome de bandeira. Assim, BR, Ipiranga, AleSat, Ra\u00edzen, Shell e outras s\u00e3o conhecidas como bandeiras. S\u00e3o fornecedores que exigem que o combust\u00edvel que chega \u00e0s bombas seja exclusivamente comprado daquelas marcas.<\/p>\n<p>Os propriet\u00e1rios de postos de bandeira branca, ao contr\u00e1rio, compram o combust\u00edvel do distribuidor que oferecer maiores vantagens e melhor pre\u00e7o. Esse \u00e9 um modelo que produz competitividade.<\/p>\n<p>O segredo das bandeiras &#8211; grandes distribuidoras &#8211; \u00e9 f\u00e1cil de entender: imprimem ao consumidor uma imagem de alto controle dos produtos, f\u00e1cil acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, excelente atendimento, lojas repletas de conveni\u00eancias, como se fossem atributos exclusivos delas.<\/p>\n<p>No subterr\u00e2neo fomentam a id\u00e9ia de que o combust\u00edvel dos postos de bandeira branca oferece risco aos motores, n\u00e3o recebem controle de qualidade ou validade, t\u00eam um atendimento despreparado.<\/p>\n<p>Pode ser verdade em alguns casos, mas as ocorr\u00eancias s\u00e3o tamb\u00e9m registradas em postos de bandeira de grife.<\/p>\n<p>O mercado n\u00e3o \u00e9 pequeno para os destemidos independentes que abriram em 2016 mais mil postos de bandeira branca no Brasil, segundo Maria Schneider, presidente do Sindicomb Rio. No Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, praticamente 50% dos postos n\u00e3o s\u00e3o exclusivos das grandes distribuidoras.<\/p>\n<p>O que falta para dar impulso maior \u00e0s redes regionais de postos \u00e9 utilizar uma arma que nem as gigantes podem combater: o elemento surpresa. Li\u00e7\u00e3o antiga: na adversidade \u00e9 que encontramos a vantagem.<\/p>\n<p>As redes localizadas podem, sim, ultrapassar as qualidades que as grandes distribuidoras propagam. Elas pasteurizam as redes por uma quest\u00e3o de economia e controle, porque o que adotam no Oiapoque \u00e9 o mesmo que adotam no Chu\u00ed. Letreiro padr\u00e3o, uniforme padr\u00e3o, convencimento padr\u00e3o, atrativos sem apelos regionais. \u00c9 a\u00ed que exp\u00f5em suas feridas.<\/p>\n<p>Redes regionais podem fazer tudo diferente, ter personalidade pr\u00f3pria, criar atendimento de excel\u00eancia e apelos originais. Profissionais experientes com grandes marcas mundiais poder\u00e3o definitivamente quebrar paradigmas do s\u00e9culo passado e fazer uma releitura do formato e layout das lojas, do atendimento, do com\u00e9rcio de outros produtos e servi\u00e7os. Mesmo pequenas redes com meia d\u00fazia de postos, instaladas regionalmente, poder\u00e3o subtrair das grandes distribuidoras muitos consumidores e fideliz\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em um setor que imp\u00f5e a rentabilidade pelo volume, dada \u00e0 restrita margem de lucro e elevado custo operacional, \u00e9 preciso ousar. A Uber \u00e9 a maior frota de t\u00e1xi do mundo sem ter um \u00fanico ve\u00edculo e suas lojas est\u00e3o no bolso do consumidor, em um aparelho celular, que breve poder\u00e1 solicitar um jatinho executivo em qualquer parte do mundo. Tamb\u00e9m pelo celular. A telefonia e a TV por assinatura hoje podem ser pr\u00e9-pagas. Fatos impens\u00e1veis no passado recente.<\/p>\n<p>Os postos de combust\u00edveis v\u00e3o continuar aceitando o formato imposto ao longo de d\u00e9cadas pelas grandes distribuidoras? Ao que parece, a bandeira branca pode ser um ind\u00edcio de que haver\u00e1 mudan\u00e7as. N\u00e3o apenas no pre\u00e7o final ao consumidor, mas no conceito geral, desde que algu\u00e9m seja capaz de repensar o velho modelo de loja e causar emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou a m\u00fasica de Laercio Alves e Max Nunes, dos anos 70, ser\u00e1 a trilha sonora do setor por muito tempo, cantada por Dalva de Oliveira: \u201cbandeira branca, amor&#8230;\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kleber Ferriche O Brasil atrapalha o Brasil. Ou pelo menos boa parte dele, representada pelo Estado, que cria mecanismos que dificultam a ado\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios em formatos mais modernos. 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