{"id":157425,"date":"2017-10-20T17:09:21","date_gmt":"2017-10-20T19:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=157425"},"modified":"2017-10-20T17:13:39","modified_gmt":"2017-10-20T19:13:39","slug":"avon-critica-estereotipos-nocivos-dados-ao-genero-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/avon-critica-estereotipos-nocivos-dados-ao-genero-feminino\/","title":{"rendered":"Avon critica estere\u00f3tipos nocivos dados ao g\u00eanero feminino"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nana Soares<\/strong><\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, a Avon lan\u00e7ou a campanha e o document\u00e1rio \u201c<a href=\"http:\/\/www.repenseoelogio.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Repense o elogio<\/a>\u201d, que busca alertar como o tratamento dado a meninos e meninas perpetua estere\u00f3tipos nocivos de g\u00eanero, especialmente para as meninas. Isso porque elas s\u00e3o tradicionalmente chamadas de \u201clindas\u201d, \u201cprincesas\u201d ou \u201cbonitas\u201d, atributos que dizem apenas da beleza f\u00edsica e n\u00e3o destacam caracter\u00edsticas como determina\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o e intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso repensar os elogios, \u00e9 verdade. Desde que soube da campanha foi inevit\u00e1vel pensar em minha pr\u00f3pria inf\u00e2ncia, sobre os elogios que recebi e, consequentemente, como eles me formaram.<\/p>\n<p>Eu sempre fui a melhor aluna da classe. Portanto, meu estere\u00f3tipo sempre foi o de inteligente, o que minha fam\u00edlia felizmente sempre endossou. \u00c9 um estere\u00f3tipo positivo e eu diria que saud\u00e1vel de se crescer, mas que n\u00e3o por isso me privou de algumas quest\u00f5es por ser menina, especialmente durante a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Ser inteligente sempre foi muito legal e expandiu meus horizontes para al\u00e9m da minha cidade natal. Me colocou em uma posi\u00e7\u00e3o de destaque que era muito desej\u00e1vel, mas n\u00e3o veio sem sofrimentos. Eu era inteligente sim, mas era tamb\u00e9m diferente das outras meninas, a que n\u00e3o cumpria os estere\u00f3tipos. Era a menos feminina da classe, a que gostava de futebol, que n\u00e3o tinha medo da bola, adorava educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, odiava maquiagem. Era uma \u2018igual\u2019 aos meninos (o que era positivo), mas a consequ\u00eancia disso era nunca ser lida como objeto de desejo (o que na \u00e9poca era negativo).<\/p>\n<p>Hoje, aos 25 anos, percebo que isso foi bom. Ainda bem que pude me desenvolver apenas em fun\u00e7\u00e3o de mim mesma e n\u00e3o do gosto alheio, mas na \u00e9poca era horr\u00edvel. Eu sabia que ser inteligente era legal, mas eu tamb\u00e9m era a menos desej\u00e1vel, a que n\u00e3o acreditava quando o pr\u00f3prio pai falava que ela era bonita porque ningu\u00e9m mais dizia isso. Passei a adolesc\u00eancia sofrendo porque nenhum menino gostava de mim e me perguntando se existia a figura lend\u00e1ria que ia \u201cgostar de mim pelo o que eu realmente sou\u201d..<\/p>\n<p>Por um tempo, isso fez com que eu acreditasse naquela ideia super nociva de que eu era \u201cdiferente\u201d das outras meninas. Eu era o c\u00e9rebro e n\u00e3o a bunda. Eu \u00e9 que era digna de respeito. Felizmente esse conceito foi passando com o tempo, embora a sensa\u00e7\u00e3o de inferioridade tenha sempre permanecido l\u00e1. Foi s\u00f3 muito tempo depois que isso mudou.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 era at\u00e9 formada da faculdade e conversava sobre padr\u00f5es com uma amiga que sempre foi maravilhosa-deusa-louca-feiticeira-miss. Achava o mundo injusto e, com muita resigna\u00e7\u00e3o, eu disse que queria ser bonita e atraente de cara, n\u00e3o s\u00f3 depois que as pessoas me conheciam. E ent\u00e3o ela me disse algo que me acompanha at\u00e9 hoje: \u201cEu queria exatamente o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Essa minha amiga foi linda a vida inteira e, por conta disso, todas suas outras caracter\u00edsticas ficavam em segundo plano. Ela era inteligent\u00edssima, criativa, diferente. Mas todo mundo s\u00f3 via o quanto ela era deslumbrante de bonita, reduzindo-a a seu exterior.<\/p>\n<p>Naquele momento entendi que eu n\u00e3o tinha o direito de achar que s\u00f3 eu tinha sofrido por ser mulher, que s\u00f3 a minha experi\u00eancia era de sofrimento. Entendi que, sendo mulher, mesmo se voc\u00ea \u00e9 tida como musa voc\u00ea sofre.<\/p>\n<p>Porque ser mulher \u00e9 nunca ser suficiente. Se voc\u00ea \u00e9 inteligente, amea\u00e7a os garotos\/homens, se \u00e9 linda \u00e9 vazia de conte\u00fado, se \u00e9 tudo ao mesmo tempo \u201cse acha\u201d e precisa se corrigir. E por a\u00ed vai: nunca t\u00e1 bom ser quem a gente \u00e9, temos que cumprir um padr\u00e3o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Tem que ser recatada no exterior mas safada entre quatro paredes, tem que ser feminina sem ser perua, tem que usar maquiagem mas sem parecer que est\u00e1 usando maquiagem. Tem que compreender os gostos do homem mas n\u00e3o ouse saber mais do que eles, hein.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1, simplesmente n\u00e3o d\u00e1. E nunca vai dar se continuar desse jeito. Por isso, mulheres, temos que nos unir. Tentar entender de verdade o contexto e a vida das outras que nos cercam, certamente t\u00e3o diferentes das nossas. Pela minha experi\u00eancia, digo com seguran\u00e7a que nada me deixou t\u00e3o forte quanto entender o que as outras passam. Foi quando percebi que o problema n\u00e3o era comigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nana Soares Na ter\u00e7a-feira, a Avon lan\u00e7ou a campanha e o document\u00e1rio \u201cRepense o elogio\u201d, que busca alertar como o tratamento dado a meninos e meninas perpetua estere\u00f3tipos nocivos de g\u00eanero, especialmente para as meninas. 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