{"id":157194,"date":"2017-10-19T11:51:18","date_gmt":"2017-10-19T13:51:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=157194"},"modified":"2017-10-19T12:51:43","modified_gmt":"2017-10-19T14:51:43","slug":"planos-de-saude-dao-rasteira-na-hora-de-cirurgias-graves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/planos-de-saude-dao-rasteira-na-hora-de-cirurgias-graves\/","title":{"rendered":"Planos de sa\u00fade d\u00e3o rasteira na hora de cirurgias graves"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fabiana Cambricoli<\/strong><\/p>\n<p>Operadoras de sa\u00fade reveem a necessidade de 10% das cirurgias indicadas por m\u00e9dicos da rede privada. Isso \u00e9 o que indicam balan\u00e7os in\u00e9ditos de duas das maiores operadoras do Pa\u00eds &#8211; SulAm\u00e9rica e Amil -, que submetem milhares de casos a uma junta m\u00e9dica para segunda ou terceira opini\u00e3o ap\u00f3s o diagn\u00f3stico vindo do primeiro profissional.\u00a0 A SulAm\u00e9rica reavalia cerca de 450 pedidos por m\u00eas e a Amil, 180.<\/p>\n<p>Segundo as duas operadoras que adotam a medida, h\u00e1 tr\u00eas principais raz\u00f5es para a indica\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de cirurgia: discord\u00e2ncia entre profissionais sobre o melhor tratamento a seguir, falta de conhecimento do m\u00e9dico sobre alternativas para cada doen\u00e7a e m\u00e1-f\u00e9 de alguns profissionais interessados em lucrar com o procedimento. As juntas tamb\u00e9m s\u00e3o uma alternativa \u00e0 crescente judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, que eleva os gastos de empresas do setor.<\/p>\n<p>&#8220;Existe, sim, a quest\u00e3o da fraude, de m\u00e9dicos interessados em comiss\u00f5es de fabricantes de materiais como \u00f3rteses e pr\u00f3teses, mas esses casos s\u00e3o a minoria. Acreditamos que a maioria dos casos est\u00e1 relacionada ao fato de o profissional n\u00e3o estar t\u00e3o atualizado sobre as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas&#8221;, diz Andr\u00e9a Matsushita, superintendente de opera\u00e7\u00f5es e an\u00e1lise m\u00e9dica da SulAm\u00e9rica.<\/p>\n<p>Segundo Maria Alicia Lima Peralta, vice-presidente jur\u00eddica do UnitedHealth Group Brasil, grupo respons\u00e1vel pela Amil, a consulta a uma junta m\u00e9dica (terceira opini\u00e3o) se d\u00e1 quando h\u00e1 discord\u00e2ncia entre o m\u00e9dico do paciente e aquele que representa a operadora. &#8220;Pelas regras da ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar), o profissional que vai desempatar deve ser independente e escolhido consensualmente pelo m\u00e9dico do benefici\u00e1rio e o da operadora&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Na Amil, a maioria dos casos levados \u00e0 reavalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que envolvem a implanta\u00e7\u00e3o das chamadas OPMEs (\u00f3rteses, pr\u00f3teses e materiais especiais), como cirurgias que exigem coloca\u00e7\u00e3o de pinos e parafusos.<\/p>\n<p>Na SulAm\u00e9rica, as especialidades que concentram o maior n\u00famero de casos enviados para a junta m\u00e9dica s\u00e3o bucomaxilofacial, ortopedia e neurocirurgia com subespecialidade em coluna e cirurgia pl\u00e1stica. &#8220;Se a operadora apenas nega a cobertura do procedimento, o paciente pode n\u00e3o entender e entrar na Justi\u00e7a&#8221;, afirma Andr\u00e9a, da SulAm\u00e9rica.