{"id":158520,"date":"2017-10-30T15:48:25","date_gmt":"2017-10-30T17:48:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=158520"},"modified":"2017-10-30T15:48:25","modified_gmt":"2017-10-30T17:48:25","slug":"expedicoes-fotograficas-viajam-pelo-acervo-de-d-pedro-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/expedicoes-fotograficas-viajam-pelo-acervo-de-d-pedro-ii\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas viajam pelo acervo de D. Pedro II"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberta Pennafort<\/strong><\/p>\n<p>Todo mundo aprendeu na escola que d. Pedro II (1825-1891) era culto, estudioso, amante das artes e nutria profundo interesse por fotografia e outras novidades tecnol\u00f3gicas de seu tempo. O que pouca gente conhece \u00e9 a majestosa cole\u00e7\u00e3o de fotos que o monarca legou \u00e0 Biblioteca Nacional, com destaque para os registros dos vest\u00edgios de civiliza\u00e7\u00f5es antigas. Um pequeno, por\u00e9m valioso recorte desse conjunto, de 35 mil itens, est\u00e1 na exposi\u00e7\u00e3o Uma viagem ao mundo antigo &#8211; Egito e Pompeia &#8211; nas fotografias da Cole\u00e7\u00e3o D. Thereza Christina Maria.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez que esse material \u00e9 exibido na biblioteca, que recebeu a cole\u00e7\u00e3o em 1892, depois da morte de d. Pedro II. As 119 imagens escolhidas ilustram as passagens do imperador e da imperatriz Thereza Cristina pelo Egito e pelo s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Pompeia, na It\u00e1lia (terra de Thereza), entre 1871 e 1888. A maior parte, por\u00e9m, \u00e9 de fotografias que d. Pedro II comprava de mercadores para robustecer seu acervo particular.<\/p>\n<p>&#8220;D. Pedro II formou a maior cole\u00e7\u00e3o de documentos fotogr\u00e1ficos do s\u00e9culo 19 que um governante jamais teve. A da rainha Vit\u00f3ria, da Inglaterra, sua conterr\u00e2nea, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 significativa&#8221;, diz o historiador de fotografia Joaquim Mar\u00e7al, curador da mostra. &#8220;Ele era \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e desde um ano de idade, e perdeu o pai aos nove. Foi educado por um grupo de tutores e mestres que lhe proporcionaram s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o. Tornou-se um humanista, fascinado pela hist\u00f3ria do nosso passado. Sabia que o homem pode aprender muito assim.&#8221;<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o desnuda diferentes processos fotogr\u00e1ficos desenvolvidos a partir dos anos 1820-1830, como o daguerre\u00f3tipo, e de reprodu\u00e7\u00e3o, caso do papel albuminado, que usava a prote\u00edna extra\u00edda da clara do ovo. Funcion\u00e1rio da BN desde os anos 1980, Mar\u00e7al participou do grupo que primeiro se ocupou do material, e trabalhou na exposi\u00e7\u00e3o de 2003. A maioria dos registros, ele garante, ningu\u00e9m nunca viu.<\/p>\n<p>Se at\u00e9 hoje nos perguntamos como os eg\u00edpcios conseguiram erguer as pir\u00e2mides, no s\u00e9culo 19 a curiosidade e o deslumbramento pelas popula\u00e7\u00f5es do Oriente M\u00e9dio, seus h\u00e1bitos e conhecimentos de arquitetura eram ainda maiores. As expedi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas da Europa para l\u00e1 eram frequentes, e o com\u00e9rcio das imagens resultantes agu\u00e7ava o apetite do imperador colecionista.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o propicia uma imers\u00e3o na antiguidade. Pir\u00e2mides, esfinges e monumentos erguidos pelos povos estabelecidos \u00e0s margens do rio Nilo, por volta do ano 5000 a.C., e que desenvolveram a primeira civiliza\u00e7\u00e3o conhecida da hist\u00f3ria da humanidade; as ruas reveladas pelas escava\u00e7\u00f5es em Pompeia, os corpos das pessoas soterradas pela erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o Ves\u00favio, no ano 79 d.C. &#8211; tudo est\u00e1 documentado em fotografias de qualidade impressionante. Em dois registros j\u00e1 conhecidos, d. Pedro II e d Thereza aparecem junto \u00e0 esfinge eg\u00edpcia de Giz\u00e9, em 1872, e em meio a ru\u00ednas em Pompeia, em 1888.