{"id":159008,"date":"2017-11-03T00:22:51","date_gmt":"2017-11-03T02:22:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=159008"},"modified":"2017-11-03T09:14:00","modified_gmt":"2017-11-03T11:14:00","slug":"macale-sobe-aos-palcos-lembrando-que-viver-e-lutar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/macale-sobe-aos-palcos-lembrando-que-viver-e-lutar\/","title":{"rendered":"Macal\u00e9 sobe aos palcos lembrando que viver \u00e9 lutar"},"content":{"rendered":"<p><strong>Julio Maria<\/strong><\/p>\n<p>Na grande bolsa das apostas, talvez poucos pudessem imaginar uma parceria entre Jards Macal\u00e9 e Tim Bernardes. O primeiro, 74 anos, criou um idioma depois de desconstruir linguagens estabelecidas na m\u00fasica brasileira da segunda metade dos anos 60. Combativo, aglutinador, ir\u00f4nico, imprevis\u00edvel. O segundo, 26, estabelece-se em um mundo que parece ter pulverizado qualquer sonho, restando apenas a solid\u00e3o. Saem as lutas de classe, entram as ang\u00fastias individuais. Sai o coro, entra o solo.<\/p>\n<p>Jards e Tim, separados por 50 anos, j\u00e1 haviam subido juntos a um palco no Circo Voador uma vez, em 2016. Farrapo Humano, o rock and roll desconjuntado de Luiz Melodia que Jards gravou no disco de 1972, ganhou a voz e a guitarra de Tim em um momento de euforia. &#8220;Foi \u00f3timo o que aconteceu ali. Aquilo me fez querer conhecer o grupo de Tim, O Terno, e come\u00e7amos a pensar nessa participa\u00e7\u00e3o.&#8221; Foi quando come\u00e7ou a ser articulado o show que vem neste s\u00e1bado, 4, a S\u00e3o Paulo, em apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica na Casa Natura.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 novidades no repert\u00f3rio de Jards Macal\u00e9. O que ele traz \u00e9 o que todos querem ouvir, uma sequ\u00eancia de Farinha do Desprezo, Vapor Barato, Hotel das Estrelas, Negra Melodia, Let\u2019s Play That, S\u00f3 Morto\/Burning Night. Quando estiver ao lado de Tim, vai cantar Mal Secreto, Solu\u00e7os e, claro, a que mais o divertiu no primeiro encontro, Farrapo Humano. O disco de in\u00e9ditas sai em 2018. &#8220;Estamos ainda &#8211; eu, o Kiko Dinucci e o R\u00f4mulo Fr\u00f3es &#8211; na fase dos brainstorms. S\u00e3o as pessoas com as quais me identifico musicalmente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Sobre O Terno, o grupo de Tim, Jards usa superlativos para descrever o que sentiu ao conhec\u00ea-lo. &#8220;S\u00e3o sensacionais como grupo. E o trabalho solo de Tim (o recente Recome\u00e7ar) \u00e9 espetacular, dos melhores que j\u00e1 ouvi recentemente.&#8221; \u00c9 curioso ouvi-lo empolgado assim com um discurso que aparentemente n\u00e3o se comunique com o seu. &#8220;Musicalmente, gostei muito do acabamento, de como fizeram bem todas as etapas de produ\u00e7\u00e3o, das letras n\u00e3o f\u00fateis.&#8221;<\/p>\n<p>As causas esvaziadas pela descren\u00e7a; a troca de um inimigo vis\u00edvel (a ditadura) por um mal generalizado (a corrup\u00e7\u00e3o); a pulveriza\u00e7\u00e3o do sentimento coletivo desde o pr\u00f3prio consumo de m\u00fasica. O mundo estaria gestando uma gera\u00e7\u00e3o de homens tristes? &#8220;N\u00e3o sei se tristes. H\u00e1 uma melancolia ali, sim, que pode estar refletindo o momento em que estamos hoje. Eles falam da dor, mas com certa leveza. A minha gera\u00e7\u00e3o vinha com mais ironia.&#8221;<\/p>\n<p>E qual seria o pior Brasil de todos que Jards Macal\u00e9 conheceu, desde os tempo do Morro da Formiga, onde nasceu, no bairro da Tijuca, respirando sambas e Vicente Celestino, at\u00e9 os tempos modernos de se cantar com Tim Bernardes? O Brasil de hoje \u00e9 o pior, \u00e9 assustador.&#8221; Pior do que os anos de regime militar e de aus\u00eancia de liberdade de express\u00e3o? A pergunta \u00e9 delicada.<\/p>\n<p>&#8220;A ditadura era horr\u00edvel, aquela sucess\u00e3o de golpes com militares, um ap\u00f3s o outro, bancados pelos Estados Unidos. Mas a democracia trouxe a esperan\u00e7a, at\u00e9 que tudo acabou de novo e ca\u00edmos nesse buraco enorme. O Congresso \u00e9 horr\u00edvel, os pol\u00edticos s\u00e3o horr\u00edveis e as amea\u00e7as s\u00e3o graves.&#8221; E ent\u00e3o, qual \u00e9 o sonho de hoje? &#8220;Sair desse buraco.&#8221; Sair por onde? &#8220;N\u00e3o sei, n\u00e3o vejo nada pela frente, a n\u00e3o ser continuar. O problema \u00e9 que n\u00e3o sabemos mais o que \u00e9 democracia.&#8221;<\/p>\n<p>Teria ent\u00e3o a sua gera\u00e7\u00e3o, exposta aos cassetetes, lutado em v\u00e3o? &#8220;N\u00e3o lutamos em v\u00e3o, n\u00e3o me arrependo de nada. Lutar \u00e9 algo que temos de fazer sempre, mas o momento em que vivemos \u00e9 esse, como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos mais sonhos.&#8221; Voc\u00ea sempre foi um homem alinhado a ideias de esquerda. Como se identifica agora? Jards sorri e responde: &#8220;Isso \u00e9 dif\u00edcil de responder porque parece que est\u00e1 tudo no ch\u00e3o, parece que n\u00e3o sobrou nada. Deve ser um mal momento. H\u00e1 de haver algo por a\u00ed.&#8221;<\/p>\n<p>O apelido Macal\u00e9, impresso com for\u00e7a no nome de batismo Jards Anet da Silva, vem de sua fase vivendo em Ipanema, ainda garoto, quando chegou sem nenhuma intimidade com a bola. O verdadeiro Macal\u00e9, \u00e0 \u00e9poca, era considerado um dos piores jogadores do Botafogo. Um roqueiro na ess\u00eancia, mas desses de nunca deixar-se ir pelo leito dos acomodados, ele sobe ao palco com um trio, o formato que lhe deixa com aquele acabamento &#8220;mal acabado&#8221; dos discos dos anos 70, aquele quase solo de guitarra, aquela quase can\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o na banda Pedro Dantas (baixo), Victor Gottardi (guitarra) e Mauricio Calmon (bateria).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Maria Na grande bolsa das apostas, talvez poucos pudessem imaginar uma parceria entre Jards Macal\u00e9 e Tim Bernardes. 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