{"id":160015,"date":"2017-11-12T23:52:06","date_gmt":"2017-11-13T01:52:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=160015"},"modified":"2017-11-13T07:01:25","modified_gmt":"2017-11-13T09:01:25","slug":"mst-troca-ocupacao-de-predios-publicos-por-terras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mst-troca-ocupacao-de-predios-publicos-por-terras\/","title":{"rendered":"MST troca ocupa\u00e7\u00e3o de terras por pr\u00e9dios p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<p>O Movimento dos Sem Terra (MST) mudou o foco de sua atua\u00e7\u00e3o e, da explos\u00e3o de invas\u00f5es de propriedades rurais, no auge da press\u00e3o fundi\u00e1ria, nos anos 1990, passou a concentrar suas a\u00e7\u00f5es em mobiliza\u00e7\u00f5es em \u00e1reas urbanas, com, por exemplo, ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos. A estrat\u00e9gia agora \u00e9 buscar apoio da popula\u00e7\u00e3o para bandeiras que, na avalia\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes, t\u00eam apelo na opini\u00e3o p\u00fablica, como o combate ao desemprego e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica agr\u00e1ria do governo Michel Temer e as cr\u00edticas \u00e0s reformas trabalhista e da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>O n\u00famero de invas\u00f5es de propriedades rurais caiu 83% se comparado com o registrado h\u00e1 20 anos. Em 1997, foram 502 ocupa\u00e7\u00f5es, ante 83 no ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).<\/p>\n<p>A tomada de pr\u00e9dios p\u00fablicos &#8211; como as recentes ocupa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Fazenda, e das sedes da Cemig e do Incra -, ped\u00e1gios, estradas e ferrovias subiu de 87 a\u00e7\u00f5es no ano passado, entre janeiro e outubro, para 126 neste ano, no mesmo per\u00edodo, como forma de pressionar pelas &#8220;novas&#8221; pautas do MST e para se opor \u00e0 Lei 13.465\/2017 &#8211; apresentada pelo governo Temer ao Congresso como a Medida Provis\u00f3ria 759\/2016 &#8211; que trata do Programa Nacional de Regulariza\u00e7\u00e3o Fundi\u00e1ria.<\/p>\n<p>O dirigente nacional do MST Alexandre Concei\u00e7\u00e3o afirmou que o aumento no n\u00famero de ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos, marchas e bloqueios de rodovias se deu em raz\u00e3o dos contingenciamentos de verbas para a reforma agr\u00e1ria e da pauta econ\u00f4mica do atual governo.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 v\u00ednhamos sofrendo cortes desde 2015, no governo Dilma (Rousseff), ano em que ela n\u00e3o assentou ningu\u00e9m. Em 2016, com Temer, al\u00e9m de n\u00e3o assentar, ele cortou as pol\u00edticas p\u00fablicas que davam respaldo aos assentados e reduziu drasticamente o or\u00e7amento da reforma agr\u00e1ria&#8221;, disse Concei\u00e7\u00e3o. &#8220;Junto a isso, aconteceu o desemprego de quase 14 milh\u00f5es de pessoas. Daqui para frente (o n\u00famero de manifesta\u00e7\u00f5es) s\u00f3 vai aumentar&#8221;, afirmou o dirigente. &#8220;A crise e o desemprego provocam um aumento na procura pelo movimento&#8221;, acrescentou Kelli Mafort, uma das coordenadoras do MST em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, marchas pol\u00edticas, como as de Curitiba, durante os depoimentos do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, r\u00e9u na Lava Jato, em maio e setembro deste ano, e protestos contra corrup\u00e7\u00e3o, por exemplo, foram de 72 (2016) para 139 (2017). O total de atividades do movimento subiu de 235 (2016) para 337 (2017). As invas\u00f5es de terras no ano, por\u00e9m, ca\u00edram de 76 para 72, de janeiro a outubro.<\/p>\n<p>O MST invadiu fazendas de suspeitos de envolvimento em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o como o ex-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, o empres\u00e1rio Eike Batista, em Minas, al\u00e9m de \u00e1rea em Duartina, em S\u00e3o Paulo, do coronel da PM Jo\u00e3o Baptista Lima Filho, ex-assessor de Temer. Depois dessas invas\u00f5es, o MST comemorou em v\u00eddeos de propaganda na internet.<\/p>\n<p>Segundo Jo\u00e3o Paulo Rodrigues, tamb\u00e9m dirigente nacional do MST, a mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia e atua\u00e7\u00e3o do movimento se deve ao &#8220;impacto na renda no campo&#8221; que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 provocado pela reforma da Previd\u00eancia. Para o l\u00edder, a lei que disp\u00f5e sobre a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria proposta pelo atual governo, anunciada em julho deste ano, &#8220;vai permitir a privatiza\u00e7\u00e3o e internacionaliza\u00e7\u00e3o das terras no Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p><b>Lula &#8211;\u00a0<\/b>Passado o per\u00edodo de encolhimento de a\u00e7\u00f5es nos governos petistas, o MST deve se contrapor \u00e0 gest\u00e3o Temer. &#8220;Agora temos de recompor a base de apoio \u00e0 reforma agr\u00e1ria&#8221;, disse Rodrigues. Apesar desse engajamento contra o peemedebista e das a\u00e7\u00f5es em defesa de Lula, Rodrigues argumentou que houve dist\u00e2ncia do PT durante os 13 anos nos quais o partido esteve no poder. Segundo ele, o MST se beneficiou de pol\u00edticas sociais petistas, como programas de acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, Bolsa Fam\u00edlia, ProUni e Fies. &#8220;Mas o MST n\u00e3o participou (dos governos petistas)&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea sabe quantas vezes o Lula recebeu o MST?&#8221;, emendou: &#8220;Tr\u00eas vezes, juntando os dois mandatos&#8221;. E Dilma? &#8220;No primeiro mandato, nenhuma vez. Fomos recebidos duas vezes, no segundo mandato&#8221;, lembrou, quando a presidente cassada estava \u00e0 beira do processo do impeachment. A m\u00e9dia de invas\u00f5es nos governos petistas foi bem abaixo da m\u00e9dia das duas \u00faltimas d\u00e9cadas (315 por ano). No governo Lula, foram 190 ocupa\u00e7\u00f5es por ano, em m\u00e9dia, e 114,6 por ano, com Dilma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Movimento dos Sem Terra (MST) mudou o foco de sua atua\u00e7\u00e3o e, da explos\u00e3o de invas\u00f5es de propriedades rurais, no auge da press\u00e3o fundi\u00e1ria, nos anos 1990, passou a concentrar suas a\u00e7\u00f5es em mobiliza\u00e7\u00f5es em \u00e1reas urbanas, com, por exemplo, ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos. 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