{"id":161546,"date":"2017-11-24T00:00:07","date_gmt":"2017-11-24T02:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=161546"},"modified":"2017-11-24T08:03:45","modified_gmt":"2017-11-24T10:03:45","slug":"novo-album-de-du-peixe-que-comecou-com-fitas-k-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/novo-album-de-du-peixe-que-comecou-com-fitas-k-7\/","title":{"rendered":"Novo \u00e1lbum de Du Peixe, que come\u00e7ou com fitas K-7"},"content":{"rendered":"<p>Nos anos de moleque, Jorge Jos\u00e9 de Lira, o Du Peixe, vocalista da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, gastava suas tardes produzindo &#8220;seletas&#8221; em fitas K7 para ele mesmo e para distribuir para os amigos. Viaja, musicalmente, do ber\u00e7o da soul e do funk com James Brown, aos ritmos fren\u00e9ticos do afrobeat do nigeriano Fela Kuti. Para apimentar a sele\u00e7\u00e3o, as incrementava com m\u00fasicas de bandas como o Tortoise, grupo post rock instrumental e esfomeada por experimenta\u00e7\u00f5es e ru\u00eddos. Cada fitinha daquelas, diz Du Peixe, carregava uma viagem por distantes lugares do tempo e espa\u00e7o. &#8220;Era poss\u00edvel viajar com elas ali&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O Du Peixe que fala \u00e0 reportagem viveu mais de tr\u00eas d\u00e9cadas desde ent\u00e3o. Tocou em festinhas, foi DJ, passou a integrar o time de percuss\u00e3o do grupo liderado pelo amigo Chico Science que revolucionou o rock nacional na d\u00e9cada de 1990, a Chico Science e a Na\u00e7\u00e3o Zumbi. Perdeu o vocalista num acidente automobil\u00edstico e encontrou for\u00e7as, com o restante do grupo, para seguir com a Na\u00e7\u00e3o. Assumiu o microfone e, diante dele, lan\u00e7ou seis discos.<\/p>\n<p>Todo esse curr\u00edculo por extenso serve para expor a dist\u00e2ncia temporal entre o Du Peixe que regravava as fitinhas para o de hoje, aos 50 anos, pronto para lan\u00e7ar um novo \u00e1lbum com a Na\u00e7\u00e3o Zumbi, em uma clara homenagem aos tempos nos quais as K7 dominavam o sistema de som do jovem. Porque Radiola NZ Vol. 1, lan\u00e7ado nesta sexta-feira, 24, \u00e9 uma reuni\u00e3o de hist\u00f3rias musicais. Uma esp\u00e9cie de playlist em forma de disco com inspira\u00e7\u00f5es na curadoria musical realizada manualmente durante os anos 1970 e 1980. Mudou-se a m\u00eddia (o disco sair\u00e1 formato f\u00edsico e nas plataformas digitais), mas a vontade de viajar pela m\u00fasica \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>Radiola NZ \u00e9 um \u00e1lbum no qual a Na\u00e7\u00e3o Zumbi se abriu para reinterpretar as obras de outros cantores e compositores. Ao longo dos dois \u00faltimos anos, o quinteto &#8211; formado por Du Peixe (voz), L\u00facio Maia (guitarra), Alexandre Dengue (baixo), Pupillo (bateria) e Toca Ogan (percuss\u00e3o) &#8211; buscou as m\u00fasicas que mais lhe traziam boas lembran\u00e7as. Ao faz\u00ea-lo, enfim deram corpo a um projeto estacionado na casa das ideias da banda desde antes do lan\u00e7amento do segundo \u00e1lbum deles, R\u00e1dio S.Amb.A., de 2000.<\/p>\n<p>E o &#8220;Vol. 1&#8221;, do t\u00edtulo, n\u00e3o esconde a ideia de dar continuidade ao projeto. Nesta primeira edi\u00e7\u00e3o, chegaram a nove can\u00e7\u00f5es, de Gilberto Gil (a lind\u00edssima Refazenda, de 1975) a Ashes To Ashes (uma m\u00fasica de David Bowie lan\u00e7ada em 1980, com uma vibe mezzo new wave, mezzo funk, na qual ele desconstr\u00f3i o personagem Major Tom, personagem da can\u00e7\u00e3o Space Oddity, e o transforma em um junkie). Na primeira, o arranjo de Letieres Leite e a Orquestra Rumpilezz chamam a aten\u00e7\u00e3o para essa nova vis\u00e3o do sert\u00e3o de Gil Na can\u00e7\u00e3o de Bowie, a voz grave de Du Peixe se mostra bem acompanhada do grave que estoura os fones caracter\u00edstico nos discos da Na\u00e7\u00e3o. &#8220;Ouv\u00edamos muito essa m\u00fasica nas festas no Recife. E, quando era DJ, tamb\u00e9m colocava para tocar&#8221;, relembra<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso ter cuidado. N\u00e3o \u00e9 simples fazer uma vers\u00e3o&#8221;, continua Du Peixe. O n\u00facleo da Na\u00e7\u00e3o (Du Peixe, Maia, Pupillo e Dengue) t\u00eam experi\u00eancia no equil\u00edbrio entre respeitar e ousar na obra alheia h\u00e1 19 anos &#8211; desde 1998, eles tamb\u00e9m formam o grupo Los Seboso Postizos, uma banda dedicada a interpretar o cancioneiro de Jorge Ben Jor. Do projeto com Ney Matogrosso, centrado na apresenta\u00e7\u00e3o no Rock in Rio 2017, ficou Amor, m\u00fasica dos Secos &amp; Molhados.<\/p>\n<p>Sai dessa radiola (nome dado tamb\u00e9m \u00e0s vitrolas e aos soundystens do Maranh\u00e3o) uma linguagem muito pr\u00f3pria da Na\u00e7\u00e3o, capaz de imprimir uma est\u00e9tica de di\u00e1logo entre Tomorrow Never Knows, can\u00e7\u00e3o de autoria de Paul McCartney e John Lennon, do disco Revolver (1966), dos Beatles, com a poesia de Taiguara registrada por Erasmo Carlos no seu mais cl\u00e1ssico disco, Carlos, Erasmo, chamada Dois Animais na Selva Suja da Rua.<\/p>\n<p>N\u00e3o alheia a seu tempo, a Na\u00e7\u00e3o refaz o sentido das fitas cassete com Radiola NZ, importando o conceito para o mundo da m\u00fasica digital. E Du Peixe, aos 50, mant\u00e9m o h\u00e1bito da adolesc\u00eancia: vez ou outra envia para os amigos uma nova sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas &#8211; agora, no formato de playlists no Spotify.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos anos de moleque, Jorge Jos\u00e9 de Lira, o Du Peixe, vocalista da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, gastava suas tardes produzindo &#8220;seletas&#8221; em fitas K7 para ele mesmo e para distribuir para os amigos. Viaja, musicalmente, do ber\u00e7o da soul e do funk com James Brown, aos ritmos fren\u00e9ticos do afrobeat do nigeriano Fela Kuti. Para apimentar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":161547,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-161546","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161546"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161546\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":161548,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161546\/revisions\/161548"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/161547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}