{"id":157908,"date":"2017-10-25T07:51:22","date_gmt":"2017-10-25T09:51:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=157908"},"modified":"2017-10-25T10:07:48","modified_gmt":"2017-10-25T12:07:48","slug":"caetano-ataca-cinismo-dos-evangelicos-sobre-sexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/caetano-ataca-cinismo-dos-evangelicos-sobre-sexo\/","title":{"rendered":"Caetano ataca &#8216;cinismo&#8217; dos evang\u00e9licos sobre sexo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Julio Maria<\/strong><\/p>\n<p>Aos 75 anos, Caetano Veloso est\u00e1 aberto para balan\u00e7o em meio \u00e0 turbul\u00eancia dos tempos. Seu engajamento tem custado desafetos, como a acusa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica de pedofilia feita por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e pelo ator Alexandre Frota quando, aos 40 anos, conheceu Paula Lavigne, ent\u00e3o com 13, sua atual mulher. Sobre esse assunto, Caetano n\u00e3o respondeu \u00e0s perguntas, mas n\u00e3o deixou de mencionar o assunto pedofilia quando falou das mudan\u00e7as na Lei Rouanet pedidas pela bancada evang\u00e9lica ao MinC.<\/p>\n<p>&#8211; Toda essa gente que mente cinicamente sobre exposi\u00e7\u00f5es de arte usando a palavra pedofilia para angariar adeptos entre os mais ing\u00eanuos, se esfor\u00e7a para encobrir o desejo de manter a opress\u00e3o da maioria do povo brasileiro, que vive sob a mais pesada desigualdade econ\u00f4mica do mundo, disse.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Caetano segue na cidade com os tr\u00eas filhos, Zeca, Tom e Moreno, no Theatro Net, onde faz as \u00faltimas sess\u00f5es neste final de semana do espet\u00e1culo Caetano Moreno Zeca Tom Veloso, com ingressos esgotados. E tamb\u00e9m republica o livro Verdade Tropical, lan\u00e7ado h\u00e1 20 anos, com novas reflex\u00f5es sobre as mudan\u00e7as do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Veja a seguir os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p><b>\u00c9 um bom momento para sentir no palco o que chamam gap geracional. Tom tem 25 anos e Zeca tem 20. Voc\u00ea e sua gera\u00e7\u00e3o brigavam por causas vis\u00edveis, ouviam m\u00fasicas em LPs e sabiam qual caminho seguir para que as coisas dessem certo. E sobre eles? N\u00e3o est\u00e3o perdidos? N\u00e3o estamos criando uma gera\u00e7\u00e3o triste?<\/b><\/p>\n<p>Sempre me sinto pr\u00f3ximo de meus filhos. Tanto do que est\u00e1 na casa dos 40 quanto dos que est\u00e3o na dos 20. Bem, todos ouvem mais LPs do que eu. N\u00e3o os considero tristes de jeito nenhum. O mais novo \u00e9 o mais alegre. Talvez por ser mais novo. Mas acho que \u00e9 mesmo temperamento: ele sempre foi assim. Mas os outros dois n\u00e3o s\u00e3o tristes. Todos tr\u00eas t\u00eam entusiasmo. Vivem intensamente suas vidas e se entregam muito em suas cria\u00e7\u00f5es musicais. Gosto de conversar com todos. Moreno narra e explica com muita propriedade. Zeca analisa. Tom faz s\u00ednteses. Cada um tem seu jeito de fazer os outros rirem. E as vozes se harmonizam, sem virtuosismo, mas tamb\u00e9m sem artificialismos.