{"id":158572,"date":"2017-10-30T17:11:31","date_gmt":"2017-10-30T19:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=158572"},"modified":"2017-10-30T17:11:31","modified_gmt":"2017-10-30T19:11:31","slug":"brasil-deixa-recessao-para-tras-e-se-recuperara-ate-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-deixa-recessao-para-tras-e-se-recuperara-ate-2022\/","title":{"rendered":"Brasil deixa recess\u00e3o para tr\u00e1s e se recuperar\u00e1 at\u00e9 2022"},"content":{"rendered":"<p><strong>Daniela Amorim e Vinicius Neder<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma longa recess\u00e3o, a atividade econ\u00f4mica brasileira entrou num per\u00edodo de expans\u00e3o a partir do primeiro trimestre de 2017, mas a retomada tem sido mais lenta do que nos per\u00edodos de crise registrados no passado, segundo avalia\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Data\u00e7\u00e3o de Ciclos Econ\u00f4micos da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Codace\/FGV).<\/p>\n<p>O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 8,6% em 11 trimestres de recess\u00e3o. Em reuni\u00e3o na \u00faltima sexta-feira, o Codace, \u00f3rg\u00e3o independente criado pela FGV para acompanhar os ciclos da economia, identificando per\u00edodos de expans\u00e3o e retra\u00e7\u00e3o, marcou o quarto trimestre de 2016 como o fim da recess\u00e3o. O ciclo de retra\u00e7\u00e3o tinha come\u00e7ado no segundo trimestre de 2014.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de a recess\u00e3o terminada no quarto trimestre de 2016 ter sido longa e intensa, o Comit\u00ea avaliou que a recupera\u00e7\u00e3o tem se mostrado at\u00e9 aqui lenta em compara\u00e7\u00e3o com o padr\u00e3o observado nas sa\u00eddas de recess\u00f5es anteriores&#8221;, declarou o Codace em comunicado divulgado nesta segunda-feira.<\/p>\n<p>O comit\u00ea avaliou que a recess\u00e3o de 2014-2016 foi a mais longa entre as nove datadas pelo \u00f3rg\u00e3o a partir de 1980, empatada com a de 1989-1992. A perda acumulada pelo PIB tamb\u00e9m foi a mais intensa da s\u00e9rie hist\u00f3rica, mas muito similar com a queda de 8,5% do PIB na recess\u00e3o de 1981-1983. O c\u00e1lculo teve como base os dados das Contas Nacionais apuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>A recess\u00e3o ficou para tr\u00e1s, mas ainda h\u00e1 um caminho consider\u00e1vel at\u00e9 que a economia nacional se recupere. A atividade econ\u00f4mica teria ainda que crescer 4,3% a partir de 2019 para retornar ao n\u00edvel de 2014, quando o ciclo recessivo come\u00e7ou, segundo o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). Considerando o crescimento populacional, o Brasil s\u00f3 se recuperar\u00e1 em 2022, conforme c\u00e1lculos da LCA Consultores.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es do Ipea apontam crescimento de 0,7% no PIB de 2017, seguido de avan\u00e7o de 2,6% em 2018. Por isso, para voltar ao n\u00edvel anterior \u00e0 recess\u00e3o, faltaria crescer 4,3%, avan\u00e7o dif\u00edcil para um ano apenas. Ainda assim, o diretor de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do Ipea, Jos\u00e9 Ronaldo de Castro Souza J\u00fanior, n\u00e3o descarta crescimento acelerado em 2019. &#8220;N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. H\u00e1 ainda indefini\u00e7\u00f5es acerca de reformas e do cen\u00e1rio pol\u00edtico, mas, havendo ambiente favor\u00e1vel, \u00e9 poss\u00edvel crescer mais&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Souza J\u00fanior lembrou que o cen\u00e1rio externo est\u00e1 atualmente favor\u00e1vel ao crescimento econ\u00f4mico, o que compensa em parte o impacto negativo da crise pol\u00edtica dom\u00e9stica. Entre as pend\u00eancias para a acelera\u00e7\u00e3o no ritmo de crescimento da economia est\u00e3o as reformas tribut\u00e1ria e da Previd\u00eancia, a revis\u00e3o de programas de governo e os avan\u00e7os em normas regulat\u00f3rias. &#8220;\u00c9 importante aprovar as medidas necess\u00e1rias para promover o ajuste fiscal e modernizar a economia&#8221;, afirmou o diretor do Ipea.<\/p>\n<p>Para M\u00f4nica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington (EUA), a recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 lenta. &#8220;A gente est\u00e1 saindo da recess\u00e3o sem investimento. Tem um lado da economia que, claramente, n\u00e3o tem recupera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem, em grande parte, por causa desse quadro pol\u00edtico ruim, que vai continuar com a gente at\u00e9 2018&#8221;, afirmou a economista, que v\u00ea as elei\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo ano como o grande fator de incerteza para o crescimento da economia.<\/p>\n<p>O economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, tamb\u00e9m v\u00ea o Brasil saindo da recess\u00e3o em marcha lenta. As proje\u00e7\u00f5es da LCA apontam que o PIB per capita, ou seja, dividido por cada habitante do Pa\u00eds, dever\u00e1 retomar o patamar de antes da recess\u00e3o apenas na virada de 2021 para 2022. Borges prefere olhar para o PIB per capita porque o crescimento populacional ajuda a atividade, mas, quando a economia retrai e a popula\u00e7\u00e3o segue crescendo, o efeito da recess\u00e3o sobre as pessoas \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Por isso, o economista resiste em classificar a recess\u00e3o de 2014 a 2016 como a maior da hist\u00f3ria. Em termos de perda acumulada do PIB, a queda de 8,6% supera os 8,5% da recess\u00e3o de nove trimestres entre 1981 e 1983, conforme a data\u00e7\u00e3o do Codace. S\u00f3 que, naquela \u00e9poca, a popula\u00e7\u00e3o crescia em ritmo acelerado. Assim, nas contas de Borges, o PIB per capita encolheu 13% ante 11% na recess\u00e3o recente. Dados hist\u00f3ricos compilados pela LCA apontam recuos maiores no PIB per capita tamb\u00e9m nas recess\u00f5es da Grande Depress\u00e3o dos anos 1930 (13%) e de 1891 a 1893 (22%).<\/p>\n<p>Para Borges, essas recess\u00f5es foram maiores porque atingiram mais a economia real. &#8220;Para uma mesma queda de PIB, se a popula\u00e7\u00e3o cresce mais, o desemprego tamb\u00e9m vai crescer mais&#8221;, disse o economista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniela Amorim e Vinicius Neder Ap\u00f3s uma longa recess\u00e3o, a atividade econ\u00f4mica brasileira entrou num per\u00edodo de expans\u00e3o a partir do primeiro trimestre de 2017, mas a retomada tem sido mais lenta do que nos per\u00edodos de crise registrados no passado, segundo avalia\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Data\u00e7\u00e3o de Ciclos Econ\u00f4micos da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Codace\/FGV). 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