{"id":158757,"date":"2017-10-31T18:16:07","date_gmt":"2017-10-31T20:16:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=158757"},"modified":"2017-10-31T18:18:09","modified_gmt":"2017-10-31T20:18:09","slug":"funcionarios-do-theatro-municipal-fazem-protesto-artistico-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/funcionarios-do-theatro-municipal-fazem-protesto-artistico-no-rio\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rios do Theatro Municipal fazem protesto art\u00edstico no Rio"},"content":{"rendered":"<p><strong>L\u00e9o Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Com um repert\u00f3rio variado, que foi do cl\u00e1ssico ao samba, o coro, o bal\u00e9 e a orquestra sinf\u00f4nica do Theatro Municipal mobilizaram centenas de pessoas hoje (31), em um protesto art\u00edstico contra o atraso dos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o atinge tanto os artistas quanto os funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos e administrativos. Eles alegam que n\u00e3o receberam o sal\u00e1rio de setembro, n\u00e3o tiveram qualquer sinaliza\u00e7\u00e3o de que receber\u00e3o o de outubro e tamb\u00e9m aguardam o 13\u00ba do ano passado.<\/p>\n<p>Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro tem cerca de 550 funcion\u00e1rios. Atualmente, \u00e9 vinculado \u00e0 Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e sofre os impactos da crise financeira que atinge o governo estadual. No dia 9 de maio, os funcion\u00e1rios j\u00e1 haviam realizado uma manifesta\u00e7\u00e3o semelhante. Na ocasi\u00e3o, conseguiram receber os sal\u00e1rios devidos de 2017. Mas o 13\u00ba de 2016 continuou pendente e os pagamentos dos meses seguintes voltaram a atrasar.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Escola de Dan\u00e7a Maria Olenewa, sediada no Theatro Municipal, n\u00e3o foi atingida pela crise. Atualmente, seus recursos s\u00e3o garantidos pela Associa\u00e7\u00e3o de Amigos da Escola de Dan\u00e7a Maria Olenewa (Amadan\u00e7a), uma entidade sem fins lucrativos criada em 1985, que gere as atividades usando recursos obtidos com a contribui\u00e7\u00e3o mensal dos alunos, doa\u00e7\u00f5es e bilheteria de apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ato de hoje foi realizado na escadaria do Theatro Municipal e se encerrou ao som da m\u00fasica Apesar de Voc\u00ea, de Chico Buarque, cantada com a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;Os funcion\u00e1rios querem trabalhar. o Theatro Municipal s\u00f3 continuou com as portas abertas durante todo este ano porque os funcion\u00e1rios se nagaram a cruzar os bra\u00e7os. Esta casa \u00e9 uma responsabilidade cultural do Poder P\u00fablico. As pessoas pagam impostos para ter cultura a sua disposi\u00e7\u00e3o. Esta n\u00e3o \u00e9 uma casa para dar lucro, para render dinheiro. \u00c9 um teatro para retornar \u00e0s pessoas aquilo que elas j\u00e1 pagam diariamente&#8221;, afirmou o violinista Ayran Nicodemo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o da Orquestra do Theatro Municipal.<\/p>\n<p>Tereza Cristina Ubirajara \u00e9 bailarina do Theatro Municipal h\u00e1 36 anos. Hoje ela n\u00e3o dan\u00e7a mais, por\u00e9m integra cenas como personagem. Para Tereza Cristina, al\u00e9m do impacto financeiro resultante do atraso dos sal\u00e1rios, os artistas sofrem com o abalo psicol\u00f3gico. &#8220;Exercemos profiss\u00f5es em que n\u00e3o podemos errar. Voc\u00ea n\u00e3o pode subir ao palco atordoado com seus problemas particulares, sem foco no que est\u00e1 fazendo. Precisamos de ter o m\u00ednimo de estabilidade emocional e ps\u00edquica. Mas essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desumana&#8221;, desabafou a bailarina.<\/p>\n<p>Tereza Cristina ressaltou que esta \u00e9 a maior crise que vivenciou em sua longa carreira na institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Nossa luta \u00e9 para dan\u00e7ar, cantar e tocar. Este \u00e9 o teatro mais tradicional do nosso pa\u00eds. E n\u00f3s, artistas, estudamos e nos aperfei\u00e7oamos at\u00e9 na v\u00e9spera da aposentadoria. O que queremos \u00e9 exercer nossa profiss\u00e3o, aplicar os nossos conhecimentos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Espet\u00e1culo cancelado &#8211;\u00a0<\/strong>Diante da situa\u00e7\u00e3o, foi cancelada a nova temporada do famoso espet\u00e1culo rom\u00e2ntico de bal\u00e9 O Lago dos Cisnes. Cerca de 6,5 mil ingresso j\u00e1 haviam sido vendidos para as apresenta\u00e7\u00f5es, que deveriam ter come\u00e7ado no \u00faltimo dia 29 e iriam at\u00e9 8 de novembro.