<\/p>\n<p><b>Seus meninos s\u00e3o tamb\u00e9m crist\u00e3os convictos, seguidores da Igreja Universal do Reino de Deus, mais um antagonismo \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o, de rompimentos religiosos e entendimento existencialista. Como prepar\u00e1-los para que a entrega \u00e0s doutrinas n\u00e3o cegue a capacidade da intelig\u00eancia, n\u00e3o suprima os poderes da contesta\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Zeca e Tom s\u00e3o crist\u00e3os. Moreno \u00e9 religioso de modo abrangente: \u00e9 do candombl\u00e9, atrai-se pelo hindu\u00edsmo, \u00e9 cat\u00f3lico franciscano e, t\u00e3o ligado a Santo Amaro, n\u00e3o pode deixar de ser mariano. Eu n\u00e3o sou religioso. Mas n\u00e3o tenho medo da religiosidade dos meus filhos. Temos sempre conversas muito claras. De minha parte, n\u00e3o vejo o crescimento das igrejas evang\u00e9licas no Brasil como algo negativo. Nunca vi assim. H\u00e1 um preconceito pseudochique contra os evang\u00e9licos com o qual eu nunca me identifiquei. Antes de Zeca e Tom nascerem eu j\u00e1 via programas evang\u00e9licos na TV e pensava que aquilo ia crescer e que poderia ganhar import\u00e2ncia na caminhada do Pa\u00eds. Isso n\u00e3o quer dizer que eu respeite qualquer mau-car\u00e1ter que pregue alguma forma de fundamentalismo ou que use a religiosidade para dominar mesquinhamente as pessoas e para agredir outros grupos. Uma das coisas que me atraem no pensador Roberto Mangabeira \u00e9 sua vis\u00e3o realista do fen\u00f4meno neopentecostal.<\/p>\n<p><b>Os homens pol\u00edticos tamb\u00e9m s\u00e3o outros, e a tend\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 a de que abandonem velhas causas pelo des\u00e2nimo. O que sente dos garotos?<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 descr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos profissionais. Mas n\u00e3o uma indiferen\u00e7a pela pol\u00edtica. A presen\u00e7a de jovens nas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u00e9 grande e constante. Os movimentos \u00e0 direita que cresceram desde 2013 s\u00e3o exemplo disso. E eles produzem respostas. A polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 o oposto de uma atitude apol\u00edtica. O que h\u00e1 \u00e9 uma grande tens\u00e3o na sociedade. Sobretudo entre os jovens. Meus tr\u00eas filhos est\u00e3o atentos ao que se passa. Falamos sobre isso. E todos t\u00eam posi\u00e7\u00f5es n\u00edtidas. Mas isso n\u00e3o \u00e9 coisa para eu dizer. Se eles quiserem dizer qualquer coisa de p\u00fablico (o que n\u00e3o creio que seja o caso), eles que o fa\u00e7am.<\/p>\n<p><b>O que o fez aceitar atualizar as mem\u00f3rias do livro Verdade Tropical 20 anos depois? Se quiser de fato deix\u00e1-lo atual, com o mundo em plena transforma\u00e7\u00e3o como est\u00e1 hoje, esse ser\u00e1 um trabalho eterno, n\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Sou maluco. Eu n\u00e3o apenas aceitei: eu induzi os editores a fazerem isso. Mas depois me enrolei todo. Escrevi uma nova introdu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nada parecido com uma vis\u00e3o coerente do estado do mundo hoje. Nem d\u00e1 conta dos caminhos que percorreram a m\u00fasica e a cultura brasileira ou mundial nesses 20 anos que separam o lan\u00e7amento do livro e a atual edi\u00e7\u00e3o comemorativa. \u00c9 um apanhado (muito incompleto) de observa\u00e7\u00f5es sobre o que j\u00e1 fora escrito na vers\u00e3o original do livro e uma exibi\u00e7\u00e3o sem censura (para n\u00e3o dizer irrespons\u00e1vel) dos pensamentos que me v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a hoje em dia. Nada disso tem pinta de eterno.<\/p>\n<p><b>Falamos h\u00e1 pouco de Igreja e me ocorre do recente caso que tem antagonizado posturas no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Uma emenda proposta pela bancada evang\u00e9lica pede ao MinC para barrar da Lei Rouanet projetos que vilipendiem s\u00edmbolos ou dogmas religiosos. O MinC parece ter aceito algo nesse sentido, seja l\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 ao pedido, embora diga que o texto da emenda s\u00f3 sair\u00e1 no final do m\u00eas. E ent\u00e3o, se isso passa, como fica?