{"id":160511,"date":"2017-11-16T07:58:06","date_gmt":"2017-11-16T09:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=160511"},"modified":"2017-11-16T07:58:06","modified_gmt":"2017-11-16T09:58:06","slug":"justica-incentiva-adocao-de-criancas-mais-velhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/justica-incentiva-adocao-de-criancas-mais-velhas\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a incentiva ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as mais velhas"},"content":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Fernando Guggenberger, de 38 anos, e Patr\u00edcia Prado, de 36, se lembram bem de quando pousaram os olhos em dois meninos em um abrigo na zona leste de S\u00e3o Paulo, em 14 de novembro de 2013. &#8220;Ali a gente teve a certeza de que eram nossos filhos&#8221;, lembra Guggenberger.<\/p>\n<p>O mais velho tinha 5 anos e o mais novo, quase 2. Irm\u00e3os, foram adotados juntos 20 dias ap\u00f3s o casal ser habilitado pela Justi\u00e7a Para incentivar a ado\u00e7\u00e3o tardia e dar a meninos e meninas a oportunidade de conviv\u00eancia familiar, Tribunais de Justi\u00e7a t\u00eam feito campanhas que facilitam o encontro entre futuros pais e filhos.<\/p>\n<p>A rapidez no processo de Lu\u00eds Fernando e Patr\u00edcia tem um motivo: o casal queria adotar irm\u00e3os e n\u00e3o se importava se fossem mais velhos. A maioria dos que pretendem adotar, no entanto, n\u00e3o tem esse perfil. Dados do Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), mostram a prefer\u00eancia por beb\u00eas. Por outro lado, sobram em abrigos de todo o Pa\u00eds crian\u00e7as mais velhas e adolescentes &#8211; 78% dos que aguardam ado\u00e7\u00e3o t\u00eam 5 anos ou mais.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o Tribunal de Justi\u00e7a lan\u00e7ou campanha de incentivo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as mais velhas. O projeto-piloto foi chamado de &#8220;Adote um boa-noite&#8221;, em refer\u00eancia ao momento do dia em que uma crian\u00e7a com fam\u00edlia costuma receber o desejo de boa-noite.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ada no Dia da Crian\u00e7a, a iniciativa apresenta 18 crian\u00e7as e adolescentes sob jurisdi\u00e7\u00e3o da Vara da Inf\u00e2ncia de Santo Amaro, com fotos e descri\u00e7\u00e3o. &#8220;O grande problema era expor ou n\u00e3o as fotos dessas crian\u00e7as porque o ECA (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente) veda que as crian\u00e7as sejam fotografadas&#8221;, explica o corregedor-geral de Justi\u00e7a Manoel Pereira. &#8220;Mas a interpreta\u00e7\u00e3o que fizemos \u00e9 de que a proibi\u00e7\u00e3o \u00e9 a situa\u00e7\u00f5es que coloquem as crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o vexat\u00f3ria. Neste caso, pelo contr\u00e1rio: \u00e9 situa\u00e7\u00e3o de carinho, amor e colo.&#8221;<\/p>\n<p>Desde o lan\u00e7amento da campanha, 130 pretendentes mostraram interesse em adotar um menino ou uma menina da Vara de Santo Amaro. Ontem, passaram a integrar a lista no site adoteumboanoite.com.br outras 11 crian\u00e7as e adolescentes da Vara da Inf\u00e2ncia do Tatuap\u00e9, que entraram em campo com jogadores do Corinthians.<\/p>\n<p>Segundo o juiz de direito Gabriel Sormani, coordenador da &#8220;Adote um boa-noite&#8221;, um dos entraves \u00e9 quando h\u00e1 irm\u00e3os. &#8220;Uma sa\u00edda que vem sendo utilizada \u00e9 serem adotados por fam\u00edlias diferentes, mas que morem em cidades pr\u00f3ximas e se comprometam a manter a rela\u00e7\u00e3o.