<\/p>\n<p>O deleite de d. Pedro II em suas aventuras de navio est\u00e1 descrito em seus di\u00e1rios, nos quais desenhava em detalhes o que mais lhe impressionava. Alguns trechos foram destacados na exposi\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c0s 7 ancoramos perto da margem esquerda e um pouco a montante de Manfalout (no Egito). Esteve admir\u00e1vel o crep\u00fasculo com os seus matizes esverdeados e vermelho-claro. (&#8230;) Antes de dormir, estudo a gram\u00e1tica hierogl\u00edfica de Brugsch&#8221;, escreveu em 1876, citando o c\u00e9lebre egipt\u00f3logo alem\u00e3o Heinrich Karl Brugsch.<\/p>\n<p>&#8220;Desembarcando \u00e0s 6 \u00bd , parti montado em burrico, de modo muito caracter\u00edstico &#8211; o cavalo e o camelo s\u00f3 figuram nos monumentos eg\u00edpcios depois da d\u00e9cima dinastia (3000 a.C.)&#8221;, diz outra anota\u00e7\u00e3o, digna de um estudioso do assunto.<\/p>\n<p>&#8220;D. Pedro II n\u00e3o fazia turismo. Para ele, toda e qualquer viagem tinha status de expedi\u00e7\u00e3o, na qual procurava desvendar as quest\u00f5es levantadas a partir das leituras e estudos de escrit\u00f3rio&#8221;, explica Maur\u00edcio Vicente Ferreira Jr., diretor do Museu Imperial, que fica no palacete de Petr\u00f3polis que era a resid\u00eancia de ver\u00e3o de d. Pedro II, e que guarda o principal acervo do Pa\u00eds relativo ao imp\u00e9rio brasileiro (l\u00e1 est\u00e3o os di\u00e1rios).<\/p>\n<p>&#8220;Eles revelam o interesse de um cientista amador apaixonado pelas civiliza\u00e7\u00f5es da Antiguidade. Nas duas viagens ao Egito, em 1871 e 1876, ele foi acompanhado de dois egipt\u00f3logos famosos, Brugsch e (o franc\u00eas) Fran\u00e7ois Auguste Ferdinand Mariette, para debater sobre as pir\u00e2mides, os hier\u00f3glifos e temas da cultura local. Na viagem de 1876, por exemplo, visitou as 18 pir\u00e2mides do Baixo Egito, com outros especialistas.&#8221;<\/p>\n<p>Trancados em caixas met\u00e1licas acondicionadas na biblioteca por longos cem anos, sem qualquer manuseio, os \u00e1lbuns de d. Pedro II s\u00f3 vieram \u00e0 tona em 2003, na mostra de nome autoexplicativo De volta \u00e0 luz, em S\u00e3o Paulo. Da morte dele, em 1892, quando se oficializou a entrega, at\u00e9 o s\u00e9culo seguinte a cataloga\u00e7\u00e3o dos guardados n\u00e3o havia despertado interesse na casa, e tamb\u00e9m faltavam recursos para trat\u00e1-los com os cuidados de que necessitam.<\/p>\n<p>Composta tamb\u00e9m de livros, peri\u00f3dicos, mapas, estampas e partituras, a Cole\u00e7\u00e3o D. Thereza Christina Maria foi a maior doa\u00e7\u00e3o feita \u00e0 BN, fundada como Real Biblioteca em 1810, dois anos ap\u00f3s a chegada do av\u00f4 de d. Pedro II, d. Jo\u00e3o VI, ao Brasil \u00c9 t\u00e3o relevante que foi inclu\u00edda pela Unesco no Registro Internacional da Mem\u00f3ria do Mundo.<\/p>\n<p>A presidente da BN, Helena Severo, acredita que o p\u00fablico que visita o pr\u00e9dio da Cinel\u00e2ndia (centro do Rio) tem interesse especial nos documentos raros que ele guarda. &#8220;Exposi\u00e7\u00f5es como essa aumentam nosso p\u00fablico&#8221;, conta Helena. &#8220;Al\u00e9m das pessoas que frequentam nossas instala\u00e7\u00f5es para pesquisar ou apenas para ter contato com o pr\u00e9dio hist\u00f3rico, h\u00e1 um interesse especial em torno de documentos raros do acervo. \u00c9 importante tirar essas obras da reserva t\u00e9cnica, como fazem todas as bibliotecas nacionais do mundo.&#8221; A exposi\u00e7\u00e3o fica em cartaz at\u00e9 30 de janeiro, e deve receber cinco mil pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberta Pennafort Todo mundo aprendeu na escola que d. 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