<\/b><\/p>\n<p>Parece que o MinC entende que censura n\u00e3o pode haver. Toda essa gente que mente cinicamente sobre exposi\u00e7\u00f5es de arte usando a palavra pedofilia para angariar adeptos entre os mais ing\u00eanuos, se esfor\u00e7a para encobrir o desejo de manter a opress\u00e3o da maioria do povo brasileiro, que vive sob a mais pesada desigualdade econ\u00f4mica do mundo. Os malucos dos grupos conservadores que se organizaram \u00e0 sombra das passeatas de 2013 sabem que n\u00e3o h\u00e1 casos de pedofilia onde eles dizem haver. Mas pode ser que ganhem dinheiro de grupos pol\u00edticos para criar pautas que una as pessoas inocentes contra artistas e museus de modo que o que mais interessa &#8211; manter o poder econ\u00f4mico nas m\u00e3os dos muito poucos &#8211; permane\u00e7a intocado. Claro que n\u00e3o se pode admitir que obras sejam submetidas a censura pr\u00e9via. Lutaremos quantas vezes forem precisas contra isso. Mas n\u00e3o esqueceremos que vencer a desigualdade campe\u00e3 \u00e9 primordial.<\/p>\n<p><b>Seu show com os filhos vai virar disco? Ou voc\u00ea j\u00e1 tem o pr\u00f3ximo \u00e1lbum em andamento? Pode adiantar algo?<\/b><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o decidimos nada a respeito. O material que temos pode dar um disco. Mas n\u00e3o fizemos planos. Pode ser que vamos para o est\u00fadio ao fim da turn\u00ea, pode ser que gravemos shows e, caso o material me mostre de boa qualidade, lancemos de alguma forma essa grava\u00e7\u00e3o. Penso muito vagamente em fazer novo disco meu solo. No momento, estou inteiro com meus filhos.<\/p>\n<p><b>E uma menina? Os politicamente corretos diriam que falta ao show uma mulher. Imaginou-se pai de mulher? Desejou isso algum dia? Como ela se chamaria?<\/b><\/p>\n<p>Ded\u00e9 e eu tivemos uma filha que nasceu prematura e morreu alguns dias depois. Ela se chamava J\u00falia. Antes de Moreno nascer fiz uma can\u00e7\u00e3o chamada J\u00falia\/Moreno porque n\u00e3o sab\u00edamos o sexo do nascituro naqueles tempos. Depois, com Paulinha, se tivesse vindo uma menina, o nome seria Clara. J\u00falia e Clara s\u00e3o nomes lindos e acontece de serem os nomes de minhas duas av\u00f3s. Eu queria ter experimentado ser pai de uma menina. Mas como s\u00f3 ficaram os homens, me alegro com isso. A gente ama tanto os filhos que aprova o sexo em que eles nascem, o g\u00eanero que recebem ou escolhem, a cor e a textura de seus cabelos, tudo.<\/p>\n<p><b>Filhos m\u00fasicos fazem voc\u00ea mais feliz ou mais preocupado?<\/b><\/p>\n<p>Filhos, m\u00fasicos ou n\u00e3o, d\u00e3o muita felicidade e muita preocupa\u00e7\u00e3o A meu ver, a felicidade vence.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria Aos 75 anos, Caetano Veloso est\u00e1 aberto para balan\u00e7o em meio \u00e0 turbul\u00eancia dos tempos. Seu engajamento tem custado desafetos, como a acusa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica de pedofilia feita por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e pelo ator Alexandre Frota quando, aos 40 anos, conheceu Paula Lavigne, ent\u00e3o com 13, sua atual mulher. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":157909,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-157908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157908"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":157911,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157908\/revisions\/157911"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/157909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}