&#8221; Outros seis ju\u00edzes da capital e do Estado j\u00e1 mostraram interesse na campanha. O TJ pretende expandir a iniciativa em 2018.<\/p>\n<p><b>Pelo Pa\u00eds &#8211;\u00a0<\/b>Iniciativa semelhante \u00e9 aplicada pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, que em maio lan\u00e7ou &#8220;Esperando por voc\u00ea&#8221;. &#8220;Temos crian\u00e7as acolhidas h\u00e1 mais de cinco anos&#8221;, explica a assistente social Nathalia Pelegrini, da Comiss\u00e3o Estadual Judici\u00e1ria de Ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vinte seis crian\u00e7as e adolescentes entre 6 e 17 anos gravaram v\u00eddeos em que contam seus sonhos e por que gostariam de ser adotados. &#8220;Recebemos contatos do Brasil todo e de brasileiros que moram fora&#8221;, diz Nathalia. Uma crian\u00e7a foi adotada ap\u00f3s o lan\u00e7amento do projeto e tr\u00eas est\u00e3o em processo, entre elas uma menina de 12 anos com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas.<\/p>\n<p>Os filhos de Vania Castan, de 38 anos, de S\u00e3o Bernardo, no ABC paulista, tamb\u00e9m foram &#8220;buscados&#8221; em outro Estado. H\u00e1 dois anos, a advogada viajou com o marido a uma pequena cidade mineira atr\u00e1s de dois irm\u00e3os: uma menina de 6 anos e um menino de 4. &#8220;Quando conhecemos a hist\u00f3ria deles (pela assistente social de um abrigo), alteramos a idade&#8221;, conta Vania, que inicialmente tinha preenchido a ficha para o Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o atr\u00e1s de uma crian\u00e7a de at\u00e9 5 anos.<\/p>\n<p>Em Cuiab\u00e1, pretendentes que querem crian\u00e7as mais novas s\u00e3o convidados a visitar abrigos com acolhidos mais velhos. A iniciativa, que partiu da ju\u00edza da 1.\u00aa Vara Especializada da Inf\u00e2ncia e Juventude de Cuiab\u00e1, Gleide Bispo, ocorre h\u00e1 sete anos. &#8220;Zeramos todas as crian\u00e7as de ado\u00e7\u00e3o tardia.&#8221;<\/p>\n<p>Gleide tamb\u00e9m participa do grupo Cegonhas da Ado\u00e7\u00e3o, no WhatsApp, com quase 200 magistrados em todas as capitais. &#8220;Temos de sair em busca como se fossem filhos nossos, porque est\u00e3o sob nossa responsabilidade e cada dia que passa \u00e9 mais um dentro de uma unidade de acolhimento.&#8221; No ano passado, o professor carioca Thiago Zalinsq Almeida, de 36 anos, conheceu os filhos, de 12 e 10 anos, em um abrigo em Cuiab\u00e1, depois que Gleide acionou o grupo no aplicativo.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, a procura sistem\u00e1tica por interessados pela ado\u00e7\u00e3o tardia \u00e9 feita pelo Poder Judici\u00e1rio desde 2009, mas ganhou for\u00e7a no \u00faltimo ano, depois que o TJ passou a divulgar nas redes sociais os perfis de abrigados. A Justi\u00e7a ainda fez parceria com o time do Sport para o &#8220;Adote um pequeno torcedor&#8221;, em que as crian\u00e7as relatam em v\u00eddeo o que esperam de uma fam\u00edlia e as paix\u00f5es &#8211; incluindo o time de futebol. A a\u00e7\u00e3o foi replicada por equipes pelo Pa\u00eds. &#8220;Estou convencido de que pegar pelo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais importante&#8221;, diz Figueiredo.<\/p>\n<p><b>Emo\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/b>&#8220;Tomei a decis\u00e3o de adotar uma crian\u00e7a quando tive minha estabilidade financeira e emocional. Entrei com o processo para adotar e demorou dois anos para ser habilitado. Por ser solteiro, n\u00e3o optei por beb\u00ea. Optei por um menino de 3 a 10 anos de idade, de cor indiferente. Em um domingo \u00e0 tarde, a doutora Gleide (da 1.