<\/p>\n<p><b>Revis\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>A bailarina e personal trainer P\u00e9rcida Freire Justo, de 59 anos, foi uma das pacientes que n\u00e3o enfrentou a cirurgia ap\u00f3s reavalia\u00e7\u00e3o da junta m\u00e9dica da SulAm\u00e9rica. Por causa da profiss\u00e3o, ela desenvolveu h\u00e9rnias na coluna. H\u00e1 dois anos, o problema se agravou e ela teve a indica\u00e7\u00e3o de uma cirurgia. &#8220;Estava com muitas dores, comecei a perder mobilidade. O m\u00e9dico olhou os exames e disse que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o seria a cirurgia. Sa\u00ed do consult\u00f3rio desesperada porque ningu\u00e9m se sente confort\u00e1vel ao saber que vai ter que passar por uma cirurgia na coluna&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ao pedir autoriza\u00e7\u00e3o para o procedimento, foi procurada pela operadora para que fosse reavaliada pela junta m\u00e9dica. No caso, foram quatro m\u00e9dicos, de diferentes especialidades, que a examinaram para dar um parecer. &#8220;Eles chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que dava para tentar o tratamento de outra forma, com fisioterapia, quiropraxia. E foi o que fiz.&#8221;<\/p>\n<p>Ela passou a fazer diferentes terapias tr\u00eas vezes por semana, por tr\u00eas meses, e as dores foram passando. &#8220;Sempre pratiquei muito exerc\u00edcio e fortaleci a musculatura. Isso tamb\u00e9m ajudou. Hoje retomei minha rotina e tenho vida normal&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><b>Casos raros &#8211;\u00a0<\/b>Coordenador da Comiss\u00e3o Nacional de Sa\u00fade Suplementar do Conselho Federal de Medicina, Salom\u00e3o Rodrigues afirma que os casos (em que os procedimentos cir\u00fargicos s\u00e3o indicados sem necessidades) s\u00e3o &#8220;extremamente raros&#8221;. De acordo com o Rodrigues, a entidade n\u00e3o tem um levantamento sobre den\u00fancias do tipo.<\/p>\n<p>Para ele, h\u00e1 o risco de o m\u00e9dico respons\u00e1vel por desempatar, pago pela operadora, n\u00e3o ter a independ\u00eancia necess\u00e1ria para exercer a fun\u00e7\u00e3o. Rodrigues ainda sugere participa\u00e7\u00e3o mais ativa do CFM para atuar nestes casos.<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0 reportagem na ter\u00e7a-feira, 17, a ANS, \u00f3rg\u00e3o do governo respons\u00e1vel pelo setor, afirma que a regulamenta\u00e7\u00e3o de juntas m\u00e9dicas traz mais seguran\u00e7a tanto a benefici\u00e1rios quanto a operadores e prestadores, principalmente &#8220;quando h\u00e1 diverg\u00eancia cl\u00ednica sobre procedimento a ser coberto pelas operadoras&#8221;.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o afirma ainda que cabe \u00e0s operadoras &#8220;registrar, armazenar e disponibilizar \u00e0 ANS, quando requisitadas, as informa\u00e7\u00f5es e os dados relacionados \u00e0s juntas m\u00e9dicas ou odontol\u00f3gicas realizadas para poss\u00edveis verifica\u00e7\u00f5es posteriores&#8221;.<\/p>\n<p><b>Pesquisa &#8211;\u00a0<\/b>Em um panorama em que m\u00e9dicos e operadoras podem tomar lados opostos, pesquisar sobre as qualifica\u00e7\u00f5es dos profissionais e das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o, segundo o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Renato Couto. &#8220;Temos muita informa\u00e7\u00e3o, mas o problema \u00e9 a qualidade. Precisamos ter mais portais com informa\u00e7\u00f5es mais seguras&#8221;, defende.<\/p>\n<p><b>Rea\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da reportagem, as Sociedades Brasileiras de Neurocirurgia (SBN), de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e de Coluna (SBC) emitiram nota em que esclarecem que &#8220;apoiam incondicionalmente puni\u00e7\u00f5es aos maus profissionais que exercem a medicina com finalidades escusas&#8221;.<\/p>\n<p>Para as entidades, no entanto, institutos como segunda opini\u00e3o e junta m\u00e9dica &#8220;v\u00eam sendo utilizados de forma leviana, com a finalidade maior de economia e redu\u00e7\u00e3o de custos das operadoras, em detrimento da sa\u00fade dos pacientes.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabiana Cambricoli Operadoras de sa\u00fade reveem a necessidade de 10% das cirurgias indicadas por m\u00e9dicos da rede privada. 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