{"id":160462,"date":"2017-11-15T13:00:27","date_gmt":"2017-11-15T15:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=160462"},"modified":"2017-11-15T14:11:43","modified_gmt":"2017-11-15T16:11:43","slug":"exercito-ensina-caminho-das-pedras-a-playboy-e-a-roceiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/exercito-ensina-caminho-das-pedras-a-playboy-e-a-roceiro\/","title":{"rendered":"Ex\u00e9rcito ensina caminho das pedras a playboy e a roceiro"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da bra\u00e7adeira de monitor, os jovens Matheus Berteli, de 19 anos, e Agr\u00edcio Nunes Medrado, de 22, atiradores do Tiro de Guerra (TG) de Capivari, no interior de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o t\u00eam quase nada em comum. Berteli \u00e9 filho de um industrial do setor de metalurgia pesada e, at\u00e9 o ano passado, tudo o que fazia era dirigir carr\u00f5es importados e se equilibrar sobre uma prancha de surfe no Guaruj\u00e1, litoral paulista. Agr\u00edcio \u00e9 do interior da Bahia e migrou para Capivari, em 2016, em busca de trabalho, ap\u00f3s perder o emprego em uma fazenda. Com ele e a m\u00e3e vieram seis dos 11 irm\u00e3os. Os outros ficaram no Nordeste, trabalhando na ro\u00e7a com o pai.<\/p>\n<p>Desde fevereiro, algo mais aproxima os dois rapazes: eles s\u00e3o l\u00edderes no grupo de 50 atiradores da turma do TG de Capivari, que celebra seu centen\u00e1rio neste ano. Eles foram incorporados ao servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio como n\u00e3o volunt\u00e1rios. Agora, ambos est\u00e3o inclinados a seguir a carreira militar.<\/p>\n<p>Berteli ainda tem d\u00favida. A f\u00e1brica do pai est\u00e1 em expans\u00e3o e ele planejava cursar Com\u00e9rcio Exterior. &#8220;N\u00e3o queria me alistar, achava que ia atrapalhar, mas meu pai fez o Tiro de Guerra e sempre dizia que, para ele, foi um divisor de \u00e1guas.&#8221;<\/p>\n<p>Berteli conta que, na sele\u00e7\u00e3o e nos primeiros dias de tiro, achou que n\u00e3o ia funcionar. &#8220;Vi muito garoto estranho, de perfil muito diferente do meu. Fiquei meio arredio, sentei l\u00e1 no fundo, mas o sub (tenente) veio e disse: \u2018N\u00e3o crie minhoca, moleque, sua carca\u00e7a j\u00e1 \u00e9 minha\u2019, e me puxou para a frente. Logo minha cabeleira estava no ch\u00e3o. Em poucos dias tinha feito amizade com todos.&#8221; O antigo &#8220;filhinho de papai&#8221; revelou-se disciplinado e solid\u00e1rio. Em pouco tempo liderava seu grupo. &#8220;Meu pai espera que trabalhe com ele. Estou em d\u00favida. Estive na escola preparat\u00f3ria de cadetes em Campinas e fiquei entusiasmado. Quando visto a farda e venho para c\u00e1, me realizo.&#8221;<\/p>\n<p>Agr\u00edcio j\u00e1 se decidiu e o TG \u00e9 o ingresso na carreira mais do que planejada. &#8220;Descobri o que tenho no sangue. Vou fazer o curso da Escola de Sargentos e, no que depender de mim, vou passar. J\u00e1 me vejo no Ex\u00e9rcito.&#8221; \u00c9 o primeiro atirador da fam\u00edlia.<\/p>\n<p><b>Disciplina &#8211;<\/b>\u00a0O subtenente Jailton Cordeiro da Silva, de 46 anos, que assumiu o TG Capivari em dezembro, conta que o quartel prepara para ser bom cidad\u00e3o. &#8220;A disciplina, a responsabilidade e o tratamento igual para todos que aprendem aqui servem para a vida que v\u00e3o levar como oper\u00e1rio, professor, pol\u00edtico ou empres\u00e1rio. Certamente muitos v\u00e3o sair melhores do que entraram. Como aqui representa o Ex\u00e9rcito, e isso deixamos claro, muitos se interessam em seguir carreira militar.&#8221;<\/p>\n<p>A rotina \u00e9 a mesma de outros futuros reservistas recrutados pelos mais de 220 tiros de guerra no Pa\u00eds. Como a maioria trabalha ou estuda, eles se apresentam \u00e0s 6 horas e cumprem atividades at\u00e9 \u00e0s 8, recebendo instru\u00e7\u00f5es militares, aulas de civismo e cidadania, no\u00e7\u00f5es de armamento e primeiros socorros. Em rod\u00edzio, alguns s\u00e3o convocados para a seguran\u00e7a do quartel por 24 horas. Os alistados usam uniforme do Ex\u00e9rcito e t\u00eam o dever de mant\u00ea-lo impec\u00e1vel, assim como deixar barba feita e cabelo curto.<\/p>\n<p>&#8220;A parte pr\u00e1tica ser\u00e1 no quartel do Ex\u00e9rcito em Itu, mas s\u00f3 quando eles tiverem dominado toda a teoria&#8221;, diz o sub. Quem se destaca \u00e9 escolhido para a lideran\u00e7a. Os jovens n\u00e3o recebem sal\u00e1rio nem ajuda de custo.<\/p>\n<div id=\"Corpo\">\n<p><strong>Lembran\u00e7a centen\u00e1ria<\/strong> &#8211; O aposentado Benedito \u00c1ggio, de 91 anos, o seu Ben\u00ea, conhece o valor do servi\u00e7o militar. Nascido em 1926, serviu no Tiro de Guerra (TG) de Capivari em 1944 e foi homenageado na festa do centen\u00e1rio, celebrada em 20 de setembro. &#8220;Como era o tempo da 2.\u00aa Guerra, havia 120 atiradores. A todo momento nosso pessoal era colocado de prontid\u00e3o para um poss\u00edvel embarque para a frente de batalha, na Europa. Al\u00e9m de manusear fuzil com baioneta, aprend\u00edamos a cavar trincheiras.&#8221;<\/p>\n<p>Foram convocados rapazes de v\u00e1rias cidades para aumentar o contingente. &#8220;Volta e meia algu\u00e9m falava que os navios estavam atracando em Santos e \u00edamos embarcar. No fim, meu ano acabou e fiquei aqui, at\u00e9 frustrado de n\u00e3o ter ido \u00e0 guerra.&#8221; Ele se arrepende de n\u00e3o ter seguido carreira militar &#8211; tornou-se inspetor de alunos.<\/p>\n<p>Cerca de 5 mil jovens j\u00e1 passaram pelo TG de Capivari. Entre os ex-atiradores est\u00e1 o ex-ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto. Neste ano, o general de Ex\u00e9rcito Jo\u00e3o Camilo Pires de Campos, comandante militar do Sudeste, foi homenageado como t\u00edtulo de cidad\u00e3o honor\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da bra\u00e7adeira de monitor, os jovens Matheus Berteli, de 19 anos, e Agr\u00edcio Nunes Medrado, de 22, atiradores do Tiro de Guerra (TG) de Capivari, no interior de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o t\u00eam quase nada em comum. 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