{"id":159005,"date":"2017-11-03T00:19:10","date_gmt":"2017-11-03T02:19:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=159005"},"modified":"2017-11-03T09:14:35","modified_gmt":"2017-11-03T11:14:35","slug":"uma-otima-orquestra-francesa-com-sotaque-russo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uma-otima-orquestra-francesa-com-sotaque-russo\/","title":{"rendered":"Uma \u00f3tima orquestra francesa com sotaque russo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Marcos Coelho<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 sempre que se tem um concerto sinf\u00f4nico inteiro s\u00f3 com m\u00fasica do s\u00e9culo 20. Dois russos, Shostakovich e Stravinsky, e um franc\u00eas, Debussy. Este foi o repert\u00f3rio escolhido para o segundo concerto do regente russo Tugan Sokhiev com os m\u00fasicos franceses da Orquestra Nacional do Capit\u00f3lio de Toulouse na Sala S\u00e3o Paulo, dentro da temporada 2017 da Sociedade de Cultura Art\u00edstica.<\/p>\n<p>Uma boa ideia. Mas os m\u00fasicos franceses foram seduzidos pela predomin\u00e2ncia russa a partir da batuta segura e firme de Sokhiev \u00c9 incr\u00edvel, mas a \u00f3tima orquestra francesa parecia&#8230; russa. Uma orquestra a car\u00e1ter para Shostakovich e Stravinsky. Vigorosa demais &#8211; provavelmente em consequ\u00eancia da reg\u00eancia -, a orquestra preferiu sempre subir a voltagem das din\u00e2micas (algumas vezes demais), em detrimento do discurso musical debussysta, muito mais nuanceado.<\/p>\n<p>Assim, o \u00f3timo regente Tugan Sokhiev construiu uma formid\u00e1vel primeira parte, dedicada a duas das obras mais populares de Dmitri Shostakovich (1906-1975). A Abertura Festiva, de 1954, composta para comemorar os 37 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, \u00e9 puro fogo de artif\u00edcio demag\u00f3gico. Mas \u00e9 m\u00fasica que levanta plateias em qualquer lugar. Assim como, ali\u00e1s, o Concerto no. 1 para piano e trompete, obra de 1933. Mas o concerto, se levanta plateias, tamb\u00e9m consegue impor-se como obra interessante do ponto de vista construtivo. O trompete, bem tocado pela francesinha Lucienne Renaudin Vary de 18 anos, \u00e9 um t\u00edmido coadjuvante que comenta aqui e ali o piano solista. Este \u00faltimo enfrenta mil e uma dificuldades t\u00e9cnicas e um virtuosismo a toda prova. Bertrand Chamayou captou como poucos esta m\u00fasica ora jocosa, ora provocativamente virtuos\u00edstica, ressaltando sua vitalidade r\u00edtmica. Naquele momento, Shostakovich ainda se encantava com o regime sovi\u00e9tico. Aqui o otimismo ainda soa sincero; na Abertura Festiva, \u00e9 posti\u00e7o, artificial.<\/p>\n<p>O mesmo clima vigoroso, cheio de fort\u00edssimos e muita transpira\u00e7\u00e3o, esteve presente na boa execu\u00e7\u00e3o do P\u00e1ssaro de Fogo, primeira obra composta por Igor Stravinsky (1882-1971) para os Bal\u00e9s Russos de Diaghilev em Paris, em 1910.<\/p>\n<p>Todo este &#8220;punch&#8221; deveria ter sido abrandado na sinfonia enrustida que Debussy comp\u00f4s sob o disfarce de &#8220;tr\u00eas esbo\u00e7os sinf\u00f4nicos&#8221; intitulada La Mer. Um cr\u00edtico que assistiu \u00e0 estreia reclamou que n\u00e3o encontrou o mar na obra. Ora, a dificuldade de se tocar Debussy \u00e9 justamente esta. Sua m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 descritiva. Reflete, antes disso, quase um fluxo livre de impress\u00f5es, ideias, lembran\u00e7as. Segue, como ele mesmo disse, a \u00fanica regra que vale a pena: &#8220;o prazer&#8221; pelos timbres, pelas sonoridades. Sokhiev bem que tentou, mas nem sempre conseguiu imprimir as nuances t\u00e3o necess\u00e1rias a esta m\u00fasica muito mais sutil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Marcos Coelho N\u00e3o \u00e9 sempre que se tem um concerto sinf\u00f4nico inteiro s\u00f3 com m\u00fasica do s\u00e9culo 20. Dois russos, Shostakovich e Stravinsky, e um franc\u00eas, Debussy. Este foi o repert\u00f3rio escolhido para o segundo concerto do regente russo Tugan Sokhiev com os m\u00fasicos franceses da Orquestra Nacional do Capit\u00f3lio de Toulouse na Sala [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":159006,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-159005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159005"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":159028,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159005\/revisions\/159028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}