{"id":161543,"date":"2017-11-24T07:58:56","date_gmt":"2017-11-24T09:58:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=161543"},"modified":"2017-11-24T07:58:56","modified_gmt":"2017-11-24T09:58:56","slug":"vida-e-obra-sobre-quem-gosta-de-ler-antes-de-ir-para-cama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vida-e-obra-sobre-quem-gosta-de-ler-antes-de-ir-para-cama\/","title":{"rendered":"Vida e obra sobre quem gosta de ler antes de ir para a cama"},"content":{"rendered":"<p>O humorista e apresentador J\u00f4 Soares manteve durante muito tempo um arquivo em seu computador com o nome de BIO &#8211; ali, pretendia escrever a sua autobiografia. &#8220;Mas o m\u00e1ximo que consegui foi colar um texto que o Mill\u00f4r Fernandes fez sobre mim e uma ou outra frase&#8221;, conta ele, sem esconder a frustra\u00e7\u00e3o. A virada de jogo ocorreu quando recebeu a visita de Luiz Schwarcz e Matinas Suzuki Jr., da Companhia das Letras &#8211; incentivado pela dupla, J\u00f4 decidiu fazer a viagem pelo seu tempo, mas desde que acompanhado por Matinas. &#8220;Eu me expresso melhor oralmente&#8221;, justificou.<\/p>\n<p>Assim, em mar\u00e7o, eles come\u00e7aram a se encontrar no apartamento de J\u00f4, no bairro de Higien\u00f3polis, e, depois de 104 encontros (alguns chegaram a beirar tr\u00eas horas) e uma enormidade de material gravado, nasceu O Livro de J\u00f4 &#8211; Uma Biografia Desautorizada, que a Companhia das Letras acaba de lan\u00e7ar. Trata-se, na verdade, do volume 1. &#8220;S\u00e3o tantas as hist\u00f3rias que o livro ficaria com mais de 700 p\u00e1ginas&#8221;, conta Matinas, que convenceu J\u00f4 a dividir em dois volumes &#8211; o pr\u00f3ximo deve sair no final de 2018.<\/p>\n<p>De fato, mesmo tratando desde o nascimento do apresentador, em 1938, at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1960, o livro \u00e9 repleto de hist\u00f3rias incr\u00edveis, muitas esquecidas e resgatadas gra\u00e7as \u00e0 prodigiosa mem\u00f3ria de J\u00f4 e ao afinco de Matinas e sua equipe em pesquisar todos os detalhes. E n\u00e3o foi pouca coisa &#8211; perto de completar 80 anos (em 16 de janeiro), Jos\u00e9 Eug\u00eanio Soares n\u00e3o apenas testemunhou momentos determinantes da cultura brasileira como fez parte de boa parte deles. &#8220;Sou a soma do que devo aos meus pais, Mercedes e Orlando, e tamb\u00e9m aos meus amigos&#8221;, conta ele. &#8220;O livro \u00e9 fruto do conjunto desses encontros.&#8221;<\/p>\n<p>E s\u00e3o tantas as hist\u00f3rias que o rep\u00f3rter brincou com o apresentador, tratando-o como o Forrest Gump brasileiro, refer\u00eancia ao personagem (vivido por Tom Hanks no cinema) que presenciou os fatos mais importantes dos EUA. &#8220;Sim&#8221;, concordou, para arrematar com um largo sorriso: &#8220;Mas um Forrest consciente&#8221;<\/p>\n<p>Filho \u00fanico de pais de esp\u00edrito livre, J\u00f4 recebeu uma educa\u00e7\u00e3o humanista, voltada para as artes. Vivendo no Rio de Janeiro, acompanhou a tr\u00e1gica final da Copa de 1950, no Maracan\u00e3. Passou uma temporada em Nova York e estudou em col\u00e9gio interno su\u00ed\u00e7o, per\u00edodo em que acompanhou outro Mundial de futebol, o de 1954, e tamb\u00e9m desenvolveu o pendor para a m\u00fasica (jazz, em especial), as artes visuais (\u00e9 f\u00e3, entre outras, da Pop Art) e a habilidade com o humor.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre fui um menino atrevido, que n\u00e3o se envergonhava em puxar conversa com celebridades&#8221;, lembra ele (leia alguns exemplos abaixo). Em um desses momentos, ele conseguiu conhecer o ateli\u00ea do pintor americano Roy Lichtenstein (1923-1997), um dos papas da arte moderna. &#8220;Adoro sua obra e, uma vez em Nova York, procurei seu nome na lista telef\u00f4nica, liguei e ele foi muito gentil ao me receber&#8221;, relembra J\u00f4.<\/p>\n<p>Esse primeiro volume resgata, portanto, momentos marcantes da vida e da carreira do apresentador, desde a inf\u00e2ncia vivida no Anexo do Copacabana Palace at\u00e9 a chegada na televis\u00e3o, onde conviveu com nomes lend\u00e1rios como Silveira Sampaio e Nilton Travesso, sem se esquecer de locais famosos, como o Nick-Bar, ao lado do Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia, ou o Gigetto, em seu primeiro endere\u00e7o, em frente ao Cultura Art\u00edstica. &#8220;As lembran\u00e7as mexeram com ele&#8221;, conta Matinas. &#8220;Muitas vezes, al\u00e9m de chorar, J\u00f4 interrompia a conversa para telefonar para a pessoa da qual fal\u00e1vamos.&#8221;<\/p>\n<p>Dois momentos ainda provocam as l\u00e1grimas do apresentador: a lembran\u00e7a do filho, Rafael, que tinha autismo e morreu em 2014, aos 51 anos, de c\u00e2ncer, e da m\u00e3e, Mercedes, que foi atropelada por um t\u00e1xi, no Rio de Janeiro, em 1968.<\/p>\n<p>Atualmente, J\u00f4 vive o per\u00edodo sab\u00e1tico da Globo, mas n\u00e3o deve voltar \u00e0 televis\u00e3o &#8211; sua maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o teatro, especialmente a pe\u00e7a A Noite de 16 de Janeiro, que dever\u00e1 montar em 2018. &#8220;\u00c9 minha maior preocupa\u00e7\u00e3o agora.&#8221; Assunto para o pr\u00f3ximo volume.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O humorista e apresentador J\u00f4 Soares manteve durante muito tempo um arquivo em seu computador com o nome de BIO &#8211; ali, pretendia escrever a sua autobiografia. &#8220;Mas o m\u00e1ximo que consegui foi colar um texto que o Mill\u00f4r Fernandes fez sobre mim e uma ou outra frase&#8221;, conta ele, sem esconder a frustra\u00e7\u00e3o. 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