\u00aa Vara Especializada da Inf\u00e2ncia e Juventude de Cuiab\u00e1) me ligou e falou do meu filho (Crystopher Sidwald, na \u00e9poca com 11 anos, hoje com 12). Meu cora\u00e7\u00e3o queimou. Falei: &#8216;\u00c9 esse'&#8221;, diz Thiago Zalinsq Almeida, de 36 anos, professor de Portugu\u00eas no Rio, que adotou os meninos Crystopher Sidwald e Jos\u00e9 Roberto.<\/p>\n<p>&#8220;Depois, ela me autorizou a v\u00ea-lo por foto no WhatsApp. A primeira coisa que eu vi foi o sorriso. Chorei na hora. Depois fui para Cuiab\u00e1. Na primeira aproxima\u00e7\u00e3o, a resposta dele foi muito fria, mas aos pouquinhos fui tentando conquist\u00e1-lo. Voltei ao Rio e fiquei conversando com o Sid pela internet, com autoriza\u00e7\u00e3o da ju\u00edza. No fim de dezembro (de 2016), voltei a Cuiab\u00e1, ele estava terminando o ano letivo. A ju\u00edza disse que o mandaria (para o Rio) sozinho no avi\u00e3o, mas n\u00e3o aceitei. Queria juntamente com ele cortar o cord\u00e3o umbilical do abrigo porque ele foi deixado l\u00e1 com 1 ano. Era o menino mais velho ali. Queria dizer que ele tinha uma fam\u00edlia que o amava.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tive contato com o melhor amigo dele no abrigo. Um menino negro, carism\u00e1tico, de cora\u00e7\u00e3o de ouro, o Jos\u00e9 Roberto (de 10 anos), que me falava o tempo todo: &#8220;Me leva tamb\u00e9m&#8221;. N\u00e3o podia levar, mas prometi que o buscaria.<\/p>\n<p>Os dois primeiros meses com o Sid foram os mais dif\u00edceis da minha vida. Quando temos um filho, queremos ser amados por ele tamb\u00e9m. Mas a obriga\u00e7\u00e3o de amar n\u00e3o \u00e9 da crian\u00e7a, \u00e9 minha. Para quebrar o gelo, foi uma luta. As crian\u00e7as ficam testando para ver at\u00e9 onde voc\u00ea vai. E eu falava: &#8220;Independentemente do que voc\u00ea fa\u00e7a, eu vou te amar&#8221;. A gente tinha de se construir como pai e filho. At\u00e9 que um dia, quando vinha uma assistente social aqui em casa, eu falei: &#8220;Filho, estou muito nervoso&#8221;. E ele respondeu: &#8220;Eu tamb\u00e9m, pai&#8221;. E me abra\u00e7ou. O primeiro abra\u00e7o espont\u00e2neo foi lindo.<\/p>\n<p>Mas meu cora\u00e7\u00e3o ainda estava queimando pelo Jos\u00e9. Ent\u00e3o eu o trouxe em junho. Estou criando dois homens de car\u00e1ter, que v\u00e3o saber lidar em sociedade, sem preconceito. Quando me dei conta de que era pai, o mundo se transformou. \u00c9 divino e indescrit\u00edvel Minha fam\u00edlia est\u00e1 completa&#8221;, finaliza Thiago Almeida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Fernando Guggenberger, de 38 anos, e Patr\u00edcia Prado, de 36, se lembram bem de quando pousaram os olhos em dois meninos em um abrigo na zona leste de S\u00e3o Paulo, em 14 de novembro de 2013. &#8220;Ali a gente teve a certeza de que eram nossos filhos&#8221;, lembra Guggenberger. O mais velho tinha 5 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":123845,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-160511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160511"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":160512,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160511\/revisions\/160512"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/123845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}