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o bal\u00e9 mais dif\u00edcil do repert\u00f3rio cl\u00e1ssico. E, para que seja executado, os bailarinos precisam estar em sua alta performance. Com os sal\u00e1rios atrasados, muitos n\u00e3o conseguem vir diariamente para ensaiar&#8221;, disse Pedro Ismael Olivero, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades P\u00fablicas da A\u00e7\u00e3o Cultural do Estado do Rio de Janeiro (Sintac) e tamb\u00e9m da Associa\u00e7\u00e3o do Corpo Coral do Theatro.<\/p>\n<p>Segundo Pedro, al\u00e9m de atrasar os sal\u00e1rios, o governo estadual n\u00e3o tem honrado compromissos com o custeio da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;O teatro hoje \u00e9 mantido pela verba de bilheteria. H\u00e1 mais de dois anos, o governo estadual n\u00e3o repassa o que deveria. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita atrav\u00e9s de verbas captadas pela Lei Rouanet [Lei Federal 8.313\/1991]. Antigamente, o governo do Rio de Janeiro garantia cerca de R$ 14 milh\u00f5es apenas para produ\u00e7\u00e3o. Isso nos anos 1990 e 2000. Agora isso n\u00e3o existe mais. E para custear a manuten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 chegando nada&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Pend\u00eancias &#8211;\u00a0<\/strong>A\u00a0Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento (Sefaz) informou, em nota, que os servidores ativos do Theatro Municipal receberam integralmente, no dia 6 deste m\u00eas, os sal\u00e1rios de agosto. &#8220;No que diz respeito a setembro, est\u00e3o pendentes os pagamentos para um total de 474 funcion\u00e1rios ativos, cujo valor l\u00edquido soma R$ 2,019 milh\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>A Sefaz admite um atraso de 18 dias corridos, por considerar que o sal\u00e1rio de setembro deveria ter sido quitado at\u00e9 13 de outubro, e que deve o 13\u00ba sal\u00e1rio de 2016. &#8220;O atraso n\u00e3o diz respeito exclusivamente aos servidores do Theatro Municipal, mas a diversas secretarias e \u00f3rg\u00e3os do Estado. Esse atraso n\u00e3o resulta de desimport\u00e2ncia atribu\u00edda pela administra\u00e7\u00e3o estadual ao Theatro, mas sim da falta de recursos dispon\u00edveis em caixa. Os sal\u00e1rios ser\u00e3o pagos o mais rapidamente poss\u00edvel, de acordo com a disponibilidade de recursos&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>De acordo com a Sefaz, a crise do Rio de Janeiro foi provocada pela depress\u00e3o econ\u00f4mica que assolou todo o pa\u00eds a partir do in\u00edcio de 2015, sendo amplificada pela queda do pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo e pela redu\u00e7\u00e3o dos investimentos da Petrobras. Sediada no estado, a Petrobras esfriou suas atividades em consequ\u00eancia do avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, na qual a Pol\u00edcia Federal investiga esquemas de propina envolvendo a estatal.<\/p>\n<p>&#8220;No \u00faltimo dia 5 de setembro, foi homologada a ades\u00e3o do governo do Estado ao Regime de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal, que possibilitar\u00e1 o reequil\u00edbrio fiscal e financeiro do Rio de Janeiro&#8221;, acrescenta a Sefaz. De acordo com a secretaria, ser\u00e1 poss\u00edvel agora fazer um empr\u00e9stimo de R$ 2,9 bilh\u00f5es e colocar em dia todos os sal\u00e1rios dos servidores estaduais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e9o Rodrigues Com um repert\u00f3rio variado, que foi do cl\u00e1ssico ao samba, o coro, o bal\u00e9 e a orquestra sinf\u00f4nica do Theatro Municipal mobilizaram centenas de pessoas hoje (31), em um protesto art\u00edstico contra o atraso dos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o atinge tanto os artistas quanto os funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos e administrativos. 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