{"id":160908,"date":"2017-11-19T09:19:15","date_gmt":"2017-11-19T11:19:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=160908"},"modified":"2017-11-19T09:20:18","modified_gmt":"2017-11-19T11:20:18","slug":"politica-economica-afasta-o-brasil-do-cenario-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/politica-economica-afasta-o-brasil-do-cenario-global\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica econ\u00f4mica afasta o Brasil do cen\u00e1rio global"},"content":{"rendered":"<p>Sem acordos internacionais de peso e sendo considerado um dos pa\u00edses mais fechados do mundo, o Brasil vem perdendo ano a ano espa\u00e7o no com\u00e9rcio internacional. O Pa\u00eds, que em 2011 chegou a ter uma participa\u00e7\u00e3o de 1,4% nas exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es globais, viu essa fatia cair para 1,1% no ano passado. Entre os maiores exportadores, chegou a ocupar a 22.\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 2013, mas caiu para o 26.\u00ba posto no ano passado, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>Embora esteja encolhendo l\u00e1 fora, o Brasil vive um momento em que exporta bem mais do que compra do exterior. De janeiro a outubro, o saldo foi positivo em US$ 58,5 bilh\u00f5es &#8211; o maior super\u00e1vit da s\u00e9rie hist\u00f3rica. S\u00f3 que o desempenho se deve, sobretudo, ao crescimento dos pre\u00e7os das commodities. Nos produtos de maior valor agregado, o Pa\u00eds ainda sofre com a falta de competitividade.<\/p>\n<p>&#8220;Comemorar a alta nas exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 correto, mas o fato de o Brasil ser fechado cobra um pre\u00e7o caro na qualidade das nossas exporta\u00e7\u00f5es. S\u00f3 exporta bem quem consegue importar sem tantas barreiras&#8221;, diz a professora da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Lia Valls.<\/p>\n<p>Especialistas consultados pelo Estado lembram que o Brasil \u00e9 corretamente retratado pela OMC como uma economia amplamente movida pelo mercado interno. &#8220;Temos um mercado consumidor grande e \u00e9 at\u00e9 natural que as empresas nacionais se voltem para ele&#8221;, diz Lia.<\/p>\n<p>Ao se considerar a participa\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es no PIB (indicador constru\u00eddo pelo Banco Mundial), de 12,1% no ano passado, o Brasil acaba figurando na lista dos pa\u00edses mais fechados do mundo. O porcentual \u00e9 menos de um ter\u00e7o que o do M\u00e9xico, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;O baixo grau de integra\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio mundial desestimula tanto a inova\u00e7\u00e3o quanto a competitividade internacional das empresas&#8221;, afirma Sandra Rios, do Centro de Estudos de Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (Cindes). &#8220;Isso reflete a pol\u00edtica comercial brasileira, que privilegia o desenvolvimento de uma ind\u00fastria integrada verticalmente e voltada para o mercado interno.&#8221;<\/p>\n<p>O resultado desse cen\u00e1rio \u00e9 a m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o dos recursos produtivos, a baixa incorpora\u00e7\u00e3o de avan\u00e7os t\u00e9cnicos e a reduzida inser\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional de manufaturados. &#8220;Na sa\u00edda da recess\u00e3o econ\u00f4mica, o Pa\u00eds continua dependente do mercado dom\u00e9stico para a retomada do n\u00edvel de atividade da ind\u00fastria&#8221;, diz Rios.<\/p>\n<p><b>Plano B &#8211;\u00a0<\/b>Com o mercado interno em baixa nos \u00faltimos anos, o que os analistas esperavam era que houvesse uma explos\u00e3o no n\u00famero de empresas brasileiras exportadoras em todos os n\u00edveis, mas isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Mais de 300 empresas deixaram de exportar nas maiores faixas de valor, acima de US$ 5 milh\u00f5es, entre 2013 &#8211; quando a recess\u00e3o ainda n\u00e3o tinha come\u00e7ado &#8211; e outubro deste ano. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os (Mdic).<\/p>\n<p>A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, e uma das principais exportadoras de manufaturados do Pa\u00eds, viu suas vendas externas de compressores para refrigera\u00e7\u00e3o ca\u00edrem 40% nos \u00faltimos cinco anos (leia mais na B3).<\/p>\n<p>O crescimento no n\u00famero de exportadores ocorreu apenas na base, entre os que comercializaram at\u00e9 US$ 5 milh\u00f5es no ano. Essas empresas de menor porte foram as que ajudaram a puxar o total de exportadores. Em 2013, 21,8 mil companhias venderam ao exterior, considerando todas as faixas. Neste ano, at\u00e9 outubro, o total chegou a 24,3 mil.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), publicada em 2016, ajuda a entender alguns dos problemas do exportador brasileiro para se manter no mercado internacional: custo de transporte e tarifas de portos e aeroportos.<\/p>\n<p>&#8220;No passado, a gente reclamava dos pa\u00edses que colocavam barreiras, hoje os maiores entraves s\u00e3o internos&#8221;, diz o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro. Ele lembra que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras tamb\u00e9m s\u00e3o muito concentradas nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. &#8220;O Brasil acaba dependendo em dobro das commodities, tanto para melhorar o saldo do Pa\u00eds quanto para que seus vizinhos consigam comprar mais produtos brasileiros.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem acordos internacionais de peso e sendo considerado um dos pa\u00edses mais fechados do mundo, o Brasil vem perdendo ano a ano espa\u00e7o no com\u00e9rcio internacional. O Pa\u00eds, que em 2011 chegou a ter uma participa\u00e7\u00e3o de 1,4% nas exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es globais, viu essa fatia cair para 1,1% no ano passado. 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